Anastasiia Berezovska, 39 anos, foi identificada como suspeita do atentado que feriu gravemente Vadym Yermolaiev e sua família em junho no Mónaco. Berezovska fugiu para a Ucrânia mas foi encontrada morta dias depois; dois homens com ligações aos serviços de segurança ucranianos foram acusados do seu homicídio.
Mulher acusada de ataque a milionário no Mónaco encontrada morta dias depois
Ela era simplesmente uma agente tola e ingénua
Como é que uma mulher sem antecedentes criminais, vivendo como refugiada na Alemanha, acaba envolvida num atentado contra um milionário no Mónaco?
Isso é exatamente o mistério. Os procuradores dizem que ela foi motivada pelo dinheiro – recebeu entre seis e sete mil euros em pagamentos. Mas sete mil euros não é muito para arriscar a vida. Sugere que alguém a convenceu de que estava a fazer algo importante, algo grandioso.
E depois ela é encontrada morta uma semana depois. Isso parece demasiado conveniente.
Sim. Reut e Zhykovych afirmam que a mataram porque corria risco de "danos físicos", mas é mais provável que a tenham eliminado para não poder testemunhar contra eles. Se ela fosse apenas uma peça descartável, porque é que a deixariam viva?
Reut trabalha para os serviços de informação ucranianos. Isso não levanta questões sobre envolvimento estatal?
Reut afirma que agiu por conta própria, motivado pelo dinheiro. Os serviços de informação negam qualquer envolvimento oficial. Mas Yermolaiev acredita que alguém contratou especificamente Reut e Zhykovych pela sua experiência em operações secretas. A questão é: quem?
Yermolaiev tem inimigos óbvios? Tem ligações criminosas?
Ele nega tudo. Diz que nunca teve inimigos, que sempre evitou conflitos. Mas o seu filho mais velho foi condenado por fraude telefónica que roubou 100 milhões de euros. E Yermolaiev foi sancionado por fazer negócios na Crimeia. Há camadas aqui que não são claras.
Então Berezovska era apenas uma peça num jogo muito maior.
Exatamente. Ela era uma mãe solteira com dificuldades financeiras, vulnerável. Alguém a recrutou, pagou-lhe uma quantia modesta, e depois eliminou-a quando deixou de ser útil. A verdadeira história não é sobre Berezovska. É sobre quem a usou.
Le Pouls
- Atentado no Mónaco: 29 de junho, bomba à porta do apartamento de Vadym Yermolaiev
- Anastasiia Berezovska, 39 anos, identificada como suspeita; encontrada morta uma semana depois
- Vladyslav Reut (oficial do GUR) e Vitaliy Zhykovych acusados do homicídio de Berezovska
- Berezovska recebeu entre 6 e 7 mil euros em pagamentos antes do ataque
- Yermolaiev ferido gravemente; companheira e filho de 13 anos também feridos
Anastasiia Berezovska, 39 anos, foi identificada como suspeita do atentado que feriu gravemente Vadym Yermolaiev e sua família em junho no Mónaco. Berezovska fugiu para a Ucrânia mas foi encontrada morta dias depois; dois homens com ligações aos serviços de segurança ucranianos foram acusados do seu homicídio.
Uma ucraniana suspeita de tentar matar um milionário no Mónaco com uma bomba foi encontrada morta uma semana depois, enterrada numa floresta perto de Kiev. A investigação revela uma trama complexa envolvendo alegados cúmplices com ligações aos serviços de informação ucranianos.
Vadym Yermolaiev estava a jantar com a família quando a explosão ecoou pela rua do Mónaco. Naquele instante de junho, o milionário ucraniano viu a sua companheira ferida nos degraus, o filho de 13 anos com os braços ensanguentados, e compreendeu que alguém tinha tentado matá-lo. Três dias depois, as autoridades identificaram a suspeita: Anastasiia Berezovska, uma mulher de 39 anos sem antecedentes criminais conhecidos, sem ligação aparente à vítima, sem motivo óbvio. Uma semana mais tarde, foi encontrada morta, enterrada numa cova rasa numa floresta perto de Kiev.
Yermolaiev tinha saído da Ucrânia anos antes, renunciando à cidadania ucraniana em 2019 para se tornar cidadão cipriota. Fez fortuna em Dnipro durante os anos turbulentos após o colapso soviético, investindo principalmente em imóveis, e chegou a figurar entre os homens mais ricos do país. Vivia agora na glamorosa cidade-Estado do Mónaco, longe das complicações que deixara para trás. Mas alguém o queria morto.
