Joseph Safra era o homem mais rico do Brasil e 63º do mundo, com mais de R$ 1 trilhão sob gestão bancária em 25 países. Fundador do J. Safra, era conhecido pela discrição e conservadorismo, preferindo emprestar apenas para clientes de alta solidez financeira.
Morre Joseph Safra, banqueiro que construiu império com R$ 1 trilhão sob gestão
Um banqueiro que só empresta para quem não precisa de dinheiro
Como um banqueiro que operava com tanta discrição conseguiu construir um império de um trilhão de reais?
A discrição era justamente a estratégia. Enquanto outros bancos faziam barulho, Safra construía relacionamentos profundos com clientes de altíssimo patrimônio que valorizavam a solidez acima de tudo.
Mas precisamos ser claros: esse trilhão sob gestão não é patrimônio dele. É dinheiro de clientes. O patrimônio pessoal era 23,2 bilhões de dólares segundo Forbes.
E por que a família enfrentou tantas divisões? Primeiro Edmond é assassinado, depois Alberto sai do banco.
A morte de Edmond em 1999 criou uma briga pela herança que levou Joseph a fundar seu próprio banco paralelo. Com Alberto, foi desentendimento sobre gestão, mas a estrutura familiar conseguiu se reorganizar.
O que não sabemos é o tamanho exato dessa divisão. Sabemos que Alberto saiu e abriu sua própria gestora, mas não temos detalhes sobre quanto patrimônio estava em jogo ou quais eram os pontos de discórdia específicos.
Safra nunca pediu dinheiro ao governo, mesmo em crises. Como conseguiu isso?
Porque nunca tomou riscos que não conseguisse suportar. Emprestava apenas para quem não precisava de dinheiro. Era conservador demais para alguns, mas isso o blindou.
Verdade, mas também temos que reconhecer que estar perto do poder ajuda. O texto diz que "nos bastidores, o banqueiro sempre esteve perto do poder", mas não especifica como isso funcionava ou que tipo de acesso tinha.
E a sucessão? Os filhos estão preparados para continuar?
Jacob já comanda o internacional, David e Alberto dividiram o Brasil. O plano estava em andamento, embora tenha sido atrasado pela crise de 2008.
Mas o texto não diz se a sucessão foi completada ou se ainda estava em transição quando Safra morreu. Sabemos que David e Alberto dividiram até fim de 2019, mas não temos clareza sobre a estrutura atual.
Der Puls
- Joseph Safra morreu aos 82 anos em 10 de dezembro de 2020
- Patrimônio de US$ 23,2 bilhões, homem mais rico do Brasil e 63º do mundo
- Império bancário em 25 países com mais de R$ 1 trilhão sob gestão
- Banco fundado pelo pai Jacob em 1955; Joseph comandou por décadas
- Adquiriu banco suíço Sarasin em 2012 e Chiquita Brands por US$ 1,3 bilhão em 2014
Joseph Safra era o homem mais rico do Brasil e 63º do mundo, com mais de R$ 1 trilhão sob gestão bancária em 25 países. Fundador do J. Safra, era conhecido pela discrição e conservadorismo, preferindo emprestar apenas para clientes de alta solidez financeira.
Joseph Safra, banqueiro mais rico do Brasil com patrimônio de US$ 23,2 bilhões, faleceu aos 82 anos após sofrer com mal de Parkinson. Deixa legado de império bancário em 25 países e contribuições filantrópicas significativas.
Joseph Safra morreu na quinta-feira, 10 de dezembro, aos 82 anos, deixando para trás um império bancário que poucos brasileiros conheciam pelo nome, mas cujo alcance se estendia por 25 países e movimentava mais de um trilhão de reais. Segundo o ranking mais recente da revista Forbes, seu patrimônio pessoal era avaliado em 23,2 bilhões de dólares, o que o colocava como o homem mais rico do Brasil e 63º mais rico do mundo. O sepultamento ocorreu no mesmo dia, às 13 horas, no cemitério Butantã, na zona oeste de São Paulo, restrito a familiares e amigos próximos.
