No Estádio D. Afonso Henriques, o Vitória de Guimarães voltou a deparar-se com uma das contradições mais antigas do futebol: dominar sem converter, criar sem concluir. Tiago Margarido saiu frustrado de um empate a zero contra o Casa Pia que, pelas estatísticas e pelas oportunidades desperdiçadas, poderia ter sido uma vitória. Quatro pontos em cinco jornadas é o retrato de uma equipa que ainda procura a ponte entre o que produz e o que colhe.
Margarido: «Estatística avassaladora, resultado é extremamente injusto»
Acho que se estivéssemos aqui até amanhã a bola não entrava
Como é que Margarido explica a diferença entre o que o Vitória fez e o resultado que conseguiu?
Ele aponta para a falta de eficácia na finalização. A equipa criou muitas oportunidades, acertou duas vezes no poste, dominou o jogo com estatísticas claras, mas não conseguiu converter isso em golos. É uma frustração comum no futebol — quando tudo funciona menos a parte final.
Mas quantas oportunidades realmente claras é que houve? O relatório diz «muitas oportunidades» e «estatísticas avassaladoras», mas não especifica quantos remates foram, quantos à baliza, qual era a qualidade deles. Pode ser que o Casa Pia tenha defendido muito bem.
Margarido fala em quatro pontos em cinco jogos. Isso é realmente mau para um clube como o Vitória?
Para um clube com as ambições do Vitória, sim. Eles esperavam muito mais. O próprio treinador diz que os pontos esperados, pelo que produziram, deveriam ser muito superiores. Há uma sensação de que as coisas não estão a correr como planeado.
Mas «pontos esperados» é uma métrica que vem de análises estatísticas, não de Margarido. Ele está a usar a linguagem, mas o que ele realmente está a dizer é que sente que merecia ganhar. Isso é diferente de uma análise objetiva.
E quanto aos novos jogadores, Sidibe e Jakupovic? Parecem ser apostas importantes?
Margarido vê-os como jogadores que podem dar garantias. Sidibe está num processo de adaptação mas mostrou coisas positivas — velocidade, qualidade técnica com o pé esquerdo. Jakupovic é um tipo diferente de ponta de lança, mais associativo. Ambos parecem ter deixado uma boa impressão.
Mas é a estreia deles. Uma boa primeira exibição não significa que vão resolver os problemas de finalização do Vitória. Margarido está a ser otimista, o que é compreensível, mas é cedo para dizer que eles vão mudar a dinâmica da equipa.
Qual é o tom geral de Margarido nesta conferência?
Frustrado, mas responsável. Ele não culpa os jogadores, não culpa as circunstâncias. Assume a responsabilidade como treinador e promete continuar a lutar. É uma postura que os adeptos provavelmente apreciam.
Verdade, mas também é o que qualquer treinador diria nesta situação. O teste real é se conseguem resolver o problema de eficácia nas próximas semanas.
The Pulse
- Duas bolas no poste e estatísticas descritas como 'avassaladoras' resumem a agonia de um Vitória que dominou mas não marcou.
- Quatro pontos em cinco jogos é um arranque de época que ninguém no clube considera aceitável, e o treinador não fugiu a essa realidade.
- Margarido apresentou-se junto dos adeptos no final, assumindo responsabilidade num resultado que atribuiu à falta de eficácia e não à falta de esforço.
- As estreias de Sidibe e Jakupovic trouxeram sinais positivos, com o técnico a garantir que ambos terão mais minutos pela frente.
- O foco agora é Viseu, onde o Vitória tentará transformar domínio em pontos e frustração em alívio.
No Estádio D. Afonso Henriques, o Vitória de Guimarães voltou a deparar-se com uma das contradições mais antigas do futebol: dominar sem converter, criar sem concluir. Tiago Margarido saiu frustrado de um empate a zero contra o Casa Pia que, pelas estatísticas e pelas oportunidades desperdiçadas, poderia ter sido uma vitória. Quatro pontos em cinco jornadas é o retrato de uma equipa que ainda procura a ponte entre o que produz e o que colhe.
Tiago Margarido deixou o Estádio D. Afonso Henriques com a frustração visível. O empate sem golos contra o Casa Pia não refletia, na sua leitura, o que aconteceu no relvado: o Vitória dominou, criou oportunidades em abundância, acertou duas vezes no poste e produziu estatísticas que o próprio técnico classificou de avassaladoras. A bola, porém, não entrou. «Temos de ser mais eficazes», disse Margarido, reconhecendo que a finalização continua a ser o ponto fraco da equipa nesta fase da temporada.
