O conselho elencou cortes em infraestruturas críticas como estradas, bairro Terra Chã e laboratório regional SEEBMO, que foi essencial na covid-19. Destacou investimentos positivos na ampliação do Terinov, requalificação da Base das Lajes e obras no porto da Praia da Vitória.
Conselho da Terceira lista pontos positivos e negativos do Plano 2026 sem parecer conclusivo
Um parecer positivo ou negativo esvazia o próprio conteúdo do parecer
Por que é que o conselho recusa dar um parecer direto, positivo ou negativo?
Porque acreditamos que a nossa função é mais útil quando apontamos concretamente o que funciona e o que não funciona. Um parecer binário reduz tudo a uma posição, e perdemos a capacidade de influenciar realmente as decisões.
Mas não é mais fácil para quem lê o parecer saber exatamente o que o conselho pensa?
Talvez pareça mais fácil, mas é enganoso. Quando dizemos "isto é bom" ou "isto é mau", estamos a simplificar realidades complexas. O que fazemos é dizer: estas são as coisas que vemos como oportunidades, estas são as que nos preocupam. Deixamos que os decisores façam o seu trabalho com informação clara.
E o corte no SEEBMO — isso é um erro estratégico ou apenas uma questão de prioridades orçamentais?
É mais do que uma questão de prioridades. Este laboratório foi essencial durante a covid-19. Anunciaram um novo edifício há poucos anos. Agora corta-se completamente o investimento. Para nós, isso não é uma prioridade diferente — é uma incoerência que merecia explicação.
O alerta sobre a sustentabilidade da autonomia — isso é uma crítica ao governo ou uma constatação?
É uma constatação que se tornou crítica. Temos 230 mil pessoas e um parlamento que custa 17 milhões de euros por ano. Isso é um facto. A pergunta que deixamos é: como é que isto é sustentável a longo prazo? Não é uma questão política — é uma questão de matemática e de viabilidade.
Outros conselhos de ilha estão a seguir o vosso modelo?
Sim, este ano o Faial também o fez. Vemos isso como um sinal de que há uma mudança na forma como os órgãos consultivos entendem o seu papel. Não somos aqui para dizer "sim" ou "não" — somos aqui para iluminar as questões que importam.
The Pulse
- Conselho de Ilha da Terceira aprova parecer por unanimidade com quatro pontos positivos e quatro negativos
- SEEBMO, laboratório regional de referência, vê investimento completamente cortado no plano 2026
- Plano de Investimentos dos Açores 2026 totaliza 990,9 milhões de euros, mais 172 milhões que 2025
- Parlamento regional consome 17 milhões de euros anuais para região com 230 mil habitantes
O conselho elencou cortes em infraestruturas críticas como estradas, bairro Terra Chã e laboratório regional SEEBMO, que foi essencial na covid-19. Destacou investimentos positivos na ampliação do Terinov, requalificação da Base das Lajes e obras no porto da Praia da Vitória.
O Conselho de Ilha da Terceira recusa parecer positivo ou negativo sobre o Plano de Investimentos 2026 dos Açores, optando por enumerar quatro aspetos positivos e quatro negativos, incluindo preocupação com corte de investimento no laboratório SEEBMO.
Marcos Couto, presidente do Conselho de Ilha da Terceira, explicou a decisão que o órgão tomou perante o Plano de Investimentos dos Açores para 2026: não emitir um parecer que fosse simplesmente favorável ou desfavorável. Em vez disso, o conselho optou por mapear, com precisão, aquilo que funciona e aquilo que preocupa na proposta orçamental.
O parecer foi aprovado por unanimidade e apresenta quatro pontos que os conselheiros consideram positivos e quatro que os deixam inquietos. Do lado das preocupações, destacam-se cortes que parecem particularmente severos: a dotação para pavimentação de estradas e caminhos agrícolas foi descrita como "claramente reduzida", e há também a questão do bairro da Terra Chã e da requalificação da Escola Básica e Integrada dos Biscoitos, ambos com investimentos insuficientes.
Mas foi o corte completo no financiamento do SEEBMO que gerou maior perplexidade entre os membros do conselho. Este laboratório, sediado no Hospital de Santo Espírito da Terceira, é uma instituição de referência regional especializada em epidemiologia e biologia molecular. Há poucos anos tinha sido anunciada a construção de um novo edifício para a instituição. Durante a pandemia de covid-19, o laboratório desempenhou um papel essencial. Agora, vê-se completamente privado de investimento no plano para 2026.
No lado positivo, o conselho reconhece a ampliação do Parque de Ciência e Tecnologia da Terceira, conhecido como Terinov, e a requalificação do antigo edifício da Força Aérea norte-americana junto à Base das Lajes, uma infraestrutura que o conselho considera ter "potencial enorme". Também apontam como ganhos as obras no porto da Praia da Vitória e a requalificação da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, que já está em curso desde 2023.
A escolha de não emitir um parecer conclusivo não é nova. Há vários anos que o Conselho de Ilha da Terceira segue esta abordagem. Couto justifica a opção argumentando que o conselho é um órgão consultivo, não executivo, e que emitir um parecer puramente positivo ou negativo "esvazia o próprio conteúdo do parecer". Ao reduzir-se a uma posição binária, perde-se a oportunidade de destacar as nuances e as prioridades reais. Este ano, o Conselho de Ilha do Faial também adotou a mesma metodologia, e Couto vê com satisfação que outros conselhos de ilha nos Açores começam a seguir este exemplo.
Mas o parecer vai além da análise do plano de investimentos. Numa nota introdutória, o conselho emite um alerta mais amplo sobre o modelo de desenvolvimento da autonomia açoriana. Couto é direto: a autonomia, tal como está estruturada, não é sustentável. Para uma região com apenas 230 mil habitantes e classificada como pobre, o facto de o parlamento regional consumir 17 milhões de euros do orçamento anual é, na sua perspetiva, um sinal claro de que a estrutura precisa de ser repensada profundamente. Os conselheiros decidiram convocar uma nova reunião em breve para aprofundar esta questão.
O Plano de Investimentos dos Açores para 2026 totaliza 990,9 milhões de euros, um aumento de 172 milhões face a 2025. O documento prevê um crescimento de 2% do Produto Interno Bruto e um endividamento até 150 milhões de euros. O plano e o orçamento serão discutidos e votados na Assembleia Legislativa regional em novembro.
Notable Quotes
Esta autonomia não é sustentável e tem de ser estruturalmente repensada— Marcos Couto, presidente do Conselho de Ilha da Terceira
O conselho de ilha é um órgão consultivo, não é um órgão executivo, portanto não tem de dar pareceres positivos ou negativos— Marcos Couto