Berezovska vivia como refugiada em Hofheim, perto de Frankfurt, na Alemanha. Divorciada, separada do segundo marido – um homem 30 anos mais velho – e com um filho de sete anos, enfrentava dificuldades financeiras. Semanas antes de viajar para o Mónaco, enviou o filho para a Ucrânia, para casa da mãe numa aldeia chamada Horodyshche. Depois, desapareceu. As câmaras de segurança do Mónaco apanharam-na em vigilância meticulosa: disfarçada com um chapéu de pescador, uma sweatshirt larga e calças largas, seguindo Yermolaiev durante dias. Numa ocasião, cometeu um erro. Vestiu as suas roupas normais e revelou o rosto e a tatuagem proeminente de uma cobra no braço – o detalhe que permitiria identificá-la.
Na noite do ataque, 29 de junho, Berezovska filmou-se a si própria com uma câmara escondida. O vídeo recuperado pelos investigadores mostra uma figura com um chapéu de abas largas a colocar uma mochila preta à porta do apartamento de Yermolaiev. Vinte segundos depois, uma explosão poderosa ecoa pela rua. A figura afasta-se, levando a mão ao bolso para apanhar a câmara escondida, e foge. Yermolaiev e a sua família viraram a esquina segundos depois, quase cruzando-se com a suspeita.
Berezovska atravessou a fronteira para França, depois conduziu um carro alugado por Itália e vários países europeus até Frankfurt, onde o veículo foi abandonado. Apanhou um autocarro de regresso à Ucrânia via Polónia e atravessou a fronteira na quarta-feira, 1 de julho – antes mesmo de as autoridades do Mónaco a identificarem como suspeita. Quando chegou a Horodyshche, foi diretamente para casa. Mas na sexta-feira de manhã, 3 de julho, pediu à mãe que a levasse a um posto de abastecimento de combustível próximo. Ali, mostrou a um motorista de táxi uma localização GPS na autoestrada para Kiev. Trinta minutos depois, um BMW preto a apanhou.
Dentro do carro estavam Vladyslav Reut e Vitaliy Zhykovych. Reut era um oficial em serviço no Serviço de Informações de Defesa da Ucrânia. Zhykovych era um antigo polícia que tinha trabalhado como voluntário para o Serviço de Segurança da Ucrânia. Os procuradores afirmam que ambos tinham comunicado com Berezovska nos meses anteriores ao ataque e lhe tinham feito pagamentos em criptomoedas e transferências bancárias, num total entre seis e sete mil euros. O que aconteceu exatamente depois de se encontrarem não é claro. Reut disse ao tribunal que Zhykovych o tinha contactado pedindo ajuda para "esconder" Berezovska, que corria risco de "danos físicos causados por terceiros". Mas assim que iniciaram a viagem, Zhykovych abriu a mochila e tirou uma arma. Conduziram em direção a uma floresta perto da aldeia de Yuriv. Ali, Berezovska foi baleada várias vezes na cabeça.
Reut confessou inicialmente ter disparado sobre Berezovska a mando de Zhykovych, mas mais tarde alegou em tribunal que foi Zhykovych quem premiu o gatilho. O advogado de Zhykovych nega tudo, afirmando que Reut era o organizador e o assassino. Os dois homens cavaram um buraco com uma pá que tinham no carro e enterraram Berezovska. Atiraram a arma, os telemóveis, um isqueiro e um relógio para um lago próximo. Queimaram o seu dinheiro e documentos. As autoridades ucranianas recuperaram o corpo três dias depois.
Há agora uma cova recém-cavada no cemitério de Horodyshche. Grandes arranjos de flores repousam sobre a pilha de terra; um tecido bordado tradicional cobre a cruz. A foto de Berezovska mostra uma mulher a sorrir, olhos azuis, cabelos negros emoldurando o rosto. Nada a ver com a foto no mandado de detenção da Interpol. O caixão permaneceu fechado durante o funeral – uma decisão invulgar na Ucrânia. A mãe de Berezovska estava inconsolável, repetindo no túmulo: "Filha, o que fizeste?"
Yermolaiev diz à CNN que sente um vazio ao pensar em Berezovska. "Ela não era a figura principal nesta história," afirma. "Acho que ela era simplesmente uma agente tola e ingénua que, de alguma forma, foi convencida de que estava a fazer algo importante." O milionário acredita que foi morta para não poder testemunhar contra os outros. Mas a pergunta que o assombra permanece sem resposta: quem ordenou o ataque? Yermolaiev diz que nunca teve inimigos, que sempre evitou conflitos diretos. "Não percebo o motivo," confessa. A verdadeira autoria intelectual do atentado continua por identificar.
Citations marquantes
Nunca tive inimigos. Não sou uma pessoa de confrontos. Tentei sempre evitar conflitos diretos. Não percebo o motivo.— Vadym Yermolaiev, vítima do atentado
Ela não era a figura principal nesta história. Acho que ela era simplesmente uma agente tola e ingénua que, de alguma forma, foi convencida de que estava a fazer algo importante.— Vadym Yermolaiev, sobre Anastasiia Berezovska