Na véspera de um segundo turno que se anuncia como um dos mais disputados da história recente do Brasil, milhares de estudantes desceram às ruas de Curitiba para afirmar que a democracia não é um valor abstrato, mas uma causa que se defende com o corpo e a voz. O ato, que percorreu espaços carregados de memória política na capital paranaense, revelou uma geração que lê a Constituição como escudo e o voto como ato de resistência. Em um país onde a diferença entre os candidatos cabe dentro da margem de erro, gestos coletivos como esse lembram que eleições também se decidem nas ruas.
Milhares de estudantes saem às ruas em Curitiba em apoio a Lula
Milhares nas ruas, chuva dispersando, mas um grupo menor seguiu no ato
Por que estudantes em Curitiba saíram às ruas justamente nessa semana?
O segundo turno estava a dez dias de distância e a pesquisa mostrava uma disputa muito apertada. Os estudantes queriam fazer pressão pelo voto em Lula e contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Mas a pesquisa mostrava Bolsonaro na frente, não? Com 52% contra 48%?
Sim, mas dentro da margem de erro. Tecnicamente empatados. Os estudantes viam risco real de uma vitória da oposição.
E o que exatamente pediam além de apoiar Lula?
Pediam fim da escala 6x1, defesa da CLT, proteção contra privatizações. Não era só sobre a eleição presidencial.
Quantas pessoas foram? A reportagem diz "milhares", mas não dá número exato.
É verdade. Sabemos que começou na praça Santos Andrade por volta das 18 horas e seguiu até a Boca Maldita. Choveu e dispersou muita gente por volta das 21 horas.
Por que mencionaram Daniel Vorcaro e o Banco Master?
Tentavam conectar Flávio Bolsonaro a questões de corrupção. Vorcaro é ex-banqueiro preso, e havia relação entre ele e Bolsonaro que queriam expor.
Mas a reportagem não detalha qual era exatamente essa relação. Apenas menciona que ela existe.
Correto. O foco era mais na mensagem geral contra o que chamavam de fascismo.
E isso funcionou? Mudou o resultado?
Não sabemos. A reportagem é do dia do ato. O segundo turno seria dez dias depois. Essa matéria não nos diz o que aconteceu depois.
Der Puls
- Com Flávio Bolsonaro à frente nas pesquisas e Sergio Moro recém-eleito governador, estudantes sentiram urgência em ocupar as ruas antes que o silêncio falasse por eles.
- Milhares marcharam pela avenida 15 de Novembro carregando a Constituição, faixas contra o fascismo e cartazes que misturavam memória da ditadura com demandas trabalhistas do presente.
- A chuva dispersou parte dos manifestantes às 21 horas, mas um núcleo resistiu, sinalizando que a mobilização era convicção, não apenas impulso.
- O ato em Curitiba integrou uma onda maior: no dia anterior, organizações estudantis já haviam tomado o Rio de Janeiro em defesa da reeleição de Lula.
- Com o segundo turno marcado para 25 de outubro e os candidatos em empate técnico no limite da margem de erro, cada manifestação pode ser o peso que inclina a balança.
Na véspera de um segundo turno que se anuncia como um dos mais disputados da história recente do Brasil, milhares de estudantes desceram às ruas de Curitiba para afirmar que a democracia não é um valor abstrato, mas uma causa que se defende com o corpo e a voz. O ato, que percorreu espaços carregados de memória política na capital paranaense, revelou uma geração que lê a Constituição como escudo e o voto como ato de resistência. Em um país onde a diferença entre os candidatos cabe dentro da margem de erro, gestos coletivos como esse lembram que eleições também se decidem nas ruas.
