Microsoft gera impacto económico de 4,9 mil milhões em Portugal, equivalente a 2,4% do PIB

Por cada euro investido, ganham 8,80 euros em retorno
O estudo da EY revela o retorno sobre investimento em soluções Microsoft em Portugal.
Mark

Como é que a EY chegou a estes números de 4,9 mil milhões? Parece um valor muito preciso para algo tão difícil de medir.

Mimi

Usaram metodologias próprias da consultora para medir o ecossistema e a produtividade gerada pela tecnologia Microsoft. Depois cruzaram com dados da Forrester, que recolhe informações junto de clientes e parceiros sobre os impactos reais.

Luke

Mas há um problema: os números são de 2022 e ainda não foram atualizados. A Microsoft despediu mais de 10 mil pessoas globalmente no início deste ano. Não sabemos qual foi o impacto em Portugal.

Mark

E quanto ao Teams? 1,7 mil milhões de euros só desse produto parece muito.

Mimi

Baseia-se na poupança de 1,25 horas por semana que os utilizadores ganham. Multiplicado pelos salários médios, dá esse valor.

Luke

Mas Hermano Rodrigues admitiu que é conservador. E os utilizadores do Teams "estão num extrato acima da média da economia", como ele próprio disse. Portanto, o impacto real pode ser diferente se aplicado a toda a população.

Mark

E a inteligência artificial? Quando é que vamos ver esse impacto?

Mimi

Manuel Dias acredita que em 2 ou 3 anos o impacto será muito maior do que o do Teams. Especialmente se for integrada em serviços ao cidadão.

Luke

Mas isso é especulação. Ele próprio disse que quer repetir o estudo daqui a 2 ou 3 anos para ver o impacto real. Neste momento, é tudo potencial.

Mark

E o centro de Customer Experience & Success? Não conta para o impacto económico?

Mimi

Conta em termos de emprego — tem centenas de colaboradores. Mas o revenue não foi contabilizado, apenas o número de pessoas e as remunerações.

Luke

Isso é uma limitação importante. O centro é uma operação significativa, mas o seu valor económico real não está refletido nestes números.

  • O ecossistema Microsoft em Portugal vale 4,9 mil milhões de euros por ano — um número que surpreendeu até a consultora que o calculou.
  • Cada colaborador direto da empresa arrasta consigo 21 postos de trabalho adicionais na economia portuguesa, revelando uma teia de dependências invisíveis mas profundas.
  • O Microsoft Teams, sozinho, contribui com 1,7 mil milhões de euros em produtividade — calculados a partir de apenas 1,25 horas poupadas por semana por utilizador.
  • Os dados são de 2022 e a empresa anunciou despedimentos globais em 2023, criando uma sombra de incerteza sobre a solidez dos números apresentados.
  • A inteligência artificial e o Copilot são apontados como o próximo grande multiplicador, com a Microsoft a querer repetir o estudo em 2 a 3 anos para medir o impacto real.

Há 33 anos enraizada em Portugal, a Microsoft tornou-se uma força económica silenciosa que só agora ganha contornos mensuráveis: um estudo da EY revela que o seu ecossistema gera 4,9 mil milhões de euros anuais — 2,4% do PIB nacional — e sustenta 28 mil postos de trabalho. Por cada euro investido, o retorno estimado é de 8,80 euros, um multiplicador que convida a refletir sobre o que significa, afinal, a presença de uma empresa tecnológica numa economia nacional. Com a inteligência artificial a aproximar-se, a pergunta que fica no ar é se este impacto é um ponto de chegada ou apenas o início de algo maior.

A Microsoft está em Portugal há 33 anos, mas o seu verdadeiro peso na economia nacional só agora se tornou visível com números. Um estudo da EY, apresentado esta semana, revela que a empresa e o seu ecossistema de parceiros geram 4,9 mil milhões de euros em valor económico anual — o equivalente a 2,4% do PIB português. É como se existisse uma indústria inteira construída à volta de uma única empresa tecnológica.

O crescimento foi acelerado desde 2017, quando a Microsoft abriu em Portugal o seu centro de Customer Experience & Success, impulsionando os colaboradores diretos para mais de 1.500 — uma subida de 265%. A rede de parceiros chegou às 4.000 empresas, e foi este ecossistema alargado que a EY mediu. O resultado: 28 mil postos de trabalho gerados, com um efeito multiplicador de 21 empregos indiretos por cada trabalhador direto da empresa.

Hermano Rodrigues, partner da EY, decompôs os 4,9 mil milhões em três pilares: 1,5 mil milhões da operação direta e indireta da Microsoft, 1,7 mil milhões das aplicações e serviços, e outros 1,7 mil milhões atribuídos exclusivamente ao Microsoft Teams — calculados com base na poupança de 1,25 horas semanais por utilizador, convertida em produtividade. O retorno por euro investido foi estimado em 8,80 euros, com base em dados da Forrester recolhidos junto de clientes reais.

Há, porém, ressalvas importantes. As receitas do centro de Customer Experience & Success não foram incluídas no cálculo — apenas os salários e o número de colaboradores. Os dados são de 2022, e a Microsoft anunciou despedimentos globais no início de 2023, sem confirmar números para Portugal. A incerteza paira sobre a fotografia apresentada.

