Menina brasileira de 11 anos sofre agressão em escola portuguesa; bullying revelado

Menina de 11 anos sofreu agressão física e psicológica prolongada, incluindo bullying, xenofobia e incitação ao suicídio, causando impacto emocional significativo.
Tentando sempre apresentar para ela o melhor lado, se é que tem
A mãe descreve o esforço de lidar com o trauma da filha após meses de bullying e xenofobia.
Mark

Por que a mãe esperou tanto tempo para descobrir o que estava acontecendo com a filha?

Mimi

Porque as crianças muitas vezes não contam. Elas normalizam o insulto, acham que é culpa delas. A mãe só soube quando levou a filha a uma psicóloga, e mesmo assim por acaso, quando precisou viajar.

Mark

E a escola? Ninguém viu nada antes do vídeo?

Mimi

Aparentemente não, ou não agiu. Às vezes a violência acontece nos corredores, nos intervalos, em lugares onde os adultos não estão olhando. E quando é bullying verbal, é fácil fingir que não ouviu.

Mark

A mensagem de suicídio no WhatsApp — isso é crime em Portugal?

Mimi

Deveria ser. É incitação ao suicídio de uma menor. O inquérito que foi aberto provavelmente está investigando isso também, não só a agressão física.

Mark

A mãe diz que está tentando mostrar o melhor lado. Qual é o melhor lado dessa situação?

Mimi

Talvez seja que agora há acompanhamento psicológico, que a escola está sendo responsabilizada, que a menina vai sair daquele ambiente. Mas você está certo em questionar isso. Para uma criança de 11 anos, o melhor lado é muito pouco.

Mark

Ela vai ficar em Portugal?

Mimi

A mãe não disse que vai voltar. Parece estar lutando para que a filha tenha uma chance ali, em uma nova escola. Mas é difícil saber o que ela realmente quer fazer.

  • Agressão física ocorreu em 4 de fevereiro na Escola Básica Dr. Ruy D'Andrade, em Entroncamento, Portugal
  • Menina de 11 anos sofreu insultos, provocações e mensagens incitando suicídio desde 2018
  • Mãe deixou Rio de Janeiro em 2018 buscando segurança e melhor educação para os filhos

Vídeo mostra agressão física com socos, chutes e puxões de cabelo dentro de escola em Entroncamento, Portugal, no dia 4 de fevereiro. Mãe relata insultos, provocações e até mensagens incitando suicídio via WhatsApp desde a chegada da família em 2018 buscando segurança.

Estudante brasileira de 11 anos foi agredida por colega em escola pública portuguesa, revelando padrão de bullying e xenofobia que enfrentava desde sua chegada ao país há anos.

No dia 4 de fevereiro, dentro de uma escola pública portuguesa, uma menina de 11 anos foi atacada por uma colega de turma. Socos, chutes, empurrões, puxões de cabelo — tudo registrado em vídeo que circularia pelas redes sociais dias depois, chegando até a imprensa brasileira. A cena ocorreu na Escola Básica Dr. Ruy D'Andrade, em Entroncamento, no distrito de Santarém, região central de Portugal. Mas esse episódio de violência física não era isolado. Era o ponto de ruptura de uma história que começara anos antes.

Antônia Silverlene Melo saiu do Rio de Janeiro em 2018 com dois filhos em busca de algo que o Brasil não oferecia: segurança. Ela trabalhava como coordenadora em um Centro de Distribuição dos Correios em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e conhecia bem a violência do território fluminense. Natural de Ipueiras, no Ceará, formada em Recursos Humanos, ela decidiu que Portugal seria melhor. Melhor para proteger a família, melhor para a educação das crianças. Quatro anos depois, a filha mais jovem estava sendo agredida dentro de uma escola.

Segundo o relato da mãe em entrevista à rádio CBN Cariri, a violência não começou com socos e chutes. Começou com palavras. Desde que chegaram ao país, colegas insultavam a menina. "Você é brasileirinha", diziam. "Você é feia", "ninguém te ama". Antônia não soube da profundidade desses ataques até levar a filha a uma psicóloga — também brasileira — quando precisou viajar para a Bélgica a trabalho. Aí descobriu que havia bullying, sim, mas também xenofobia. A perseguição não ficava confinada às salas de aula. No Natal de 2021, a menina recebeu mensagens no WhatsApp de uma colega incitando-a ao suicídio.

O vídeo da agressão física abriu os olhos de quem estava de fora. Um inquérito foi aberto. A equipe técnica de psicologia da escola foi acionada para acompanhar tanto a menina quanto seus responsáveis. Mas para Antônia, o dano já estava feito. Ela descreveu a filha como estando "bem, na medida do possível" — uma frase que carrega o peso de quem sabe que algumas feridas não cicatrizam rápido. A menina continua com a psicóloga que a atendia. A mãe está trabalhando para transferi-la para uma escola onde já tem alguns colegas conhecidos, tentando, nas suas palavras, "apresentar para ela o melhor lado, se é que tem".

O que começou como uma busca por segurança e educação melhor terminou em uma criança de 11 anos processando trauma em uma terra que deveria ser refúgio. A história de Antônia e sua filha é a história de milhares de famílias que emigram esperando deixar a violência para trás, apenas para encontrá-la em formas diferentes, às vezes mais sutis, às vezes tão óbvias quanto um vídeo compartilhado nas redes sociais.

Não posso caracterizar esse capítulo só como xenofobia. Desde que viemos pra cá, ela falava que algumas crianças a insultavam... tiveram casos de bullying e xenofobia
— Antônia Silverlene Melo, mãe da menina
Ela está bem, na medida do possível, continua sendo acompanhada pela psicóloga e estou no processo da transferência dela para uma escola onde ela já tem alguns colegas
— Antônia Silverlene Melo
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