No cruzamento entre a tecnologia e a justiça, dois ministros do Supremo Tribunal Federal descobriram que arquivos digitais extraídos do celular de um banqueiro investigado simplesmente não abriam em seus computadores. André Mendonça e Luiz Fux recorreram à Polícia Federal não por falta de autoridade, mas por falta de acesso — um detalhe técnico que, somado a uma suspensão institucional, mantém investigações de grande peso nacional paralisadas. O episódio revela como o destino de processos que envolvem bilhões de reais e instituições do Estado pode depender, por vezes, de um disco rígido que nã
Mendonça e Fux solicitam apoio da PF para acessar dados do celular de Vorcaro
Os arquivos não abrem, e ninguém sabe por quê
Por que dois ministros diferentes precisam pedir ajuda para abrir os mesmos arquivos? Não deveriam ter acesso garantido?
Tecnicamente sim, mas o que aconteceu aqui é que a PF entregou cópias dos dados brutos em um formato que não abriu nos computadores dos gabinetes. Pode ser um problema de compatibilidade, corrupção de arquivo ou até mesmo um defeito no disco rígido.
Espera — a PF conseguiu extrair os dados do celular de Vorcaro sem problema, mas não conseguiu entregá-los de forma que os ministros conseguissem usar? Isso levanta uma questão: como sabemos que os dados estão íntegros se ninguém consegue abri-los?
Exatamente por isso que Mendonça e Fux pediram verificação da integridade. Eles querem que a PF confirme que as cópias não foram corrompidas no processo de transferência.
E enquanto isso, as investigações ficam paradas?
Sim. Mendonça era o relator dos inquéritos sobre o Banco Master e as fraudes no INSS, mas Fachin retirou provisoriamente dele em 12 de setembro. Agora o processo está com Flávio Dino, que tem 90 dias para analisá-lo.
Então temos dois problemas: um técnico e outro institucional. O técnico pode ser resolvido em dias. O institucional pode durar até dezembro.
Isso mesmo. E enquanto Mendonça aguarda a devolução dos processos, ele não pode tomar nenhuma decisão sobre eles.
Qual é o risco real aqui — que os dados foram alterados, ou que simplesmente não conseguem acessá-los?
Não sabemos ainda. Por enquanto, temos apenas dois ministros dizendo que os arquivos não abrem. A PF precisa investigar por quê. Até lá, é especulação.
The Pulse
- Dois ministros do STF não conseguem abrir arquivos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e pedem socorro técnico à Polícia Federal.
- A falha pode estar no processo de acesso ou no próprio suporte de armazenamento entregue pela PF — e a integridade das cópias ainda precisa ser verificada.
- Outros três ministros — Zanin, Gilmar e Moraes — já tinham acesso ao mesmo material, criando uma assimetria de informação dentro da própria Corte.
- As investigações sobre o Banco Master e fraudes no INSS já estavam travadas desde 12 de setembro, quando Fachin retirou Mendonça temporariamente das relatorias.
- Com o pedido de vista de Flávio Dino, o julgamento pode ficar suspenso até dezembro — e Mendonça não pode agir enquanto não recuperar a condução dos inquéritos.
No cruzamento entre a tecnologia e a justiça, dois ministros do Supremo Tribunal Federal descobriram que arquivos digitais extraídos do celular de um banqueiro investigado simplesmente não abriam em seus computadores. André Mendonça e Luiz Fux recorreram à Polícia Federal não por falta de autoridade, mas por falta de acesso — um detalhe técnico que, somado a uma suspensão institucional, mantém investigações de grande peso nacional paralisadas. O episódio revela como o destino de processos que envolvem bilhões de reais e instituições do Estado pode depender, por vezes, de um disco rígido que não responde.
No sábado 19 de setembro, André Mendonça e Luiz Fux enviaram ofícios separados ao diretor-geral da Polícia Federal pedindo ajuda para acessar arquivos que não abriam em seus gabinetes. O material continha dados brutos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e havia se tornado central nas investigações que chegaram ao Supremo.
