Mulher condenada a 66 anos por matar crianças com ovo de Páscoa envenenado

Duas crianças morreram envenenadas; mãe das vítimas sobreviveu após internação em UTI; família sofreu severo abalo físico e psíquico irreparável.
Cada detalhe foi calculado, cada movimento planejado
Jordélia viajou 380 km com identidade falsa, monitorou as vítimas e enviou o ovo envenenado com uma mensagem que parecia inocente.
Mark

Como alguém chega ao ponto de envenenar crianças que nem conhece bem?

Mimi

Não era sobre as crianças. Era sobre a mãe delas e o ex-marido. Jordélia viu aquela família como uma ameaça ao que ela acreditava que lhe pertencia. As crianças foram colaterais de um ciúme obsessivo.

Mark

Mas ela sabia que as crianças poderiam comer o ovo?

Mimi

Sabia. Monitorou a rotina delas. Viajou 380 quilômetros com identidade falsa, se hospedou em hotel, observou tudo. Quando enviou aquele presente com a mensagem "Com amor", ela estava apostando que alguém naquela casa comeria. E apostou certo.

Mark

O que o júri viu que a condenou tão severamente?

Mimi

Quatro qualificadoras para cada morte das crianças. Motivo torpe — o ciúme. Veneno — o método. Dissimulação — a mensagem falsa, o disfarce, toda a encenação. E o fato de serem menores de 14 anos. Cada uma dessas circunstâncias agrava a pena. Juntas, elas contam uma história de premeditação e crueldade.

Mark

A mãe das crianças sobreviveu. Como ela vive agora?

Mimi

Sobreviveu porque recebeu atendimento rápido na UTI. Mas o júri reconheceu que ela sofreu um abalo severo — físico e psíquico. Perdeu duas filhas. A pessoa que as matou fez isso deliberadamente, sabendo que ela estava lá. Nenhuma indenização repara isso.

Mark

66 anos é muito tempo. Jordélia sairá da prisão?

Mimi

Provavelmente não. Ela tem 36 anos agora. Aos 102 anos poderia sair, se cumprisse a pena inteira. O juiz manteve a prisão preventiva e negou que ela recorresse em liberdade. A sentença começa agora.

  • Duas crianças de 7 e 13 anos morreram após consumir ovo de Páscoa envenenado em abril de 2025
  • Jordélia Pereira Barbosa condenada a 66 anos, 8 meses e 7 dias de prisão em regime fechado
  • Crime planejado: viagem de 380 km com identidade falsa, monitoramento das vítimas, entrega por mototaxista
  • Mãe das vítimas sobreviveu após internação em UTI; condenada também por tentativa de homicídio contra ela
  • Indenizações totalizando R$ 810,5 mil para a mãe e pais das crianças

Duas crianças, de 7 e 13 anos, morreram após consumir ovo de Páscoa envenenado enviado disfarçadamente para casa da mãe delas em Imperatriz, Maranhão. A condenada planejou meticulosamente o crime, viajando 380 km com identidade falsa, monitorando as vítimas e usando mototaxista para entregar o presente envenenado.

Jordélia Pereira Barbosa foi condenada a 66 anos de prisão por matar duas crianças com ovo de Páscoa envenenado motivada por ciúme do ex-marido. O júri reconheceu homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a mãe das vítimas.

Na segunda-feira 22 de junho, um júri popular em Imperatriz, no Maranhão, condenou Jordélia Pereira Barbosa, 36 anos, a 66 anos, oito meses e sete dias de prisão em regime fechado. Os crimes que a levaram a essa sentença ocorreram em abril de 2025 e deixaram duas crianças mortas: Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos.

O que as matou foi um ovo de Páscoa envenenado. Jordélia o enviou para a casa de Miriam Lira Rocha, mãe das crianças, através de um mototaxista. A embalagem trazia uma mensagem que parecia inocente: "Com amor, para Miriam Lira. Feliz Páscoa". Mas dentro daquele presente havia veneno. As duas crianças consumiram o produto e morreram. Miriam também ingeriu o alimento, mas sobreviveu após ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva.

O motivo por trás dessa ação foi ciúme. Jordélia era ex-mulher de um homem que havia começado um relacionamento com Miriam Lira Rocha. Segundo a denúncia do Ministério Público, esse sentimento de posse e rejeição levou a acusada a planejar e executar um crime de uma frieza impressionante. A investigação revelou que ela viajou cerca de 380 quilômetros de Santa Inês até Imperatriz, usando disfarces e uma identidade falsa em um hotel. Monitorou a rotina das vítimas antes de agir. Cada detalhe foi calculado.

No julgamento, o júri reconheceu homicídio quadruplamente qualificado pelas mortes das crianças — qualificado por motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e pelo fato de as vítimas serem menores de 14 anos. Para cada morte, Jordélia recebeu uma pena de 25 anos, 11 meses e seis dias. A tentativa de homicídio contra Miriam rendeu outros 14 anos, nove meses e 25 dias. O juiz Fábio da Costa Vilar, que presidiu a sessão, destacou em sua sentença o alto grau de planejamento envolvido no crime. A ré, segundo a decisão, assumiu conscientemente o risco de provocar a morte dos menores ao enviar o alimento envenenado para uma residência onde elas viviam.

Além da prisão, Jordélia foi condenada ao pagamento de indenizações. Miriam Lira Rocha receberá 100 salários mínimos — aproximadamente 162 mil reais — por danos morais em razão do "severo abalo físico e psíquico" causado pelo envenenamento e internação. Os pais das crianças receberão 400 salários mínimos, cerca de 648 mil reais, para compensar os prejuízos físicos, psicológicos e a perda irreparável sofrida pela família. No total, as indenizações chegam a pouco mais de 810 mil reais.

O juiz manteve a prisão preventiva de Jordélia e negou que ela pudesse recorrer da sentença em liberdade. A pena começará a ser cumprida imediatamente. A acusação foi representada pelos promotores de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira e Gabriele Gadelha Barboza de Almeida. A defesa da condenada não se pronunciou publicamente sobre o caso.

O juiz destacou em sua sentença o alto grau de planejamento envolvido no crime
— Juiz Fábio da Costa Vilar
A ré assumiu conscientemente o risco de provocar a morte dos menores ao enviar o alimento envenenado para uma residência onde elas viviam
— Sentença do tribunal
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