Metzi, melhor latino-americano de SP, funde México e Brasil em pratos memoráveis

A alma mais desabitada volta para dentro do corpo
Descrição do efeito do vuelve a la vida, prato de ressaca mexicano servido no Metzi.
Mark

Por que um restaurante mexicano em São Paulo precisa de ingredientes brasileiros para funcionar?

Mimi

Porque os donos não queriam apenas reproduzir o México. Queriam contar uma história de encontro — eles se conheceram em Nova York, mas voltaram para cá. A comida mexicana é forte o bastante para absorver essas influências sem perder a identidade.

Mark

O guacamole com hortelã e manjericão é realmente tão diferente?

Mimi

Muda tudo. No Brasil, a gente está acostumado com guacamole mais intenso, mais picante. Aqui é mais delicado, mais aromático. É um sinal de que estão pensando em cada detalhe, não apenas servindo comida mexicana.

Mark

Quatro prêmios seguidos é sorte ou há algo de especial acontecendo ali?

Mimi

Não é sorte. É consistência. Eles abriram em 2020, em plena pandemia, e mantiveram a qualidade. O fato de estar entre os 50 melhores da América Latina mostra que não é só São Paulo que reconhece o trabalho.

Mark

O vuelve a la vida com gelo seco é necessário ou é teatro?

Mimi

É os dois. O gelo seco torna o prato memorável, mas o sabor já é memorável por si só. O teatro serve para preparar o corpo e a mente para receber aquele coquetel ácido e picante.

Mark

Por que o porco al pastor é tão importante nessa história?

Mimi

Porque é o prato que resume tudo. Tem a técnica mexicana, tem o abacaxi que cozinha junto, tem a manteiga de abacaxi que é uma ideia brasileira. É onde a fusão não é apenas um conceito — é comida de verdade.

  • Eleito melhor latino-americano de São Paulo por quatro anos seguidos, o Metzi consolidou uma proposta que parecia improvável: fazer comida mexicana de verdade com ingredientes profundamente brasileiros.
  • A tensão criativa entre duas culturas culinárias distintas — a mexicana e a brasileira — é o motor do cardápio, e cada prato carrega essa negociação de sabores de forma deliberada e precisa.
  • Pratos como o porco duroc al pastor e o polvo com chileatole revelam uma cozinha que não teme a complexidade, mas também não abandona o prazer direto e generoso da comida de rua.
  • O ambiente descontraído, com Frida Kahlo na parede ao lado de uma carranca indígena brasileira, sinaliza que a experiência é imersiva — e que comer com as mãos faz parte do ritual.
  • Para quem quer aprofundar a experiência, o menu-degustação de oito etapas por R$ 600 oferece uma jornada completa pela proposta fusion dos fundadores, com reserva obrigatória.

Em São Paulo, onde culturas se encontram e se reinventam, o Metzi emerge como um espaço de síntese: culinária mexicana reinterpretada com ingredientes e alma brasileiros, fundada em 2020 por um casal formado em Nova York e premiada quatro vezes consecutivas como melhor restaurante latino-americano da cidade. Mais do que um lugar para comer, o Metzi propõe uma conversa entre dois mundos — onde a tostada encontra o palmito, e a cumbia embala o coentro com manjericão. É o tipo de projeto que lembra que a identidade gastronômica de um povo nunca é pura, mas sempre está em movimento.

O Metzi abriu em 2020 com uma ideia clara e pouco explorada: trazer a culinária mexicana para São Paulo usando ingredientes e sabores do Brasil. Por trás do projeto estão Eduardo Ortiz, mexicano, e Luana Sabino, brasileira — os dois se conheceram trabalhando no Cosme, em Nova York, e decidiram executar juntos aquilo que ainda não havia sido feito com tanta precisão na cidade. Desde 2023, o restaurante vence consecutivamente a categoria de melhor latino-americano em O Melhor de São Paulo e já figurou entre os cinquenta melhores da América Latina no ranking 50 Best.