Nos últimos anos, Safra enfrentava o mal de Parkinson, a mesma doença que havia acometido dois de seus irmãos. Por isso, havia se mudado para a Suíça, onde vivia ao lado de sua mulher Vicky e seus quatro filhos. Apesar da debilitação progressiva, mantinha-se envolvido nas operações diárias do negócio. Entre os funcionários, era conhecido simplesmente como "seu José". Durante décadas, comandou o banco que seu pai havia fundado em 1955, construindo uma reputação de conservadorismo tão rigoroso que um concorrente o descreveu certa vez ao Financial Times como um banqueiro que só emprestava dinheiro para quem não precisava dele. Essa característica o tornou preferido entre os milionários que buscavam instituições financeiras blindadas contra riscos.
A filosofia de negócios que Safra implementou deixou marcas profundas na marca Safra. O banco tornou-se sinônimo de solidez e estabilidade, nunca precisando de resgate governamental mesmo durante as maiores crises financeiras. Ao mesmo tempo, essa mesma cautela fez com que o grupo demorasse mais do que seus concorrentes para abraçar inovações de mercado. Enquanto expandia suas operações internacionais, Safra também dedicava recursos significativos à filantropia. Foi um dos maiores doadores dos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, em São Paulo. À Pinacoteca do Estado, doou esculturas de Rodin. Ao Museu de Israel em Jerusalém, presenteou o manuscrito original da Teoria da Relatividade de Albert Einstein. Durante a pandemia de covid-19, seu banco doou aproximadamente 40 milhões de reais para hospitais e Santas Casas.
A história da família Safra remonta a gerações de banqueiros sírios que começaram financiando o comércio entre Aleppo, Constantinopla e Alexandria. Jacob, pai de Joseph, mudou-se para o Líbano após a Primeira Guerra Mundial e fundou o Jacob Maison de Banque em Beirute, onde Joseph nasceu em 1938. A migração para o Brasil na década de 1950 foi motivada pela perseguição aos judeus no Oriente Médio após a criação do Estado de Israel. Joseph contou que seu pai acreditava que uma terceira guerra mundial não demoraria a começar e buscava um refúgio seguro para a família. Antes de se juntar aos pais e irmãos em São Paulo, Joseph completou seus estudos na Inglaterra e trabalhou no Bank of America nos Estados Unidos. Seu irmão mais velho, Edmond, assumiu os negócios da família no exterior, enquanto Moise e Joseph ajudavam Jacob no Brasil.
Em 1999, Edmond foi assassinado em seu apartamento em Mônaco durante um incêndio criminoso provocado por um de seus enfermeiros, desencadeando uma disputa familiar pela herança. Quando Moise recusou-se a vender sua participação no banco, Joseph fundou o J. Safra com as mesmas características e clientela, operando em paralelo até que os dois irmãos chegassem a um acordo em 2006. Perto de completar 70 anos, Joseph iniciou seu plano de sucessão, preparando seus filhos Jacob, Alberto e David para assumir o comando. Sua filha Esther trabalhou brevemente no banco antes de se dedicar à direção da escola judaica Beit Yaacov em São Paulo. A transição de poder foi adiada pela crise financeira global, mas continuou em andamento.
Nos anos seguintes à crise de 2008, com a discrição que o caracterizava, Safra surpreendeu o mercado com grandes movimentos. Em 2012, adquiriu o banco suíço Sarasin, dobrando o volume de recursos sob administração. Dois anos depois, em parceria com o empresário brasileiro José Luís Cutrale, venceu a disputa pela Chiquita Brands International, uma das maiores produtoras de bananas do mundo, por 1,3 bilhão de dólares. O conglomerado Safra hoje inclui bancos na Suíça, Brasil e Nova York, além de mais de 200 imóveis espalhados pelo mundo, entre eles o famoso Gherkin Building em Londres. Jacob, seu filho mais velho, comanda as operações internacionais. No Brasil, David e Alberto dividiram a gestão do banco por seis anos até o final de 2019, quando Alberto deixou a instituição por desentendimentos com o irmão e fundou a gestora de recursos ASA Investments.
Bemerkenswerte Zitate
Um banqueiro que só empresta para quem não precisa de dinheiro— Concorrente de Safra, citado ao Financial Times
Seu pai migrou com a família buscando um refúgio, porque acreditava que a terceira guerra não demoraria a começar— Joseph Safra, sobre a mudança da família para o Brasil