Na noite de 8 de outubro, milhares de estudantes ocuparam a praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, e marcharam pelo calçadão da avenida 15 de Novembro até a Boca Maldita em apoio à reeleição do presidente Lula. O movimento reuniu cartazes com mensagens sobre democracia, direitos trabalhistas e rejeição ao fascismo. Um grupo portava cópias da Constituição Federal e evocava a frase histórica de Ulysses Guimarães ao promulgá-la em 1988. Uma grande bandeira da UFPR declarava oposição ao fascismo, e faixas contra privatizações circulavam entre os participantes.
O protesto não se restringia ao apoio a Lula. Os estudantes também direcionavam críticas a Sergio Moro, eleito governador do Paraná no primeiro turno, e a Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno. Alguns manifestantes buscavam conectar o nome de Bolsonaro ao de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso, trazendo questões de integridade política para o centro do debate eleitoral.
A chuva começou a dispersar os manifestantes por volta das 21 horas, mas um grupo menor permaneceu. O ato paranaense não estava isolado: na quarta-feira anterior, organizações estudantis haviam promovido manifestação semelhante no Rio de Janeiro.
O pano de fundo era de disputa acirrada. Pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia mostrava Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula — empate técnico no limite extremo da margem de erro de dois pontos percentuais. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, mobilizações como a de Curitiba ganhavam peso estratégico nos dias finais de campanha.
Na noite de quinta-feira, 8 de outubro, milhares de estudantes tomaram as ruas de Curitiba para expressar apoio à reeleição do presidente Lula. O movimento começou por volta das 18 horas na praça Santos Andrade, no centro da capital paranaense, e seguiu em marcha pelo calçadão da avenida 15 de Novembro até a Boca Maldita, um espaço historicamente associado a mobilizações políticas na cidade.
Os manifestantes carregavam cartazes com mensagens que refletiam suas preocupações imediatas e históricas. Alguns exibiam frases como "Juntos pela Democracia" e "Voto nulo não impede ditadura", enquanto outros levantavam demandas trabalhistas, pedindo o fim da escala 6x1 e defendendo direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. Um grupo de estudantes portava cópias da Constituição Federal e repetia a célebre frase pronunciada por Ulysses Guimarães ao promulgá-la em 1988: "Temos ódio e nojo da ditadura". Uma grande bandeira vermelha trazia a inscrição "UFPR contra o fascismo", enquanto faixas contra privatizações circulavam entre os participantes.
O ato não se limitava a apoiar Lula. Os estudantes também protestavam contra Sergio Moro, eleito governador do Paraná no primeiro turno no domingo anterior, e contra Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno. Alguns manifestantes mencionavam a relação entre Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master que se encontra preso, buscando conectar questões de corrupção e integridade política ao debate eleitoral.
A chuva começou a dispersar parte dos manifestantes por volta das 21 horas, levando muitos a deixar o local. Um grupo menor, porém, permaneceu no ato. O movimento em Curitiba não era isolado: na quarta-feira anterior, organizações estudantis também haviam promovido manifestação semelhante no Rio de Janeiro em apoio ao presidente.
O contexto político em que ocorria essa mobilização era de acirramento da disputa presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia do ato mostrava Flávio Bolsonaro com 52% das intenções de voto válido, contra 48% de Lula. Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos, os candidatos encontravam-se em empate técnico no limite extremo dessa margem, situação considerada estatisticamente improvável. Quando considerados votos totais, incluindo brancos e nulos, Bolsonaro registrava 49% enquanto Lula obtinha 45%. A pesquisa, encomendada pela Folha de S.Paulo e TV Globo, entrevistou 2.520 eleitores em 153 municípios e foi registrada com o código BR-02949/2026 na Justiça Eleitoral.
O segundo turno estava marcado para 25 de outubro, dez dias após a manifestação de Curitiba. Os números da pesquisa sugeriam uma disputa extremamente competitiva, onde mobilizações como a dos estudantes paranaenses poderiam ter peso significativo nos últimos dias de campanha.
Bemerkenswerte Zitate
Temos ódio e nojo da ditadura— Frase histórica de Ulysses Guimarães, repetida por estudantes durante o ato