Morre Manoel Francisco Gomes Filho, referência em meteorologia da UFCG

Manoel Francisco Gomes Filho faleceu após um mês internado em hospital particular de João Pessoa, lutando contra câncer.
Defendia que o enfrentamento deveria passar pela adaptação permanente
Sua visão sobre como o Nordeste deveria lidar com as secas, em entrevista durante evento sobre convivência com a estiagem.
Mark

Quem era Manoel Gomes Filho para a meteorologia brasileira?

Mimi

Um dos pesquisadores que ajudou a estruturar a disciplina no país. Entre 1976 e 1979, ele se integrou ao grupo de meteorologia da UFCG num período que os registros mostram como decisivo. Depois, em 1980, participou da organização do 1º Congresso Brasileiro de Meteorologia em Campina Grande — um encontro que reativou a Sociedade Brasileira de Meteorologia.

Luke

Mas isso foi há mais de 40 anos. O que ele fez depois? Qual era sua relevância atual?

Mimi

Continuou pesquisando e orientando gerações de meteorologistas. Seus orientandos estudaram secas, chuvas, dengue, eventos extremos — problemas reais do Nordeste. Ele também era fonte recorrente para explicar fenômenos climáticos à população.

Mark

Qual era sua formação?

Mimi

Bacharel em Física pela Universidade Católica de Pernambuco, mestrado em Meteorologia no Inpe, doutorado em Recursos Naturais pela UFPB em 2001. A tese investigou a relação entre temperaturas dos oceanos, sistemas atmosféricos e variações nos reservatórios de água da Paraíba.

Luke

Então ele era especialista em como o oceano influencia o clima do semiárido?

Mimi

Exatamente. Meteorologia dinâmica, oceanografia física, mudanças climáticas, meteorologia aplicada — mas sempre com foco no Nordeste. Secas, chuvas, influência dos oceanos Atlântico e Pacífico.

Mark

Ele ocupou cargos administrativos?

Mimi

Em 2012, foi designado coordenador administrativo da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas da UFCG, como professor associado em dedicação exclusiva.

Luke

Como ele morreu?

Mimi

Lutava contra um câncer. Ficou internado por cerca de um mês em hospital particular de João Pessoa antes de falecer no domingo, 30 de agosto.

Mark

Qual era sua mensagem sobre como lidar com a seca?

Mimi

Defendia que o enfrentamento deveria passar pela adaptação permanente da população e por políticas públicas voltadas à convivência com as secas — não pela esperança de que desapareceriam.

Luke

Ele publicou muito? Há um legado de artigos, pesquisas documentadas?

Mimi

A reportagem não especifica sua produção bibliográfica, mas menciona que orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado, e que ministrou palestras sobre aquecimento global e aumento do nível do Oceano Atlântico.

Mark

O que fica de seu trabalho?

Mimi

Uma compreensão mais profunda de como os oceanos influenciam o clima do semiárido, e gerações de meteorologistas formados por ele. Num momento em que mudanças climáticas são urgentes, esse conhecimento é insubstituível.

  • A morte de Gomes Filho abre um vazio numa área científica que ele ajudou a construir tijolo por tijolo desde os anos 1970.
  • Sua ausência chega num momento crítico: compreender secas, chuvas e a influência dos oceanos sobre o semiárido nunca foi tão urgente diante das mudanças climáticas em curso.
  • Gerações de meteorologistas formadas sob sua orientação carregam agora a responsabilidade de continuar pesquisas sobre baixa pluviosidade, eventos extremos e reservatórios hídricos da Paraíba.
  • A comunidade científica e a UFCG perdem não apenas um pesquisador, mas uma memória institucional viva — alguém que participou do 1º Congresso Brasileiro de Meteorologia e viu a disciplina crescer.
  • O velório e a cremação marcados para os dias seguintes encerram formalmente uma vida, mas o debate sobre convivência com a seca que ele defendia permanece aberto e necessário.

Na manhã de 30 de agosto, a meteorologia brasileira perdeu uma de suas vozes formadoras: Manoel Francisco Gomes Filho, professor aposentado da UFCG, faleceu em João Pessoa após um mês internado, vencido por um câncer. Sua trajetória — da física à oceanografia, do Inpe ao semiárido nordestino — foi dedicada a decifrar os ciclos climáticos que governam a vida de milhões de pessoas. Parte da geração que fundou a meteorologia acadêmica no Nordeste, ele deixa um legado que persiste nas pesquisas de quem orientou e nas perguntas que ajudou a formular.

Manoel Francisco Gomes Filho morreu na manhã de domingo, 30 de agosto, após um mês internado em hospital particular de João Pessoa, onde lutava contra um câncer. Professor aposentado da Universidade Federal de Campina Grande, sua morte encerra uma trajetória que ajudou a moldar a meteorologia brasileira, especialmente no Nordeste.

Entre 1976 e 1979, ele integrou o grupo de meteorologia da UFCG num período considerado decisivo para a consolidação da área na universidade. Em 1980, participou da organização do 1º Congresso Brasileiro de Meteorologia, realizado em Campina Grande — evento que marcou a reativação da Sociedade Brasileira de Meteorologia e funcionou como ponto de inflexão para a disciplina no país.

