Menino doa cabelo após 3 anos de crescimento para pacientes com câncer

Motorista do transporte escolar faleceu no início da pandemia em 2020 após lutar contra câncer.
Realizei um desejo do meu coração, porque estou fazendo o bem
Mickael explica seu gesto após três anos deixando o cabelo crescer para doação.
Mark

Por que você acha que Mickael não desistiu, mesmo depois que a motorista faleceu?

Mimi

Porque ele havia feito uma promessa a si mesmo, não apenas a ela. Quando a motorista sugeriu que ele doasse para outra criança, ela transformou o gesto. Deixou de ser sobre salvar uma pessoa específica e passou a ser sobre ajudar quem precisasse. Isso é mais fácil de abandonar, mas também é mais fácil de manter.

Mark

E o bullying? Como uma criança de sete, oito anos consegue ignorar isso?

Mimi

Ele não ignorou. Sua mãe viu que ele sofria. Mas havia algo maior que o constrangimento — a sensação de estar fazendo o certo. As crianças que zoavam não entendiam. Ele tentava explicar. Quando ninguém entende, você tem duas escolhas: desistir ou ficar mais firme. Mickael escolheu ficar firme.

Mark

Você acha que ele sabia, durante esses três anos, que o cabelo seria transformado em peruca?

Mimi

Provavelmente sim. Sua mãe sabia. A motorista havia dito. Mas saber e viver são coisas diferentes. Viver significa acordar todo dia, ir à escola, ser zoado, voltar para casa, olhar no espelho e ver o cabelo crescendo. Significa manter a promessa quando ninguém está olhando.

Mark

O que muda agora que o cabelo foi doado?

Mimi

Agora há crianças com perucas feitas do cabelo que cresceu durante três anos de solidariedade. Mas para Mickael, acho que muda algo mais profundo: ele provou a si mesmo que é possível fazer o bem mesmo quando é difícil. Isso fica com a gente.

  • Mickael José, 9 anos, morador de Araçoiaba da Serra, região metropolitana de São Paulo
  • Deixou cabelo crescer por 3 anos, começando em 2019 após descobrir que motorista escolar tinha câncer
  • Motorista faleceu no início de 2020, durante a pandemia
  • Enfrentou bullying dos colegas durante o isolamento social
  • Cabelo doado ao Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) em dezembro de 2022

Garoto iniciou projeto aos 6 anos após descobrir que motorista do ônibus escolar lutava contra câncer, mantendo compromisso mesmo após morte dela. Mickael enfrentou bullying dos colegas durante isolamento social, mas persistiu no objetivo de ajudar crianças com câncer através da doação de peruca.

Mickael José, 9 anos, deixou o cabelo crescer por 3 anos e doou para pacientes com câncer infantil, inspirado pela luta de sua motorista escolar contra a doença.

Mickael José tinha seis anos quando descobriu que a motorista do ônibus escolar que o levava todos os dias para a aula estava doente. A mulher lutava contra um câncer. O menino chegou em casa naquele dia de 2019 e disse à mãe, Roseneia Bueno, que não ia mais cortar o cabelo. Ele queria deixá-lo crescer para doá-lo à motorista, para que ela pudesse fazer uma peruca. Era um gesto simples, nascido da compaixão de uma criança.

A motorista achou lindo o que Mickael propunha, mas foi honesta com ele. Sua situação era grave demais. Não haveria tempo. Ela sugeriu que o menino doasse o cabelo para outra criança que precisasse, alguém que tivesse mais chance de se beneficiar do presente. No início de 2020, durante os primeiros meses da pandemia, a motorista faleceu. Mas Mickael não abandonou a promessa que havia feito a si mesmo.

Por três anos, o cabelo cresceu. Quando as escolas fecharam e as aulas passaram a ser online, Mickael continuou deixando-o crescer. Quando voltou ao presencial, enfrentou o que muitas crianças enfrentam quando saem do padrão: zombaria. Os colegas o chamavam para fora do banheiro, diziam que aquele não era lugar para meninas, apenas para meninos. Ele tentava explicar que era menino, que estava crescendo o cabelo para doar, mas as crianças continuavam a zoar. Sua mãe viu tudo isso acontecer e viu também seu filho recusar-se a desistir.

"Ele realizou um desejo do seu coração", disse Mickael sobre si mesmo, com a clareza que às vezes só as crianças têm. "Estou fazendo o bem para uma pessoa que vou estar doando o meu cabelo para fazer uma peruca. Me senti alegre." No sábado, 17 de dezembro de 2022, aos nove anos, Mickael cortou o cabelo. As mechas foram entregues ao Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil, o Gpaci, onde serão transformadas em perucas para crianças que enfrentam a mesma doença que tirou a vida da motorista que o inspirou.

O que começou como um ato de amor por uma pessoa específica tornou-se um presente para muitas. E o que poderia ter terminado quando aquela pessoa morreu continuou porque uma criança de Araçoiaba da Serra, na região metropolitana de São Paulo, decidiu que sua promessa era maior do que o luto, maior do que o constrangimento, maior do que qualquer razão para parar.

Ele chegou em casa e falou: mãe, a 'tia' ficou doente e eu não vou mais cortar meu cabelo, vou doar para ela, porque ela vai precisar
— Roseneia Bueno, mãe de Mickael, ao g1
Eu realizei um desejo do meu coração, porque estou fazendo o bem para uma pessoa que vou estar doando o meu cabelo para fazer uma peruca. Me senti alegre
— Mickael José
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