Os dois ministros descreveram o mesmo problema: os arquivos simplesmente não respondiam. A causa poderia ser uma falha técnica no processo de acesso ou um defeito no suporte de armazenamento. Além de pedir assistência, Mendonça e Fux solicitaram que a PF verificasse a integridade das cópias recebidas.
O material não era desconhecido para todos. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já o tinham em mãos, e em 15 de setembro o STF havia começado a julgar um relatório da PF com conversas entre Vorcaro e Moraes. Mendonça já guardava uma cópia lacrada dos dados brutos, mas quando o disco rígido foi compartilhado com os demais ministros, ele e Fux pediram suas próprias cópias — que chegaram inacessíveis.
O cenário institucional tornava tudo ainda mais delicado. Mendonça era relator de dois inquéritos — sobre o Banco Master e sobre fraudes nos descontos de benefícios do INSS —, mas em 12 de setembro o presidente Fachin o retirou provisoriamente dessas relatorias para submeter ao plenário pedidos de investigação que envolviam tanto Moraes quanto o próprio Mendonça. O julgamento começou três dias depois, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que tem até 90 dias para devolver o processo. As investigações, portanto, estão paralisadas — presas entre uma questão institucional ainda sem desfecho e arquivos que, por ora, ninguém consegue abrir.
No sábado 19 de setembro, dois ministros do Supremo Tribunal Federal enfrentaram um problema técnico que paralisou seu trabalho. André Mendonça e Luiz Fux enviaram ofícios separados ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pedindo ajuda para abrir arquivos que não conseguiam acessar nos computadores de seus gabinetes. Os arquivos continham dados brutos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master — material que se tornou central em investigações que envolvem a própria corte.
Os dois ministros descreveram o mesmo problema: os arquivos não abriam. A causa poderia ser uma falha técnica no processo de acesso ou um defeito no suporte de armazenamento entregue pela corporação. Mendonça e Fux também solicitaram que a PF verificasse a integridade das cópias que haviam recebido. Os ofícios já foram recebidos pela Polícia Federal.
O material em questão não era novo para todos os ministros. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já haviam recebido os arquivos anteriormente e, em 15 de setembro, o Supremo começou a julgar um relatório da PF que continha conversas entre Vorcaro e Moraes. Mendonça, por sua vez, já mantinha uma cópia lacrada dos dados brutos em seu gabinete. Quando os arquivos foram compartilhados com outros integrantes da Corte, ele e Fux pediram cópias do disco rígido que havia sido enviado aos demais ministros.
O contexto que levou a essa situação é complexo. Mendonça era o relator de dois inquéritos importantes: um sobre o Banco Master e outro sobre fraudes nos descontos de benefícios do INSS. Mas em 12 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou provisoriamente Mendonça da condução desses processos. A decisão ocorreu porque Fachin queria submeter ao plenário da Corte os pedidos de investigação que envolviam tanto Alexandre de Moraes quanto o próprio Mendonça — uma situação que exigia cuidado institucional.
O julgamento começou três dias depois, em 15 de setembro, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Segundo as regras do Supremo, Dino tem até 90 dias para devolver o processo, o que significa que a análise pode ficar suspensa até meados de dezembro. Fachin não indicou que pretende assumir as relatorias de forma permanente. Mendonça, enquanto isso, não pode tomar decisões sobre os inquéritos enquanto não recuperar sua condução deles. Na prática, as investigações sobre o Banco Master e as fraudes no INSS estão paralisadas — travadas tanto pela questão institucional quanto, agora, pelo problema técnico de acessar os dados que poderiam mover o processo adiante.
Notable Quotes
Os gabinetes não conseguiram abrir os arquivos. O problema pode estar relacionado a uma falha técnica no acesso ou a um defeito na mídia entregue.— Descrição dos ofícios de Mendonça e Fux à PF