Em um tempo em que fronteiras econômicas e linguísticas ainda definem destinos, a goiana Luiza Vilanova, de 22 anos, tornou-se a primeira brasileira a conquistar a bolsa Rhodes para Oxford — uma das distinções acadêmicas mais disputadas do mundo. Sua trajetória, da família humilde de Goiânia às salas de Columbia e agora às margens do Cherwell, não é apenas uma história de mérito individual, mas um argumento vivo sobre o que se torna possível quando uma criança encontra, no caminho, acesso à educação e pessoas que acreditam nela. Ela carrega consigo não só diplomas, mas um projeto social que já
Luiza Vilanova: primeira brasileira com bolsa Rhodes em Oxford transforma educação
Acredite que é possível, mesmo quando parece que o sonho está distante
O que a levou a decidir tentar a bolsa Rhodes especificamente, e não apenas continuar com seu trabalho social no Brasil?
Amigos da faculdade me incentivaram a dar esse passo. Mas honestamente, eu já estava pensando em como ampliar o impacto do Tocando em Frente. Oxford oferecia a chance de estudar educação comparada e políticas públicas com profundidade que eu não teria em outro lugar. Era estratégico.
Você aprendeu inglês sozinha, pelo YouTube. Como você chegou a Columbia com um inglês que você mesma descreve como "longe do ideal" e ainda assim conseguiu se destacar?
O esforço e a determinação fazem diferença. Eu estava cercada de pessoas que acreditavam em mim. Meus professores, meus mentores. Quando você tem clareza sobre seu propósito — e eu tinha — o idioma se torna uma ferramenta, não uma barreira intransponível.
O Tocando em Frente já impactou 10 mil crianças. Como você consegue escalar um projeto assim enquanto estuda em uma universidade de elite?
Com voluntários. Temos mais de 90 voluntários de 13 a 25 anos. A ideia é que o projeto seja maior do que eu. Agora, em Oxford, vou aprender como sistemas educacionais funcionam em diferentes países. Isso vai me dar ferramentas para escalar ainda mais.
Qual é a diferença entre o que você faz no Tocando em Frente e o que as escolas já oferecem?
Nós focamos em saúde mental e desenvolvimento socioemocional de forma estruturada e gamificada. As escolas públicas brasileiras têm recursos limitados. Nós vamos até elas com um currículo pronto, com histórias inspiradoras, com voluntários treinados. É uma intervenção completa.
Você é a primeira brasileira com a bolsa Rhodes. Sente peso nisso?
Sinto responsabilidade. Mas não é peso paralisante. É motivador. Significa que o caminho que percorri — de uma menina de Goiânia sem inglês formal — é possível. Quero que outras meninas vejam isso e acreditem também.
The Pulse
- A bolsa Rhodes, concedida após seis meses de seleção rigorosa com ensaios, oito cartas de recomendação e entrevista presencial entre apenas 14 finalistas, nunca havia sido conquistada por uma brasileira — até agora.
- Luiza aprendeu inglês sozinha pelo YouTube porque não tinha dinheiro para pagar um curso, e mesmo assim foi aprovada com bolsa integral em 11 universidades americanas aos 18 anos.
- O Tocando em Frente, projeto socioemocional que ela criou em 2021, opera com mais de 90 voluntários e já alcançou crianças em todas as regiões do Brasil, prevenindo evasão escolar e problemas de saúde mental.
- Em 2024, o projeto venceu o Prêmio LED da Globo e da Fundação Roberto Marinho, ganhando visibilidade nacional e validação institucional para uma iniciativa nascida da convicção pessoal de uma jovem.
- A partir de setembro de 2025, Luiza estudará educação comparada e políticas públicas em Oxford com todos os custos cobertos, de olho em ampliar o impacto de seus projetos no Brasil.
Em um tempo em que fronteiras econômicas e linguísticas ainda definem destinos, a goiana Luiza Vilanova, de 22 anos, tornou-se a primeira brasileira a conquistar a bolsa Rhodes para Oxford — uma das distinções acadêmicas mais disputadas do mundo. Sua trajetória, da família humilde de Goiânia às salas de Columbia e agora às margens do Cherwell, não é apenas uma história de mérito individual, mas um argumento vivo sobre o que se torna possível quando uma criança encontra, no caminho, acesso à educação e pessoas que acreditam nela. Ela carrega consigo não só diplomas, mas um projeto social que já tocou mais de 10 mil crianças — e a convicção de que origem não é destino.
Aos 22 anos, Luiza Vilanova tornou-se a primeira brasileira a conquistar a bolsa Rhodes para estudos de pós-graduação em Oxford. A conquista chegou após seis meses de processo seletivo que incluiu um ensaio de mil palavras, oito cartas de recomendação e uma entrevista presencial entre apenas 14 finalistas — com o resultado anunciado no mesmo dia.
Luiza cresceu em Goiânia, filha de uma psicóloga e de um comerciante, estudando como bolsista no Colégio Arena. Sem dinheiro para pagar um curso de inglês, aprendeu o idioma sozinha assistindo a vídeos no YouTube. Aos 18 anos, foi aprovada com bolsa integral em 11 universidades americanas e escolheu Columbia, em Nova York, onde se formou em 2024 com dupla titulação em educação e ciência política.
