No silêncio das profundezas do Golfo do México, estruturas de coral erguidas ao longo de centenas de milhares de anos guardam um segredo climático de escala planetária. Uma equipa internacional de investigadores quantificou, pela primeira vez com esta precisão, que os montes submarinos da Província de Campeche retêm cerca de 18,5 milhões de toneladas de carbono — acumuladas durante 250 mil anos a ritmos muito superiores aos dos sedimentos vizinhos. A descoberta convida-nos a repensar onde o planeta esconde o carbono que regula o seu próprio clima, e porque razão os oceanos profundos merecem a
Montes de coral de águas frias armazenam 18,5 milhões de toneladas de carbono
Reservatórios naturais onde o carbono permanece retido durante milhões de anos
Por que é que estes montes de coral no fundo do oceano armazenam tanto mais carbono do que os sedimentos à sua volta?
A estrutura física dos recifes cria um ambiente onde o carbono se acumula e fica retido. Os corais de águas frias crescem muito lentamente, ao longo de centenas de milhares de anos, e essa construção lenta permite que o carbono orgânico e inorgânico se deposite e permaneça ali, protegido.
E durante quanto tempo fica realmente armazenado?
Milhões de anos. É por isso que isto é tão importante para o clima. Não estamos a falar de armazenamento temporário — estamos a falar de retirada de carbono da circulação ativa durante escalas de tempo geológicas.
Mas se estes habitats são tão importantes, porque é que foram ignorados até agora?
Porque ficam a milhares de metros de profundidade. É difícil estudá-los, é caro, e durante muito tempo a atenção focou-se nos ecossistemas costeiros que conseguíamos ver e medir mais facilmente. Os oceanos profundos permaneceram uma fronteira pouco explorada.
O que muda agora que sabemos isto?
Muda a forma como pensamos sobre proteger o oceano. Se estes habitats são reservatórios de carbono de longo prazo, então a sua destruição não é apenas uma perda de biodiversidade — é uma libertação de carbono armazenado durante milhões de anos.
Como é que os investigadores conseguiram medir algo tão profundo e tão antigo?
Combinaram testemunhos de sedimentos — pequenas amostras do fundo marinho — com cartografia de alta resolução. Depois usaram trabalho anterior que já tinha estabelecido a cronologia destes sedimentos. Juntando tudo, conseguiram reconstruir 250 mil anos de história.
E os 18,5 milhões de toneladas — é muito?
Para colocar em perspetiva: é carbono que ficará retido durante milhões de anos. Numa altura em que estamos a tentar reduzir carbono na atmosfera, descobrir que o oceano profundo já está a fazer esse trabalho há milhões de anos muda a forma como pensamos sobre o ciclo global do carbono.
O Pulso
- Durante décadas, a ciência ignorou os oceanos profundos no mapeamento do carbono azul, concentrando-se em mangais e pradarias marinhas enquanto os recifes de águas frias permaneciam uma incógnita.
- A quantificação de 18,5 milhões de toneladas de carbono retidas nos montes de Campeche revela uma capacidade de armazenamento entre três a nove vezes superior à dos sedimentos circundantes — um desequilíbrio que obriga a rever modelos climáticos globais.
- A investigadora portuguesa Lélia Matos, do Centro de Ciências do Mar do Algarve, forneceu a base cronológica e paleoceanográfica sem a qual esta avaliação abrangente não teria sido possível.
- Combinando testemunhos de sedimentos e cartografia batimétrica de alta resolução, a equipa reconstruiu 250 mil anos de história climática submarina com uma precisão inédita.
- Os resultados chegam num momento em que estes habitats permanecem vulneráveis e pouco protegidos, tornando urgente a sua salvaguarda antes de compreendermos sequer a totalidade do seu papel no equilíbrio do planeta.
No silêncio das profundezas do Golfo do México, estruturas de coral erguidas ao longo de centenas de milhares de anos guardam um segredo climático de escala planetária. Uma equipa internacional de investigadores quantificou, pela primeira vez com esta precisão, que os montes submarinos da Província de Campeche retêm cerca de 18,5 milhões de toneladas de carbono — acumuladas durante 250 mil anos a ritmos muito superiores aos dos sedimentos vizinhos. A descoberta convida-nos a repensar onde o planeta esconde o carbono que regula o seu próprio clima, e porque razão os oceanos profundos merecem a mesma atenção que os habitats costeiros que há muito dominam o debate científico.
