Quando viu aquele padrão, em vez de seguir adiante, ele parou e perguntou
Marcel descobriu que números ao quadrado formam ciclos identificáveis quando somados seus algarismos, como 13² = 169 (1+6+9=16) e 16² = 256 (2+5+6=13). O jovem integra a Mensa Brasil, é Mestre Nacional de Xadrez e participa de olimpíadas de conhecimento e competições de robótica desde cedo.
- Marcel Augusto Calassa Alcântara, 10 anos, de Brasília
- Descobriu padrão numérico em quadrados perfeitos: 13² = 169 (1+6+9=16) e 16² = 256 (2+5+6=13)
- Selecionado para apresentar na 12ª Bienal de Matemática em agosto em Natal (RN)
- Membro da Mensa Brasil, Mestre Nacional de Xadrez, participa de olimpíadas e competições de robótica
Estudante brasiliense Marcel Augusto Calassa Alcântara, de 10 anos, identificou um padrão numérico inédito em quadrados perfeitos e foi selecionado para apresentar sua pesquisa na 12ª Bienal de Matemática em agosto.
Marcel Augusto Calassa Alcântara estava fazendo o que qualquer aluno de dez anos faz em uma aula de matemática — resolvendo exercícios sobre quadrados perfeitos — quando algo o intrigou. Ele notou que 13 ao quadrado resulta em 169, e quando somou os dígitos desse resultado (1 + 6 + 9), obteve 16. Curioso, testou o inverso: 16 ao quadrado dá 256, cuja soma de dígitos (2 + 5 + 6) retorna a 13. Não era coincidência. Era um padrão.
O menino brasiliense decidiu investigar se essa sequência se repetia com outros números. Quanto mais testava, mais claro ficava: essas relações formavam ciclos identificáveis dentro de um conjunto finito. O que começou como uma observação casual em sala de aula havia se transformado em uma descoberta matemática genuína, algo que ninguém havia documentado antes.
Sua pesquisa chegou à Sociedade Brasileira de Matemática, que reconheceu seu valor e o selecionou para apresentar o trabalho na 12ª Bienal de Matemática, um dos principais eventos da área no país. O evento acontecerá em agosto, em Natal, no Rio Grande do Norte. "Fiquei muito feliz e animado. Gosto de matemática e de pesquisar coisas novas. Saber que outras pessoas acharam meu trabalho interessante foi muito legal", disse Marcel sobre a seleção.
Mas a história de Marcel não é apenas a de uma criança inteligente que gosta de números. Ele é membro da Mensa Brasil, a associação que reúne pessoas com altas habilidades intelectuais. Além de sua paixão pela matemática, participa de olimpíadas do conhecimento, compete em robótica, conquistou o título de Mestre Nacional de Xadrez e integra a International Junior Honor Society. Ainda jovem, criou o projeto Xadrez na Praça, que evoluiu para o Clubinho STEAM do Marcel — uma iniciativa que oferece atividades em matemática, ciência, leitura e xadrez para outras crianças.
O reconhecimento de sua descoberta abriu novas portas. Além de apresentar seu estudo na Bienal, Marcel foi convidado a participar de um projeto social dedicado a ensinar matemática a outras crianças. É uma expansão natural de seu trabalho — a descoberta que começou com uma pergunta simples em uma sala de aula agora tem o potencial de alcançar e inspirar muitos outros jovens.
Notable Quotes
Fiquei muito feliz e animado. Gosto de matemática e de pesquisar coisas novas. Saber que outras pessoas acharam meu trabalho interessante foi muito legal— Marcel Augusto Calassa Alcântara
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que um menino de dez anos chega a uma descoberta que ninguém havia feito antes?
Acho que começa com curiosidade genuína. Marcel não estava apenas resolvendo exercícios — ele estava observando o que os números faziam. Quando viu aquele padrão entre 13 e 16, em vez de seguir adiante, ele parou e perguntou: será que isso acontece com outros números também?
Mas há milhões de crianças fazendo matemática todo dia. Por que isso importa?
Porque ele não apenas notou algo — ele investigou sistematicamente, documentou, e descobriu que havia uma estrutura real ali. A Sociedade Brasileira de Matemática não convida crianças para a Bienal por acaso. Eles viram rigor em seu trabalho.
Qual é o risco aqui? Colocar uma criança de dez anos em um palco nacional?
É uma pergunta justa. Mas Marcel já estava em olimpíadas, competições de robótica, era mestre em xadrez. Ele já conhecia o ambiente de competição intelectual. Isso não é novo para ele — é apenas em uma escala maior.
E o projeto social que mencionaram? Isso parece quase... instrumentalizar a descoberta dele.
Ou é reconhecer que ele já estava fazendo isso. Ele criou o Clubinho STEAM porque queria compartilhar essas coisas com outras crianças. O projeto social é só formalizar algo que já era parte de quem ele é.
O que você acha que Marcel vai lembrar desse momento em vinte anos?
Provavelmente não será a Bienal em si. Será o momento em que percebeu que suas perguntas importavam, que havia algo real em sua curiosidade. Isso muda como você vê a si mesmo.