Mas sua história vai além dos diplomas. Ainda no ensino médio, ela fundou o Gotinhas do Bem, que evoluiu para uma ONG. Em 2021, criou o Tocando em Frente, projeto que leva um currículo de desenvolvimento socioemocional a escolas públicas brasileiras. Com mais de 90 voluntários entre 13 e 25 anos, a iniciativa já alcançou mais de 10 mil crianças em todo o país, usando histórias inspiradoras e aulas gamificadas para desenvolver habilidades como comunicação e resiliência — e prevenir evasão escolar e problemas de saúde mental. Em 2024, o projeto venceu o Prêmio LED, promovido pela Globo em parceria com a Fundação Roberto Marinho.
Com a bolsa Rhodes garantida, Luiza inicia em setembro de 2025 um mestrado de dois anos em Oxford: o primeiro ano dedicado à educação comparada, o segundo a políticas públicas. Ela enxerga a experiência como uma oportunidade de aprofundar o conhecimento necessário para transformar sistemas educacionais em escala no Brasil. Primeira da família a seguir carreira acadêmica, ela resume sua trajetória com clareza: 'Minha história é um exemplo do que acontece quando uma criança de origem humilde tem acesso à educação de qualidade.'
Aos 22 anos, Luiza Vilanova acaba de se tornar a primeira brasileira a conquistar a bolsa Rhodes, uma das mais concorridas do mundo para estudos de pós-graduação. A notícia chegou após seis meses de um processo seletivo rigoroso que exigiu um ensaio de mil palavras, oito cartas de recomendação, histórico acadêmico completo e, por fim, uma entrevista presencial entre apenas 14 finalistas. O resultado saiu no mesmo dia da entrevista em Oxford.
Sua trajetória começou em Goiânia, onde cresceu em família humilde — sua mãe é psicóloga, seu pai comerciante. Ainda no ensino médio, estudando como bolsista no Colégio Arena, Luiza decidiu tentar ingressar em universidades americanas, uma decisão que parecia distante de sua realidade. O maior obstáculo era o idioma. Sem recursos para pagar um curso de inglês, ela aprendeu sozinha, assistindo a vídeos no YouTube até acumular conhecimento suficiente para as provas de admissão. Aos 18 anos, foi aprovada em 11 faculdades americanas com bolsa integral. Escolheu Columbia, em Nova York, porque a universidade oferecia um centro dedicado aos estudos brasileiros e uma comunidade acadêmica forte nas áreas que a interessavam: educação e ciência política. Formou-se em 2024 com dupla titulação nessas disciplinas.
Mas a história de Luiza não é apenas sobre prêmios acadêmicos. Ainda no ensino médio, ela fundou um projeto social chamado Gotinhas do Bem, que depois evoluiu para uma organização não governamental. Essa experiência a despertou para o poder transformador da educação. Em 2021, ela criou o Tocando em Frente, uma iniciativa que leva um currículo de desenvolvimento socioemocional a escolas públicas brasileiras, com foco no ensino fundamental. O projeto trabalha com mais de 90 voluntários entre 13 e 25 anos e já alcançou mais de 10 mil crianças em todas as regiões do país. A metodologia inclui histórias inspiradoras e aulas gamificadas que desenvolvem habilidades como comunicação e resiliência, com o objetivo explícito de prevenir problemas de saúde mental e combater a evasão escolar.
Em 2024, o Tocando em Frente venceu o Prêmio LED, promovido pela Globo em parceria com a Fundação Roberto Marinho, que reconhece práticas educacionais inovadoras no Brasil. A premiação trouxe visibilidade significativa para o trabalho e validação institucional para uma iniciativa nascida da convicção pessoal de uma jovem mulher sobre o que a educação pode fazer.
Agora, com a bolsa Rhodes garantida, Luiza se prepara para iniciar um mestrado de dois anos em Oxford em setembro de 2025. O primeiro ano focará em educação comparada, explorando diferentes sistemas e políticas educacionais ao redor do mundo. O segundo será dedicado a políticas públicas. A bolsa cobre todos os custos, permitindo que ela se dedique integralmente aos estudos e ao aprofundamento de conhecimentos que pretende aplicar no Brasil. Para ela, essa experiência internacional é uma oportunidade de ampliar o impacto do Tocando em Frente e de consolidar sua compreensão sobre como transformar sistemas educacionais em escala.
Quando reflete sobre sua própria história, Luiza é clara sobre o papel da educação. Primeira de sua família a seguir carreira acadêmica, ela vê sua trajetória como prova de que origem humilde não é destino. "Minha história é um exemplo do que acontece quando uma criança de origem humilde tem acesso à educação de qualidade", diz. Para jovens que sonham em estudar no exterior, seu conselho é direto: acreditar que é possível, mesmo quando o sonho parece distante, e cercar-se de pessoas que acreditam. Ela teve professores, amigos e mentores que acreditaram antes dela mesma. Agora, ela quer garantir que todas as crianças, independentemente de origem ou condição social, possam sonhar sem limites dentro da escola.
Notable Quotes
Minha história é um exemplo do que acontece quando uma criança de origem humilde tem acesso à educação de qualidade— Luiza Vilanova
Quero garantir que todas as crianças, independentemente de origem ou condição social, possam sonhar sem limites dentro da escola— Luiza Vilanova