Mendonça relata ação de Renan Santos contra reajuste de 15% do Bolsa Família

Não se pode brincar com o processo eleitoral
Renan Santos, em sua representação à Justiça Eleitoral, contestando o reajuste do Bolsa Família.
Mark

Por que Renan Santos entrou com essa ação? Qual é exatamente a acusação?

Mimi

Ele diz que o governo sabia que o Bolsa Família estava perdendo valor desde março de 2024 por causa da inflação, mas esperou até setembro, bem perto das eleições, para anunciar o aumento. Para ele, é uma manobra eleitoral disfarçada de política social.

Luke

Mas o governo poderia argumentar que qualquer aumento de benefício é legítimo, independentemente de quando aconteça. Como se prova a intenção eleitoral?

Mimi

Exatamente. A ação alega "propósito eleitoreiro", mas isso é uma interpretação. O que é concreto é que o aumento não estava no orçamento aprovado e vai custar R$ 5,8 bilhões este ano.

Mark

E Mendonça vai decidir isso sozinho?

Mimi

Ele foi sorteado como relator. Mas note que ele já rejeitou uma ação parecida do deputado Zé Trovão dias antes, por questão de legitimidade processual.

Luke

Então há precedente de rejeição. Mas o caso de Santos é diferente porque ele é candidato à Presidência, não deputado estadual. Tem mais legitimidade?

Mimi

Teoricamente sim. Mas a questão de fundo — se o governo pode ou não aumentar benefício em ano eleitoral — é constitucional e política, não apenas processual.

Mark

Qual é o contexto maior aqui?

Mimi

O governo Lula está em queda nas pesquisas e o STF está em crise. Esse reajuste é visto como uma tentativa de recuperar popularidade.

Luke

Mas ninguém sabe ainda se vai funcionar eleitoralmente, nem se Mendonça vai aceitar ou rejeitar a ação. Muita coisa em aberto.

  • O governo Lula anunciou o primeiro reajuste do Bolsa Família desde 2023 a apenas semanas do pleito, acendendo imediatamente acusações de uso eleitoreiro do programa social.
  • Renan Santos protocolou ação na Justiça Eleitoral horas após o anúncio, classificando a medida como ilegal e inconstitucional por ter sido implementada às pressas após meses de inércia diante da inflação.
  • O custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027 não estava previsto em nenhuma lei orçamentária, expondo uma lacuna fiscal que fragiliza a defesa técnica do governo.
  • O ministro André Mendonça, já relator de ação similar rejeitada por questão de legitimidade, agora terá de enfrentar o mérito da controvérsia num contexto de crise no STF e queda de popularidade presidencial.

Em momentos em que o poder busca renovar seu contrato com o povo, cada gesto governamental carrega o peso da suspeita. O anúncio de um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o benefício médio de R$ 675 para R$ 777 às vésperas das eleições, levou o candidato Renan Santos, do Missão, a recorrer à Justiça Eleitoral, argumentando que o Estado usou o erário como instrumento de sedução eleitoral. A ação, relatada pelo ministro André Mendonça, chega num momento em que as instituições brasileiras já carregam o peso de suas próprias contradições.

Na tarde de 17 de setembro, o governo federal anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família — o primeiro desde março de 2023 —, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e a média de auxílio de R$ 675 para R$ 777. Horas depois, Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, protocolou uma ação na Justiça Eleitoral contestando a medida. O ministro André Mendonça, do TSE, foi sorteado relator do caso.

Na petição, Santos qualificou o reajuste como "ilegal, inconstitucional e eleitoreiro", argumentando que o governo sabia da erosão do poder de compra dos beneficiários desde março de 2024, mas escolheu agir apenas na reta final da campanha. "Não se pode brincar com o processo eleitoral", escreveu. O candidato também apontou que os R$ 5,8 bilhões necessários para custear a medida em 2026 — e os R$ 22,7 bilhões estimados para 2027 — não estavam previstos na lei orçamentária vigente nem no projeto enviado ao Congresso em agosto, obrigando uma revisão da proposta.

A representação acusa o Executivo de tentar "angariar a simpatia dos eleitores por meio da distribuição de recursos públicos", beneficiando candidatos já bem posicionados nas pesquisas. Antes de receber este caso, Mendonça havia rejeitado ação semelhante do deputado Zé Trovão, do PL, por falta de legitimidade ativa — sem analisar o mérito.

O episódio se desenrola num cenário de turbulência institucional: o STF atravessa uma crise sem precedentes, Lula registra queda nas pesquisas e sua equipe política luta para desvinculá-lo da figura do ministro Alexandre de Moraes. A decisão de Mendonça sobre a ação de Santos será mais um capítulo dessa tensão.

Na quinta-feira, 17 de setembro, o governo federal anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e a média de auxílio de R$ 675 para R$ 777. Era o primeiro aumento desde março de 2023. Horas depois, Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, protocolou uma ação na Justiça Eleitoral contestando a medida. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, foi sorteado para relatar o caso.

Na representação encaminhada à Justiça, Santos qualificou o reajuste como "ilegal, inconstitucional e eleitoreiro". Seu argumento central é que o governo federal já tinha conhecimento da erosão do poder de compra dos beneficiários desde março de 2024, quando a inflação começou a corroer os valores, mas escolheu implementar o aumento justamente na reta final da campanha eleitoral. "Não se pode brincar com o processo eleitoral", escreveu na petição.

O candidato também questionou a falta de planejamento financeiro. Segundo sua argumentação, o governo não tinha clareza sobre de onde sairiam os R$ 5,8 bilhões necessários para custear a medida ainda em 2026. Para 2027, o custo adicional estimado é de R$ 22,7 bilhões. Nenhum desses valores estava previsto na lei orçamentária de 2026 ou no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, entregue ao Congresso Nacional em 31 de agosto. A proposta orçamentária terá de ser ajustada para acomodar a despesa.

A representação sustenta que o reajuste foi implementado "às pressas como estratégia eleitoral para reverter a avaliação do governo que está em queda". Santos acusa o Executivo de tentar "angariar, por meio da distribuição de recursos públicos, a simpatia dos eleitores em relação àqueles que já estão no poder". O texto da ação também aponta que a medida busca beneficiar candidatos que já aparecem nas pesquisas eleitorais.

Antes de Mendonça ser sorteado para o caso de Santos, o ministro já havia rejeitado uma ação similar protocolada pelo deputado Zé Trovão, do PL de Santa Catarina. Mendonça não analisou o mérito da questão, mas descartou a ação por entender que Trovão não tinha legitimidade ativa para propor esse tipo de processo naquela instância, uma vez que concorre apenas na esfera estadual.

O anúncio do reajuste ocorre em momento de turbulência política. O Supremo Tribunal Federal enfrenta uma crise sem precedentes, e o presidente Lula registra queda de popularidade nas pesquisas. A equipe responsável pela articulação política do governo tem dificuldade em desvinculá-lo da figura do ministro Alexandre de Moraes, que está no centro do conflito que atinge a Corte. Agora, a decisão de Mendonça sobre a ação de Renan Santos será mais um capítulo dessa tensão institucional.

O governo federal já tinha conhecimento da perda de poder aquisitivo dos beneficiários desde março de 2024, corroído pela inflação, mas escolheu implementar o aumento na reta final da campanha eleitoral
— Argumentação de Renan Santos na ação protocolada
O reajuste não foi planejado porque o governo federal ainda não sabe com certeza de onde sairão os R$ 5,8 bilhões necessários
— Alegação contida na representação de Renan Santos
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