A decoração já conta a proposta antes do primeiro prato: Frida Kahlo divide a parede com grafismos indígenas brasileiros e uma carranca. Cumbia toca nos alto-falantes. Comer com as mãos é parte da experiência. O cardápio minimalista não descreve os pratos — os garçons são guias essenciais nessa travessia.

Entre os destaques, o vuelve a la vida — coquetel de peixe e polvo em suco de tomate ácido e picante, servido sobre tostada de milho com fumaça de gelo seco — funciona como um primeiro ato cênico e preciso. O polvo com chileatole, servido com pão de fubá, surpreende pela combinação de bottarga e palmito. Mas é o porco duroc al pastor que rouba a cena: fatias suculentas de carne envolvidas em tortillas com manteiga de abacaxi, cebola crua, coentro e limão — a releitura do Metzi para o clássico taco al pastor.

Para uma imersão completa, o menu-degustação de oito etapas por R$ 600 exige reserva antecipada. Para quem prefere explorar à la carte, a experiência termina bem com o bolo tres leches acompanhado de geleia de cupuaçu — um desfecho que resume, em uma colherada, tudo o que o Metzi propõe: o familiar e o inesperado, juntos.

No México, existe um remédio para ressaca com nome que não deixa dúvidas: vuelve a la vida. E funciona. Quando o coquetel de peixe e polvo em suco de tomate — ácido, picante — encontra a crocância de uma tostada de milho, a alma mais desabitada volta para dentro do corpo. No Metzi, eleito melhor restaurante latino-americano de São Paulo, esse prato chega à mesa por oitenta reais envolto em fumaça de gelo seco, cênico e provocador como um primeiro ato bem pensado.

O restaurante abriu em 2020 pelas mãos de Eduardo Ortiz, mexicano, e Luana Sabino, brasileira. Os dois se conheceram trabalhando no Cosme, em Nova York, e decidiram trazer para São Paulo uma ideia que ninguém havia executado com tanta clareza: comida mexicana feita com ingredientes e sabores do Brasil. Quatro anos seguidos, desde 2023, o Metzi venceu a categoria de melhor latino-americano em O Melhor de São Paulo. Já figurou também entre os cinquenta melhores restaurantes da América Latina no ranking 50 Best, onde hoje ocupa a posição 56.

A decoração conta a história. Frida Kahlo espia de uma parede. Perto dela, um grafismo indígena brasileiro e uma carranca. Cumbia toca nos alto-falantes. Comer com as mãos nesse clima descontraído é parte da experiência. O guacamole, por exemplo, surpreende não pela intensidade — que é menor do que a habitual nas versões brasileiras — mas pela presença de hortelã e manjericão junto ao coentro. São detalhes que revelam a mão de quem pensa em cada camada de sabor.

O cardápio minimalista não explica o que cada prato é, então a ajuda dos garçons é bem-vinda. O polvo com chileatole custa setenta e cinco reais: tentáculo com molho de manteiga, aïoli, bottarga, cubos de palmito e coentro, servido com pão de fubá. É delicioso, mas será esquecido quando chegar o porco duroc al pastor. Duzentos reais, bom para dividir. Fatias finas de carne suculenta e macia vão para dentro das tortillas com manteiga de abacaxi, cebola crua, coentro, gotas de limão e pimenta. É a versão do Metzi para o taco al pastor tradicional — aquele em que a carne e o abacaxi cozinham juntos no espeto. A Taqueria Atzi, na Vila Madalena, dos mesmos donos, prepara a versão original dessa forma.

Quem quer uma imersão completa pode escolher o menu-degustação de oito etapas por seiscentos reais por pessoa, com reserva obrigatória. Para conhecer à la carte, basta escolher com a ajuda dos garçons. A essa altura, a alma já voltou ao corpo faz tempo, mas ninguém nega uma sobremesa. O bolo tres leches, clássico latino, ganha aqui geleia de cupuaçu por cinquenta reais — capaz de afastar qualquer mal que tenha ficado para trás.

Apresenta a comida mexicana por meio de ingredientes e sabores do Brasil
— Descrição da proposta do Metzi
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