Por décadas, as noites de inúmeras mulheres brasileiras foram fragmentadas por ondas de calor e suores noturnos — sintomas que a ciência médica tratava quase exclusivamente com hormônios. Com a aprovação do fezolinetanto pela Anvisa, surge pela primeira vez no Brasil uma alternativa não hormonal que age diretamente nos circuitos cerebrais de regulação térmica, abrindo um novo capítulo no cuidado com a saúde feminina na menopausa. O avanço é real, mas os especialistas lembram que o sono é um fenômeno complexo, e que nenhum medicamento sozinho responde a todas as suas perturbações.
Novo medicamento não hormonal aprovado pela Anvisa promete melhorar sono na menopausa
Controlar os fogachos não é apenas aliviar o calor, é melhorar a vida
Por que as ondas de calor da menopausa prejudicam tanto o sono?
Porque elas interrompem o sono várias vezes durante a noite. A mulher acorda com calor intenso e suor, e mesmo quando consegue voltar a dormir, o sono que segue é superficial. Não é apenas uma questão de acordar — é que o corpo não consegue entrar nos estágios profundos do sono que realmente restauram.
E esse novo medicamento resolve o problema completamente?
Resolve a causa principal das ondas de calor, atuando nos receptores cerebrais que regulam a temperatura. Mas nem todas as mulheres têm insônia apenas por causa das ondas de calor. Algumas têm hábitos de sono ruins, depressão, ou apneia do sono que continua mesmo depois que os fogachos melhoram.
Então o medicamento é inútil para essas mulheres?
Não. É útil, mas incompleto. Se uma mulher tem ondas de calor e apneia, tratar apenas as ondas de calor melhora parte do problema. Mas ela ainda precisa de avaliação médica completa para identificar e tratar a apneia também.
Por que o Brasil tem a maior taxa de ondas de calor entre os países estudados?
A pesquisa mostrou que 36,2% das brasileiras na pós-menopausa relatam ondas de calor moderadas ou intensas. Não está claro na pesquisa por que o Brasil lidera, mas o dado é real e preocupante.
Qual é o impacto real na vida dessas mulheres?
Vai além do cansaço. Sono fragmentado causa irritabilidade, dificuldade de concentração, problemas de memória. E existe uma relação com ansiedade e depressão. Melhorar o sono melhora tudo isso indiretamente.
The Pulse
- Mais de um terço das brasileiras na pós-menopausa sofre com ondas de calor moderadas ou intensas — a maior prevalência entre sete países estudados —, tornando noites inteiras em sequências de despertar e exaustão.
- A privação de sono causada pelos fogachos noturnos vai além do cansaço: alimenta irritabilidade, falhas de memória, ansiedade e sintomas depressivos, criando um ciclo que corrói a qualidade de vida.
- O fezolinetanto chega ao mercado brasileiro como o primeiro medicamento não hormonal aprovado para esse fim, oferecendo uma saída para mulheres que não podem ou não querem recorrer à terapia hormonal.
- Pesquisadoras do Instituto do Sono alertam que controlar as ondas de calor não encerra o problema: apneia, depressão e hábitos inadequados podem manter a insônia ativa mesmo após a melhora dos sintomas vasomotores.
- O caminho recomendado pelos especialistas é a avaliação médica individualizada, capaz de distinguir o que é fogacho do que é outra causa — e assim personalizar o tratamento para que as noites voltem a ser restauradoras.
Por décadas, as noites de inúmeras mulheres brasileiras foram fragmentadas por ondas de calor e suores noturnos — sintomas que a ciência médica tratava quase exclusivamente com hormônios. Com a aprovação do fezolinetanto pela Anvisa, surge pela primeira vez no Brasil uma alternativa não hormonal que age diretamente nos circuitos cerebrais de regulação térmica, abrindo um novo capítulo no cuidado com a saúde feminina na menopausa. O avanço é real, mas os especialistas lembram que o sono é um fenômeno complexo, e que nenhum medicamento sozinho responde a todas as suas perturbações.
A menopausa rouba o sono de muitas mulheres brasileiras. Ondas de calor súbitas, suor noturno e despertares repetidos deixam o corpo exausto mesmo após horas na cama. Agora, a Anvisa aprovou o fezolinetanto — comercializado como Veoza™ —, o primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil para controlar esses sintomas vasomotores. Ao agir diretamente em receptores cerebrais que regulam a temperatura corporal, ele reduz tanto a frequência quanto a intensidade dos fogachos, ampliando as opções para mulheres que não podem ou não desejam usar hormônios.