Still, o diretor geral Andres Ortolá mantém-se otimista, e o diretor de tecnologia Manuel Dias aponta a inteligência artificial como o próximo grande catalisador. O Copilot, diz, não é futurologia — é realidade iminente. O desejo expresso é claro: repetir este estudo em dois ou três anos, quando o entusiasmo em torno da IA tiver assentado, e medir com rigor o impacto real que a tecnologia terá deixado na economia e na sociedade portuguesa.

A Microsoft tem estado em Portugal há 33 anos, mas o seu peso na economia portuguesa tornou-se verdadeiramente visível apenas nos últimos anos. Um estudo apresentado esta quarta-feira pela consultora Ernest & Young revela números que ajudam a explicar por quê: a empresa e o seu ecossistema geram 4,9 mil milhões de euros em valor económico anual, o que corresponde a 2,4% de todo o produto interno bruto português. Para colocar isto em perspetiva, é como se a Microsoft Portugal fosse uma indústria inteira dentro da economia nacional.

O crescimento foi acelerado. A empresa ultrapassou os 1.500 colaboradores, uma subida de 265% que começou em 2017 quando abriu o seu centro de Customer Experience & Success no país. Esse centro, composto maioritariamente por engenheiros de suporte altamente especializados, tornou-se um ponto de ancoragem para a operação europeia da empresa. Mas a Microsoft não trabalha sozinha. A rede de parceiros já soma 4.000 empresas, e foi este ecossistema alargado que a EY mediu e quantificou.

Os números revelam um efeito multiplicador impressionante. O estudo indica que o ecossistema Microsoft é responsável por gerar cerca de 28 mil postos de trabalho em Portugal. Isto significa que por cada pessoa que trabalha diretamente para a Microsoft, a economia portuguesa gera 21 postos de trabalho adicionais através de fornecedores, parceiros e serviços relacionados. No contexto do setor das tecnologias de informação, o ecossistema Microsoft representa 7% do emprego total e 8% do valor económico gerado.

Hermano Rodrigues, partner da EY, decompôs o impacto em componentes. Dos 4,9 mil milhões de euros, 1,5 mil milhões vêm do efeito direto e indireto da operação da Microsoft. Outros 1,7 mil milhões resultam das várias aplicações e serviços que a empresa oferece. Mas há um terceiro pilar que merecia destaque próprio: o Microsoft Teams, a plataforma de comunicação e colaboração, contribui sozinho com 1,7 mil milhões de euros anuais. Este cálculo baseia-se na poupança de tempo que os utilizadores ganham — estimada em 1,25 horas por semana — convertida em valor de produtividade. Rodrigues admitiu que estes números são "conservadores", surpreendendo até a própria consultora pela sua magnitude.

O retorno sobre o investimento é outro indicador revelador. Por cada euro que uma organização investe em soluções Microsoft, o estudo estima que ganha cerca de 8,80 euros em retorno. Este valor varia consoante a linha de negócio, mas as fontes de ganho são múltiplas: automatização de processos, redução de riscos de segurança, diminuição de custos de gestão e armazenamento, e melhoria geral dos serviços prestados. A EY baseou-se em dados da Forrester, que mede junto de clientes e parceiros os impactos reais registados.

Andres Ortolá, diretor geral da Microsoft Portugal, destacou durante a apresentação o trabalho que a empresa tem feito em programas de capacitação e desenvolvimento de parcerias. Mas quando questionado sobre o futuro, a conversa virou-se para a inteligência artificial. Manuel Dias, diretor de tecnologia da Microsoft Portugal, foi claro: o Copilot e outras ferramentas de IA não são futurologia, são realidade iminente. Ele acredita que o impacto da IA na produtividade será muito maior do que o calculado para o Teams nos próximos 2 ou 3 anos. Se a inteligência artificial for integrada nos serviços ao cidadão, com otimização de custos e processos, o valor económico será ainda superior.

Há, porém, uma ressalva importante nos números apresentados. O centro de Customer Experience & Success, embora localizado em Portugal e empregando centenas de pessoas, não teve as suas receitas contabilizadas no impacto económico calculado pela EY. Apenas o número de colaboradores e as remunerações entraram nas contas. O revenue desse centro é contabilizado noutras contas corporativas. Além disso, os dados utilizados são de 2022 e ainda não foram atualizados oficialmente. A Microsoft Portugal, como muitas grandes tecnológicas, anunciou despedimentos globais no início de 2023, com mais de 10 mil pessoas a sairem dos quadros, embora sem confirmar números específicos para Portugal.

Apesar da incerteza económica atual, Ortolá mostra-se otimista. A aposta em inteligência artificial traz novas oportunidades que podem ser exploradas pelas empresas e pela sociedade em geral. O foco não é apenas nos impactos nos postos de trabalho, mas na melhoria da produtividade dos profissionais em várias áreas e indústrias. Dias deixou um desejo claro: repetir este estudo em 2 ou 3 anos, quando o hype da IA tiver passado, para avaliar com perspetiva económica e social o impacto real que a tecnologia terá trazido.

Não é futurologia, sabemos que vai ter impacto. Acredito que vai ser muito maior do que o calculado para o Teams em 2 ou 3 anos.
— Manuel Dias, diretor de tecnologia da Microsoft Portugal, sobre o impacto da inteligência artificial
Gostava daqui a 2 ou 3 anos de repetir o estudo e passado o hype olharmos numa perspetiva económica e social para o impacto da IA.
— Manuel Dias, diretor de tecnologia da Microsoft Portugal
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