Em um podcast transmitido ao público israelense, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir defendeu a execução sistemática de 30 a 40 palestinos por noite em Gaza, negando-lhes a condição de seres humanos — uma linguagem que ecoa os piores capítulos da história moderna e que já foi apresentada como evidência de intenção genocida perante a Corte Internacional de Justiça. Ben-Gvir, que controla a polícia e o sistema penitenciário israelense, também propôs a expulsão em massa dos palestinos e a reinstalação de assentamentos em toda a Faixa de Gaza. Suas declarações revelam a profunda fratu
Ministro israelense defende assassinatos direcionados de 30 a 40 palestinos por noite em Gaza
Há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas nem sequer são pessoas.
Por que as declarações de Ben-Gvir importam agora, especificamente? Não é apenas um político falando?
Porque ele não é um comentarista. Controla a polícia nacional e o sistema penitenciário de Israel. Quando ele fala sobre reduzir rações alimentares de prisioneiros palestinos, isso já aconteceu — a Suprema Corte teve que intervir.
E quanto à linguagem que ele usa — "nem sequer são pessoas"? Isso é retórica ou indica algo mais?
Essas mesmas frases já foram apresentadas à Corte Internacional de Justiça como evidência em discussões sobre genocídio. Não é isolado. É um padrão documentado.
Ele tem poder para ordenar ataques aéreos?
Não formalmente. Mas influencia quem tem. E controla áreas cruciais da segurança. A questão é: qual é o alcance real de sua influência quando Netanyahu está no poder?
A redução de ataques recentemente — isso vem de Trump?
Aparentemente. Netanyahu rejeitou a última tentativa de negociação de Trump, mas os ataques diminuíram mesmo assim. Ben-Gvir está reagindo a isso, criticando a redução. Ele quer mais, não menos.
E a proposta dele sobre Gaza — assentamentos em toda a faixa, expulsão em massa — isso é viável?
Israel já controla 60 a 70% de Gaza. A questão não é se é viável tecnicamente, mas se há vontade política e internacional para isso. As declarações dele testam os limites.
Qual é o risco real aqui?
Que essas ideias deixem de ser fringe e se tornem política oficial. Já estão sendo documentadas internacionalmente como evidência. O próximo passo é se tornam ação.
O Pulso
- Ben-Gvir afirmou publicamente que palestinos em Gaza 'não são pessoas' e deveriam ser mortos sistematicamente, entre 30 e 40 por noite, em assassinatos direcionados.
- Declarações com linguagem semelhante já foram levadas à Corte Internacional de Justiça como evidências de intenção genocida — o que torna estas palavras juridicamente e moralmente explosivas.
- Mais de 1.250 palestinos foram mortos desde outubro de 2025, enquanto milhares de detidos sob gestão de Ben-Gvir enfrentam rações alimentares reduzidas, conforme constatou a própria Suprema Corte israelense.
- A recente redução dos ataques aéreos — aparente concessão a Trump após impasse nas negociações — provocou reação furiosa de Ben-Gvir e da ala radical do governo.
- Israel já controla entre 60% e 70% de Gaza, e Ben-Gvir defende a retomada de assentamentos em todo o território, tornando qualquer retirada politicamente improvável enquanto ele permanecer no poder.
Em um podcast transmitido ao público israelense, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir defendeu a execução sistemática de 30 a 40 palestinos por noite em Gaza, negando-lhes a condição de seres humanos — uma linguagem que ecoa os piores capítulos da história moderna e que já foi apresentada como evidência de intenção genocida perante a Corte Internacional de Justiça. Ben-Gvir, que controla a polícia e o sistema penitenciário israelense, também propôs a expulsão em massa dos palestinos e a reinstalação de assentamentos em toda a Faixa de Gaza. Suas declarações revelam a profunda fratura dentro do governo Netanyahu entre os que buscam alguma saída diplomática e os que rejeitam qualquer recuo.
Em um podcast com o ex-refém israelense Rom Braslavski, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir defendeu a execução sistemática de palestinos em Gaza — entre 30 e 40 pessoas por noite. Líder do partido de extrema direita Otzma Yehudit e integrante do gabinete de Netanyahu, Ben-Gvir criticou a recente redução dos ataques aéreos israelenses e argumentou que a intensidade deveria ser mantida ou ampliada.
Mas o ministro foi além da estratégia militar. Afirmou que os alvos não precisariam se restringir a combatentes: 'Há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas nem sequer são pessoas.' Essa linguagem de desumanização já foi apresentada à Corte Internacional de Justiça como evidência em discussões sobre alegações de intenção genocida contra os palestinos.
Ben-Gvir controla a polícia nacional e o sistema penitenciário israelense, onde milhares de palestinos de Gaza e da Cisjordânia estão detidos. Em 2025, a Suprema Corte de Israel concluiu que o serviço penitenciário sob sua gestão privava prisioneiros palestinos do mínimo alimentar necessário — algo de que o próprio ministro havia se gabado anteriormente.