O arranque de época fica aquém do esperado. Quatro pontos em cinco jogos é um registo que o treinador não tenta disfarçar, e por isso foi ter com os adeptos no final do encontro, assumindo a sua parte no resultado. O problema, sublinhou, não era de atitude — os jogadores deram tudo — mas de capacidade de converter oportunidades em golos.
Taticamente, Margarido justificou a utilização do Doucet como médio box to box, em vez da posição habitual de médio defensivo, pela altura dos jogadores do Casa Pia, o que exigiu cuidados especiais na organização defensiva. A equipa entrou intranquila, mas foi crescendo, e na segunda parte o domínio foi ainda mais evidente.
As estreias de Sidibe e Jakupovic deixaram boas impressões. O primeiro revelou velocidade e saída de jogo pelo pé esquerdo; o segundo, um ponta de lança de apoio, mostrou capacidade de associação. Margarido acredita que ambos terão mais minutos. O próximo desafio é em Viseu, e a eficácia continua a ser a questão que o técnico carrega consigo.
Tiago Margarido saiu da sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques com a frustração estampada no rosto. O treinador do Vitória de Guimarães tinha acabado de presenciar um empate sem golos contra o Casa Pia — um resultado que, pela sua leitura dos acontecimentos, não refletia o que se tinha passado no relvado durante os noventa minutos.
A equipa minhota tinha dominado o jogo com clareza. Criou oportunidades abundantes, acertou duas vezes no poste, produziu estatísticas que Margarido descreveu como «avassaladoras». Mas a bola não entrou. E nesse fosso entre o que se fez e o que se marcou reside a frustração do técnico. «Temos de ser mais eficazes», disse, reconhecendo que a finalização continua a ser o calcanhar de Aquiles da equipa nesta fase da temporada. Margarido foi direto: se estivessem ali até ao dia seguinte, a bola provavelmente não entraria na mesma.
O arranque de época não satisfaz ninguém. Quatro pontos em cinco jogos é um registo que fica aquém do que o Vitória esperava produzir. O técnico não fugiu à responsabilidade. Apresentou-se junto dos adeptos no final do encontro, assumindo a sua quota-parte no resultado. Os jogadores tinham dado tudo, tinham trabalhado, tinham-se esforçado. O problema não era de atitude ou de dedicação — era de eficácia, de capacidade de converter oportunidades em golos.
Margarido explicou algumas das suas escolhas táticas. O Doucet, habitualmente um médio defensivo, tinha sido posicionado como médio box to box nesta partida. A razão era simples: o Casa Pia apresentava uma equipa muito alta, com quatro jogadores acima de um metro e oitenta, o que exigiu cuidados especiais na construção defensiva. A equipa entrou intranquila, mas foi crescendo ao longo do jogo. Já na primeira parte, o treinador acreditava que o Vitória merecia ter chegado ao intervalo em vantagem. Na segunda metade, o domínio foi ainda mais evidente.
Dois jogadores fizeram a sua estreia. Sidibe mostrou-se rápido e ofereceu uma saída de jogo mais limpa com o pé esquerdo, justificando a oportunidade que lhe foi dada num processo de adaptação ainda em curso. Jakupovic, um ponta de lança de apoio que gosta de se associar e sair dos centrais, também deixou boas impressões. Margarido acredita que ambos jogarão novamente, que as garantias que ofereceram serão suficientes para lhes dar mais minutos.
O que alimenta o Vitória são as vitórias, disse o treinador. Os pontos esperados, o que a equipa tem produzido até agora, mereciam um registo muito mais positivo. Mas o futebol nem sempre recompensa o que se merecia. Margarido mantém a confiança, mantém a luta. O próximo desafio é em Viseu, e lá estará novamente preparado para competir. A eficácia, porém, continua a ser a questão que o mantém acordado.
Notable Quotes
Muito frustrado com este resultado. A equipa trabalhou, produziu, teve muitas oportunidades, mas mais uma vez faltou a finalização.— Tiago Margarido, treinador do Vitória de Guimarães
Quatro pontos em cinco jogos não satisfaz, o que nos alimenta são as vitórias, vamos continuar a lutar.— Tiago Margarido