Sua formação combinava rigor e amplitude: bacharel em Física pela Universidade Católica de Pernambuco, mestre em Meteorologia pelo Inpe e doutor em Recursos Naturais pela UFPB, com tese defendida em 2001 sobre a relação entre temperaturas oceânicas, sistemas atmosféricos e os reservatórios hídricos da Paraíba. Era uma pergunta que resumia sua vocação intelectual: entender o Nordeste pelos seus ciclos climáticos.

Na UFCG, orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como baixa pluviosidade, relação entre clima e dengue e impactos de eventos extremos. Em 2012, assumiu a coordenação administrativa da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas. Fora da universidade, tornou-se voz pública sobre fenômenos climáticos, defendendo que o enfrentamento à seca passava pela adaptação permanente — não pela ilusão de que ela desapareceria.

O velório está marcado para segunda-feira, 31 de agosto, às 18h, no Parque das Acácias, em João Pessoa. A cremação ocorre na terça-feira, 1º de setembro, às 9h. Sua morte deixa um vazio na pesquisa climática nordestina num momento em que as perguntas que ele dedicou a vida a responder se tornam cada vez mais urgentes.

Manoel Francisco Gomes Filho morreu na manhã de domingo, 30 de agosto, após um mês internado em hospital particular de João Pessoa. O professor aposentado da Universidade Federal de Campina Grande lutava contra um câncer que o levou ao fim. Sua morte marca o encerramento de uma trajetória que ajudou a dar forma à meteorologia brasileira, particularmente no Nordeste, onde suas pesquisas sobre clima, secas e oceanos moldaram gerações de cientistas.

Entre 1976 e 1979, Gomes Filho integrou-se ao grupo de meteorologia da UFCG em um período que os registros históricos da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas identificam como decisivo para a consolidação da área na universidade. Sua presença naquele momento inicial não foi periférica. Em 1980, participou da organização do 1º Congresso Brasileiro de Meteorologia, realizado em Campina Grande — um encontro que ganhou importância nacional e marcou a reativação da Sociedade Brasileira de Meteorologia. Esse congresso funcionou como um ponto de inflexão para a disciplina no país.

Sua formação refletia rigor e amplitude. Gomes Filho era bacharel em Física pela Universidade Católica de Pernambuco. Depois, cursou mestrado em Meteorologia no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe. Seu doutorado em Recursos Naturais veio pela Universidade Federal da Paraíba, defendido em 2001. A tese investigou como as temperaturas dos oceanos, os sistemas atmosféricos e as variações no volume dos principais reservatórios de água da Paraíba se relacionavam — uma pergunta que sintetizava suas preocupações intelectuais: entender o Nordeste através de seus ciclos climáticos.

Ao longo da carreira, suas pesquisas cobriram meteorologia dinâmica, oceanografia física, mudanças climáticas e meteorologia aplicada. Mas o que o distinguiu foi sua insistência em estudar problemas concretos da região — secas, comportamento das chuvas, reservatórios, eventos climáticos extremos, a influência dos oceanos Atlântico e Pacífico sobre o clima semiárido. Não era trabalho abstrato. Era trabalho sobre a vida das pessoas.

Na UFCG, além de lecionar, orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado. Seus orientandos investigaram baixa pluviosidade na Paraíba, a relação entre clima e dengue, eventos extremos e os impactos das variáveis meteorológicas sobre diferentes setores da sociedade. Em 2012, foi designado coordenador administrativo da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas, vinculada ao Centro de Tecnologia e Recursos Naturais, cargo que exerceu como professor associado em regime de dedicação exclusiva.

Fora da universidade, tornou-se voz recorrente para explicar fenômenos climáticos. Em entrevista ao Jornal da Paraíba durante um evento sobre convivência com a estiagem, defendeu que o enfrentamento à seca deveria passar pela adaptação permanente da população e por políticas públicas voltadas à convivência com as secas — não pela ilusão de que a seca desapareceria. Também ministrou palestras sobre aquecimento global e o aumento do nível do Oceano Atlântico em atividades de divulgação científica da UFCG. Ele entendia que conhecimento climático precisava sair dos laboratórios.

O velório será realizado na segunda-feira, 31 de agosto, a partir das 18h no Parque das Acácias, na Rua Luiz de Lima Freire, 200, bairro José Américo de Almeida, em João Pessoa. A cremação está marcada para terça-feira, 1º de setembro, às 9h. Sua morte deixa um vazio na pesquisa climática nordestina num momento em que compreender secas, chuvas e mudanças oceânicas é mais urgente do que nunca.

O enfrentamento ao problema deveria passar pela adaptação permanente da população e pela implantação de políticas públicas voltadas à convivência com as secas
— Manoel Francisco Gomes Filho, em entrevista ao Jornal da Paraíba durante evento sobre convivência com a estiagem
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Jornal da Paraíba ↗
Nous contacter FAQ