Em meio a negociações frágeis e condenações internacionais, o ministro israelense Itamar Ben-Gvir declarou publicamente que Gaza deveria ser palco de dezenas de assassinatos seletivos por noite, com assentamentos judaicos cobrindo todo o território. Suas palavras — que negam a humanidade dos palestinos e rejeitam qualquer saída que não seja a morte — revelam uma fissura profunda dentro do próprio governo israelense, onde a lógica da guerra absoluta disputa espaço com tentativas diplomáticas ainda vacilantes. É um momento em que a linguagem do extermínio encontra microfone oficial, e o silêncio
Ministro israelense defende genocídio e propõe 40 assassinatos noturnos em Gaza
Há pessoas ali que não merecem viver. Elas nem sequer são pessoas.
Por que um ministro de um governo faria declarações tão extremas em público, sabendo que seriam amplamente reportadas?
Porque Ben-Gvir não estava falando para convencer o mundo. Ele estava falando para sua base política e para Netanyahu. Essas declarações são um sinal de que ele discorda da direção que o governo está tomando — a redução das operações militares.
Então é uma disputa interna disfarçada de política externa?
Exatamente. Netanyahu está tentando negociar com Trump. Ben-Gvir está dizendo: isso é fraqueza. Eu tenho uma visão diferente. E ele está usando a entrevista para deixar isso claro.
A linguagem que ele usa — "nem sequer são pessoas" — isso é retórica comum em conflitos, ou representa algo diferente aqui?
Representa uma negação da humanidade que vai além da retórica de guerra típica. Ele não está dizendo que são inimigos. Está dizendo que não são pessoas. Isso abre espaço para qualquer coisa.
E a proposta de assentamentos? Isso é viável politicamente?
Viável é uma palavra complicada. Tecnicamente, Ben-Gvir tem poder dentro do governo. Mas a reação internacional — oito países condenando Netanyahu — mostra que há limites. O que Ben-Gvir está fazendo é testar esses limites.
O que acontece quando um ministro de um governo democrático defende genocídio abertamente?
Essa é a pergunta que o mundo está fazendo agora. Normalmente, haveria consequências políticas ou legais. Mas Ben-Gvir continua no cargo. Isso diz algo sobre o estado das instituições e sobre quem tem poder real naquele governo.
El Pulso
- Ben-Gvir propôs 30 a 40 assassinatos seletivos por noite em Gaza, incluindo pessoas que ele próprio admite não representarem ameaça imediata — e declarou que certos palestinos 'nem sequer são pessoas'.
- O ministro defende a ocupação permanente de Gaza com assentamentos judaicos em todo o território, revertendo décadas de política e ignorando o direito internacional.
- Suas declarações entram em rota de colisão direta com Netanyahu, que ordenou redução das operações militares como parte de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos.
- Oito países — entre eles aliados regionais de Israel como Egito, Jordânia e Emirados — emitiram condenação conjunta à posição israelense, enquanto enviados de Trump tentavam avançar nas negociações no Cairo.
- O discurso de Ben-Gvir não é apenas retórica interna: representa uma visão política articulada que combina assassinatos em massa, colonização e negação de direitos humanitários à população civil de Gaza.
Em meio a negociações frágeis e condenações internacionais, o ministro israelense Itamar Ben-Gvir declarou publicamente que Gaza deveria ser palco de dezenas de assassinatos seletivos por noite, com assentamentos judaicos cobrindo todo o território. Suas palavras — que negam a humanidade dos palestinos e rejeitam qualquer saída que não seja a morte — revelam uma fissura profunda dentro do próprio governo israelense, onde a lógica da guerra absoluta disputa espaço com tentativas diplomáticas ainda vacilantes. É um momento em que a linguagem do extermínio encontra microfone oficial, e o silêncio do mundo pesa tanto quanto as palavras proferidas.
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, concedeu uma entrevista a um podcast na qual propôs que Israel realizasse entre 30 e 40 assassinatos seletivos por noite na Faixa de Gaza — e foi além de qualquer justificativa tática ao afirmar que os ataques deveriam alcançar pessoas que ele mesmo não considerava ameaças imediatas. Sua linguagem foi ainda mais longe: "Há pessoas ali que não merecem viver. Elas nem sequer são pessoas."
O ministro também delineou uma visão territorial de longo prazo: ocupação permanente de Gaza e construção de assentamentos judaicos em todo o território, não apenas na antiga região de Gush Katif. Para os palestinos classificados por ele como terroristas, a única saída seria a morte sistemática — a emigração, nesse caso, estaria fora de questão.
As declarações chegam em momento de tensão interna no governo israelense. Netanyahu havia ordenado uma redução nas operações militares como parte das negociações em torno do plano de paz proposto por Donald Trump, decisão com a qual Ben-Gvir discordava abertamente. Enquanto isso, enviados americanos se reuniam no Egito com mediadores para tentar destravar as negociações.
A repercussão internacional foi imediata: oito países — Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão — emitiram condenação conjunta à posição israelense. O contraste entre o discurso de Ben-Gvir e os esforços diplomáticos em curso não poderia ser mais nítido: de um lado, a busca por uma solução negociada; do outro, uma voz ministerial que articula assassinatos em massa, colonização e a negação sistemática de direitos humanitários à população civil de Gaza.
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, declarou em entrevista a um podcast que o país deveria executar entre 30 e 40 assassinatos seletivos todas as noites na Faixa de Gaza. A afirmação, feita ao apresentador Rom Braslavski e reportada pelo Financial Times, não se limitava a uma proposta tática. Ben-Gvir foi além, defendendo que os ataques alcançassem pessoas que ele não considerava ameaças imediatas, e usou linguagem que negava a humanidade dos palestinos: "Há pessoas ali que não merecem viver. Elas nem sequer são pessoas."
O ministro também articulou uma visão de longo prazo para o território. Ele propôs que Israel ocupasse Gaza permanentemente e construísse assentamentos judaicos em toda a região, não apenas na área conhecida como Gush Katif, que havia abrigado colônias israelenses até seu desmantelamento em 2005. "Imagino assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza, além do incentivo à emigração — quanto mais, melhor", afirmou. Para os palestinos que ele classificava como terroristas, Ben-Gvir rejeitava qualquer possibilidade de saída: deveriam ser mortos sistematicamente, um a um.
Essas declarações chegam em um momento de tensão dentro do governo israelense. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro, havia ordenado uma redução nas operações militares em Gaza como parte de negociações para implementar um plano de paz proposto pelo presidente americano Donald Trump. Ben-Gvir discordava publicamente dessa decisão, sinalizando que considerava as operações insuficientes.
A rejeição do plano de paz por Netanyahu gerou condenação internacional. No domingo anterior à entrevista, oito países — Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão — emitiram declarações conjuntas criticando a posição do governo israelense. Enviados de Trump também estavam no Egito naquele período, reunindo-se com mediadores para tentar avançar nas negociações.
As propostas de Ben-Gvir representam uma escalada retórica e política dentro de Israel. Elas contrastam não apenas com os esforços diplomáticos americanos, mas também com as posições de aliados regionais que buscavam uma solução negociada. O ministro não apenas defendia operações militares mais intensas, mas articulava uma visão que combinava assassinatos em massa, colonização territorial e a negação de direitos humanitários básicos à população palestina em Gaza.
Citas Notables
Deveríamos realizar de 30 a 40 assassinatos seletivos por noite— Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel
Imagino assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza, além do incentivo à emigração— Itamar Ben-Gvir