No fundo do Golfo do México, a milhares de metros de profundidade, montes de coral construídos ao longo de centenas de milhares de anos funcionam como câmaras naturais de armazenamento de carbono. Uma equipa internacional acaba de quantificar o que ali estava guardado: aproximadamente 18,5 milhões de toneladas de carbono, retidas nos montes submarinos da Província de Campeche. O estudo, publicado na revista Coral Reefs, contou com a participação do Centro de Ciências do Mar do Algarve, através da investigadora Lélia Matos, cujo trabalho anterior forneceu a base científica para esta avaliação mais abrangente.
O achado é significativo porque expõe uma lacuna no conhecimento climático. A atenção científica concentrou-se historicamente nos habitats costeiros de carbono azul — mangais, pradarias marinhas, sapais — enquanto o contributo dos oceanos profundos permanecia largamente desconhecido. Compreender onde o carbono é armazenado é essencial para melhorar os modelos climáticos e entender como o planeta regula o seu próprio equilíbrio.
Para chegar aos resultados, os investigadores combinaram análises de testemunhos de sedimentos com cartografia batimétrica de alta resolução, reconstruindo 250 mil anos de acumulação de carbono. Os números revelaram-se surpreendentes: as taxas de acumulação nos montes de coral eram entre três e nove vezes superiores às dos sedimentos do fundo marinho circundante. Extrapolados para toda a área cartografada, esses dados conduziram ao valor de 18,5 milhões de toneladas.
Este armazenamento não é passageiro. A estrutura física dos recifes, erguida lentamente por organismos vivos, cria condições ideais para que o carbono orgânico e inorgânico seja capturado e preservado durante milhões de anos. Os resultados reforçam a importância de proteger estes habitats vulneráveis e ainda pouco explorados, e demonstram o valor da colaboração científica internacional na compreensão do papel dos ecossistemas marinhos profundos na regulação climática do planeta.
No fundo do Golfo do México, a milhares de metros de profundidade, estruturas de coral construídas ao longo de centenas de milhares de anos funcionam como câmaras de armazenamento de carbono. Uma equipa internacional de investigadores acaba de quantificar o que estava ali guardado: aproximadamente 18,5 milhões de toneladas de carbono, retidas durante milhões de anos nos montes submarinos da Província de Campeche. O trabalho, publicado na revista Coral Reefs, inclui a participação do Centro de Ciências do Mar do Algarve, através da investigadora Lélia Matos, cujas pesquisas anteriores forneceram a base científica para esta avaliação mais abrangente.
O que torna este achado significativo é o que revela sobre o papel dos ecossistemas de águas profundas no ciclo global do carbono. Até agora, a atenção científica concentrou-se principalmente nos habitats costeiros de carbono azul — as pradarias marinhas, os mangais, os sapais — enquanto o contributo dos oceanos profundos permanecia largamente desconhecido. Compreender onde e como o carbono é armazenado é essencial para melhorar os modelos climáticos e aprofundar o conhecimento sobre como o planeta regula o seu próprio clima.
Os investigadores combinaram duas abordagens complementares: análises detalhadas de testemunhos de sedimentos recolhidos do fundo marinho e cartografia batimétrica de alta resolução. Isto permitiu-lhes reconstruir aproximadamente 250 mil anos de acumulação de carbono em toda a província de montes de coral. Os números que emergiram desta análise foram reveladores. As taxas de acumulação de carbono nos montes de coral eram entre três e nove vezes superiores às registadas nos sedimentos do fundo marinho circundante. Quando extrapolaram estes dados para toda a área cartografada, chegaram ao valor de 18,5 milhões de toneladas.
Este armazenamento não é um fenómeno passageiro. Os montes de coral funcionam como reservatórios naturais onde o carbono orgânico e inorgânico se acumulam e permanecem retidos durante milhões de anos. A estrutura física destes recifes, construída lentamente por organismos vivos, cria as condições ideais para que o carbono seja capturado e preservado. O trabalho anterior realizado na Província de Campeche — incluindo cronologia de sedimentos e reconstruções paleoceanográficas — foi determinante para estabelecer o enquadramento temporal necessário para quantificar com precisão esta acumulação ao longo dos últimos 250 mil anos.
Os resultados sugerem que os recifes de coral de águas frias podem desempenhar um papel muito mais relevante no ciclo global do carbono do que se acreditava anteriormente. Isto reforça a importância de continuar a investigar estes habitats, que permanecem vulneráveis e ainda pouco explorados. A descoberta também demonstra o valor da colaboração científica internacional e da integração de conhecimento acumulado ao longo de vários anos — uma abordagem que se revelou essencial para compreender o funcionamento dos ecossistemas marinhos e o seu papel na regulação climática do planeta.
Citações Notáveis
Os recifes de coral de águas frias podem desempenhar um papel mais relevante no ciclo global do carbono do que se pensava anteriormente— Estudo publicado em Coral Reefs