A dimensão do problema é maior do que se imagina. Uma pesquisa publicada na revista Menopause, com mais de 12 mil mulheres entre 40 e 65 anos em sete países, revelou que o Brasil lidera a prevalência: 36,2% das participantes brasileiras na pós-menopausa relataram ondas de calor moderadas ou intensas. A ginecologista Helena Hachul, do Instituto do Sono, explica que mesmo quando a mulher consegue voltar a dormir após um episódio, o sono que se segue é superficial e pouco reparador — gerando cansaço, irritabilidade e dificuldades de concentração durante o dia. Existe ainda uma relação bidirecional: fogachos frequentes se associam a mais insônia, ansiedade e sintomas depressivos.
Os especialistas, porém, fazem um alerta necessário. A pneumologista Luciana Palombini, também do Instituto do Sono, observa que algumas mulheres continuam com insônia mesmo após a melhora dos sintomas vasomotores. Depressão, hábitos inadequados e distúrbios como a apneia obstrutiva do sono — comum nessa fase da vida e frequentemente não diagnosticada — podem manter o problema ativo. O fezolinetanto representa um avanço real, mas a avaliação médica cuidadosa e individualizada continua sendo indispensável para que cada mulher encontre, de fato, noites tranquilas e restauradoras.
A menopausa rouba o sono de muitas mulheres brasileiras. Ondas de calor súbitas, suor que molha a cama, despertares que fragmentam a noite — esses sintomas vasomotores interrompem o descanso repetidamente e deixam o corpo exausto mesmo após horas na cama. Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou um novo caminho para lidar com o problema: o fezolinetanto, comercializado como Veoza™, o primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil especificamente para controlar esses sintomas da menopausa.
O fezolinetanto funciona de forma diferente dos tratamentos hormonais tradicionais. Ele atua diretamente em receptores cerebrais envolvidos na regulação da temperatura corporal, reduzindo tanto a frequência quanto a intensidade das ondas de calor. Essa ação no sistema nervoso central oferece uma alternativa para mulheres que não podem ou não desejam usar terapia hormonal, ampliando as opções disponíveis no consultório.
O problema que o medicamento tenta resolver é mais prevalente do que muitos imaginam. Uma pesquisa internacional publicada na revista Menopause avaliou 12.268 mulheres entre 40 e 65 anos em sete países. Os dados revelaram que mais de uma em cada três brasileiras na pós-menopausa relata ondas de calor moderadas ou intensas. O Brasil, na verdade, apresentou a maior prevalência entre os países estudados: 36,2% das participantes. Esses episódios ocorrem frequentemente durante a noite, transformando o sono em algo fragmentado e pouco restaurador.
A conexão entre ondas de calor e qualidade do sono vai além do óbvio. Helena Hachul, ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono, explica que quando a mulher acorda com calor intenso e suor, mesmo que consiga voltar a dormir, o sono que segue é superficial e menos reparador. O resultado é cansaço diurno, irritabilidade, dificuldade de concentração e problemas de memória. Existe também uma relação bidirecional: mulheres com ondas de calor frequentes relatam mais insônia, ansiedade e sintomas depressivos. Controlar os fogachos noturnos, portanto, não é apenas uma questão de conforto — é uma questão de saúde mental e qualidade de vida.
Mas os especialistas alertam para uma realidade importante: nem todo problema de sono na menopausa desaparece quando as ondas de calor são controladas. Luciana Palombini, pneumologista e pesquisadora do Instituto do Sono, aponta que algumas mulheres continuam enfrentando insônia mesmo após a melhora dos sintomas vasomotores. Durante a menopausa, outros fatores podem manter a insônia ativa: hábitos de sono inadequados, depressão, e distúrbios como a apneia obstrutiva do sono, que é comum nessa fase da vida e frequentemente passa despercebido.
Por isso, o novo medicamento representa um avanço importante, mas não é uma solução completa para todas as mulheres. A avaliação médica cuidadosa continua sendo fundamental. Cada paciente precisa de uma investigação que identifique quais fatores específicos estão prejudicando seu sono — se são apenas as ondas de calor, ou se existem outras causas que precisam de abordagens diferentes. Dessa forma, o tratamento pode ser personalizado e a mulher finalmente conseguir noites tranquilas e restauradoras.
Notable Quotes
Quando conseguimos reduzir as ondas de calor noturnas, favorecemos a continuidade do sono e, consequentemente, a qualidade de vida dessas mulheres— Helena Hachul, ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono
Algumas mulheres continuam apresentando insônia mesmo após a melhora dos fogachos, pois podem existir outros fatores como hábitos inadequados de sono, depressão ou apneia obstrutiva— Luciana Palombini, pneumologista e pesquisadora do Instituto do Sono