Aos 87 anos, Rui Rezende partiu no domingo, 12 de julho, levando consigo mais de cinco décadas de presença constante na memória afetiva do Brasil. Nascido em Araguari, Minas Gerais, ele percorreu teatro, cinema e televisão com a persistência silenciosa dos artistas que não buscam a fama, mas a habitam. Seu professor Astromar Junqueira, o lobisomem de 'Roque Santeiro', é daqueles personagens que a ficção entrega ao tempo como presente — e o tempo recusa devolver. Ele vivia no Retiro dos Artistas desde 2019, onde encontrou, segundo quem o conheceu, não apenas abrigo, mas dignidade.
Morre Rui Rezende, ator icônico de 'Roque Santeiro', aos 87 anos
Um professor que vira lobisomem é o tipo de coisa que fica na cabeça para sempre
Por que um ator que fez seu papel mais famoso há quarenta anos ainda era reconhecido nas ruas?
Porque "Roque Santeiro" foi um fenômeno cultural. Não era apenas uma novela — era o que as famílias assistiam juntas. Um professor que vira lobisomem é o tipo de coisa que fica na cabeça de uma criança para sempre. Rezende encarnava aquilo com uma presença que não era esquecível.
Ele trabalhou em muitas produções depois disso. Por que esse papel específico permanecia tão central?
Às vezes a primeira marca é a que fica. Mas também há algo sobre o timing — 1985 era um momento em que a televisão brasileira tinha um poder de penetração que hoje é difícil de imaginar. Não havia concorrência de streaming, de redes sociais. As pessoas viviam aquelas histórias de forma mais total.
Ele passou os últimos sete anos em um abrigo para artistas. Como isso muda a forma como pensamos sobre sua morte?
Muda porque sugere que mesmo artistas com carreiras respeitáveis enfrentam vulnerabilidade no envelhecimento. O Retiro dos Artistas existe justamente porque a profissão não oferece segurança de longo prazo. Rezende teve sorte de encontrar um lugar que o tratou com dignidade, mas o fato de precisar estar lá diz algo sobre como a indústria abandona seus veteranos.
Qual é o legado real que ele deixa?
Personagens que continuam sendo assistidos. Filmes que continuam sendo vistos. Mas também a lembrança de uma forma de fazer televisão — mais lenta, mais focada em construir personagens complexos. Rezende era parte daquela geração que entendia que um papel era algo para se viver, não apenas para se cumprir.
Le Pouls
- Rui Rezende morreu no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, após dez dias internado — a causa não foi revelada.
- O Retiro dos Artistas, instituição que o acolheu desde 2019, foi quem comunicou a perda ao país, sinalizando o isolamento silencioso dos últimos anos de um grande nome.
- Décadas após 'Roque Santeiro', Rezende ainda era parado nas ruas pelo professor que virava lobisomem — prova de que certos personagens sobrevivem ao tempo que os criou.
- Sua morte provoca luto em gerações distintas: os que o viram ao vivo nas telas dos anos 1980 e os que o redescobrem hoje nas plataformas de streaming.
- O falecimento marca o encerramento de uma era da teledramaturgia brasileira em que atores construíam vínculos duradouros com o público através de personagens inesquecíveis.
Aos 87 anos, Rui Rezende partiu no domingo, 12 de julho, levando consigo mais de cinco décadas de presença constante na memória afetiva do Brasil. Nascido em Araguari, Minas Gerais, ele percorreu teatro, cinema e televisão com a persistência silenciosa dos artistas que não buscam a fama, mas a habitam. Seu professor Astromar Junqueira, o lobisomem de 'Roque Santeiro', é daqueles personagens que a ficção entrega ao tempo como presente — e o tempo recusa devolver. Ele vivia no Retiro dos Artistas desde 2019, onde encontrou, segundo quem o conheceu, não apenas abrigo, mas dignidade.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 87 anos. A notícia veio do Retiro dos Artistas, instituição na zona oeste do Rio de Janeiro onde ele vivia desde 2019. Havia sido internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, desde o dia 2 de julho. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido José Pereira Rezende Filho, em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1938, ele construiu uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas entre teatro, cinema e televisão. O papel que o tornou inesquecível foi o professor Astromar Junqueira em 'Roque Santeiro', novela de 1985 que se consolidou como clássico da teledramaturgia brasileira. O personagem se transformava em lobisomem — e Rezende relatava, ainda em conversas recentes, ser reconhecido nas ruas por ele décadas depois.