O contexto é tenso: mais de 1.250 palestinos foram mortos desde outubro de 2025, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A recente redução dos ataques foi lida como concessão ao presidente Trump, após Netanyahu rejeitar a mais recente proposta americana de avanço nas negociações. A imprensa israelense noticiou que a autorização para ataques passou a ser centralizada no chefe do Estado-Maior, o que irritou parlamentares de direita, incluindo Ben-Gvir.
Na mesma entrevista, o ministro defendeu a emigração em massa dos palestinos e a instalação de assentamentos israelenses em toda a Faixa de Gaza. 'Vejo toda Gaza como nossa', declarou. Para os membros do Hamas, sua proposta era diferente: 'Nenhuma emigração, nada, apenas matá-los um por um.' Israel já controla entre 60% e 70% do território, e as declarações de Ben-Gvir sinalizam resistência interna significativa a qualquer retirada futura.
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, defendeu em um podcast a execução sistemática de palestinos em Gaza — entre 30 e 40 pessoas todas as noites através de assassinatos direcionados. A declaração, feita ao ex-refém israelense Rom Braslavski, não foi uma observação casual. Ben-Gvir, integrante do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e líder do partido de extrema direita Otzma Yehudit, criticou explicitamente a redução recente dos ataques aéreos israelenses, sugerindo que a intensidade deveria ser mantida ou aumentada.
Mas Ben-Gvir foi além da questão tática. Defendeu que os alvos não precisariam se limitar a combatentes ou ameaças imediatas. "Há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas não deveriam viver. Elas nem sequer são pessoas", declarou. Essa linguagem — a negação da humanidade de um grupo inteiro — não é nova em suas falas. Declarações semelhantes já foram feitas anteriormente por Ben-Gvir e outros membros do governo israelense, e algumas delas foram apresentadas à Corte Internacional de Justiça como evidências em discussões sobre alegações de intenção genocida contra os palestinos.
Ben-Gvir ocupa seu cargo desde 2022 como parte de um acordo de coalizão entre seu partido e o Likud de Netanyahu. Embora não tenha autoridade formal para ordenar ataques aéreos contra Gaza, tornou-se uma das figuras mais influentes da extrema direita israelense. Controla áreas críticas do aparato de segurança do país — a polícia nacional e o sistema penitenciário — onde milhares de palestinos de Gaza e da Cisjordânia estão detidos. Em 2025, a Suprema Corte de Israel determinou que o serviço penitenciário sob sua gestão estava privando palestinos do mínimo necessário para uma alimentação de subsistência. Ben-Gvir havia se gabado anteriormente de reduzir as rações alimentares oferecidas aos prisioneiros.
O contexto imediato de suas declarações é relevante. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, os ataques israelenses mataram mais de 1.250 pessoas desde a entrada em vigor de um acordo de trégua em outubro. O Exército israelense afirma que suas operações têm como alvo integrantes do Hamas. Nos últimos dias, porém, os ataques foram reduzidos — uma aparente concessão ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que Netanyahu rejeitou a mais recente tentativa do governo americano de avançar nas negociações. A imprensa israelense informou que a autorização para realizar ataques passou a ficar concentrada nas mãos do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, provocando reação de parlamentares de direita, entre eles Ben-Gvir.
Durante a mesma entrevista, Ben-Gvir também defendeu a emigração em massa dos palestinos de Gaza e a instalação de assentamentos israelenses no território. "Vejo toda Gaza como nossa", afirmou. Propôs a retomada dos assentamentos não apenas na região de Gush Katif — onde Israel havia desmontado 21 assentamentos judaicos há 20 anos — mas em toda a Faixa de Gaza, enquanto incentivava "o máximo possível" de emigração de palestinos. Para os integrantes do Hamas, sua proposta era diferente: "Para os terroristas, nenhuma emigração, nada, apenas matá-los um por um".
Israel atualmente controla entre 60% e 70% da Faixa de Gaza, após estabelecer a chamada "linha amarela" e avançar além de uma fronteira prevista no acordo de cessar-fogo. A proposta mais recente de Trump prevê que o Hamas entregue gradualmente suas armas enquanto Israel interrompe os ataques e inicia a retirada de suas forças. As declarações de Ben-Gvir sugerem que essa retirada enfrenta resistência significativa dentro do governo israelense, particularmente de seus setores mais radicais.
Citações Notáveis
Vejo toda Gaza como nossa— Itamar Ben-Gvir, defendendo retomada de assentamentos em toda a Faixa de Gaza
Acho que assassinatos direcionados deveriam ser realizados em Gaza, eliminando 30 a 40 todas as noites— Itamar Ben-Gvir, em podcast com Rom Braslavski