Sua filmografia, porém, era muito mais ampla. Passou por 'A Favorita', 'Bang Bang', 'Um Lugar ao Sol' e pela série 'Bom Dia, Verônica'. Na extinta Rede Manchete, viveu Bob Lamb em 'A História de Ana Raio e Zé Trovão'. Na TV Globo, integrou a minissérie 'Incidente em Antares'. No cinema, esteve em 'Narradores de Javé', 'O Homem que Desafiou o Diabo' e 'Encarnação do Demônio'.
O Retiro dos Artistas descreveu sua trajetória como marcada pela dedicação à arte e afirmou que ele havia encontrado ali um lar de carinho, respeito e cuidado. Com sua morte, encerra-se um capítulo daquela televisão em que os personagens atravessavam décadas na lembrança do público — mas a obra de Rui Rezende permanece acessível, viva nas plataformas e na memória de quem cresceu com suas histórias.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 87 anos. A notícia chegou através do Retiro dos Artistas, a instituição onde ele vivia desde 2019, um abrigo para artistas na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele havia sido internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, no início do mês — desde o dia 2 de julho. A causa da morte não foi divulgada.
O ator nasceu em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1938, com o nome de batismo José Pereira Rezende Filho. Construiu uma carreira que atravessou mais de cinco décadas, passando por teatro, cinema e televisão. Era o tipo de artista que deixa marcas profundas na memória coletiva de um país — não apenas por um papel, mas por uma presença constante nas telas durante gerações.
O personagem que o tornaria inesquecível foi o professor Astromar Junqueira em "Roque Santeiro", a novela exibida em 1985 que se tornou um clássico da teledramaturgia brasileira. Nela, seu personagem tinha uma particularidade memorável: se transformava em lobisomem. Décadas depois, em conversas públicas, Rezende ainda relatava ser reconhecido nas ruas por esse papel — a marca que a ficção deixa quando encontra o ator certo no momento certo.
Mas sua filmografia era vasta e respeitável. Interpretou Bob Lamb em "A História de Ana Raio e Zé Trovão", produção da extinta Rede Manchete, e Menandro Olinda na minissérie "Incidente em Antares", da TV Globo. Passou por novelas como "A Favorita", "Bang Bang" e "Um Lugar ao Sol". Trabalhou na série "Bom Dia, Verônica". No cinema, esteve em "Narradores de Javé", "O Homem que Desafiou o Diabo" e "Encarnação do Demônio" — filmes que marcaram momentos distintos da produção audiovisual brasileira.
Nos últimos anos de vida, Rezende encontrou acolhimento no Retiro dos Artistas. A instituição, em nota de pesar, descreveu sua trajetória como marcada pela dedicação à arte e por personagens que permaneceriam vivos na memória de gerações. Afirmou que ele havia encontrado ali um lar cercado de carinho, respeito e cuidado — uma descrição que sugere não apenas um lugar de moradia, mas de dignidade mantida até o final.
Sua morte encerra um capítulo da teledramaturgia brasileira, aquela em que os atores construíam personagens que atravessavam décadas na lembrança do público. Rui Rezende deixa atrás de si uma obra que permanece acessível, assistível, viva nas plataformas de streaming e na memória de quem cresceu vendo suas histórias na televisão.
Citations marquantes
Construiu uma trajetória marcada pela dedicação à arte e por personagens que permanecerão vivos na memória de gerações— Retiro dos Artistas, em nota de pesar