Marçal fica irritado com projeto de criptomoeda pró-Flávio que enfrenta colapso

Vocês são um bando de frouxo, faça esse gráfico subir
Kevim Flores pressionava investidores quando a cotação da B22 desabou, dias após o lançamento.
Mark

Por que alguém criaria uma criptomoeda para promover um candidato? Parece arriscado.

Mimi

Era uma memecoin — basicamente tokens oferecidos a quem compartilhasse conteúdo favorável a Flávio Bolsonaro. O projeto também prometia destinar recursos para crianças de Uganda, o que dava uma camada de legitimidade social.

Luke

Mas quem realmente criou isso? O texto diz que Kevim Flores era um dos principais responsáveis, mas não deixa claro quem estava por trás da iniciativa ou se havia aprovação formal da campanha.

Mimi

Boa pergunta. A campanha de Flávio negou qualquer ligação, e o TSE bloqueou o site por abuso de poder econômico. Parece que foi uma operação paralela.

Mark

E o Pablo Marçal? Ele estava envolvido?

Mimi

Não diretamente. Mas Nahuel Medina, ligado a Marçal, participou de discussões sobre o projeto, e Marçal aparentemente ficou irritado com alguém envolvido. Seu nome também apareceu em um vídeo com crianças de Uganda.

Luke

Aqui está o problema: sabemos que Marçal ficou "puto" porque Kevim Flores disse isso em um áudio. Não temos confirmação direta de Marçal ou de Medina sobre o nível de envolvimento ou a razão da irritação.

Mark

E quanto aos investidores? Perderam dinheiro?

Mimi

Sim. A cotação desabou rapidamente após o lançamento na terça-feira. Flores pressionava as pessoas a sustentar o preço, chamando-as de "frouxos" por venderem.

Luke

Mas não sabemos quanto dinheiro foi investido ou quantas pessoas foram prejudicadas. O texto não fornece esses números.

Mark

O que aconteceu com o dinheiro destinado às crianças de Uganda?

Mimi

O grupo Hypers Kids Africa devolveu os 120 milhões de tokens e pediu desculpas, dizendo que não sabia que o projeto era político. Queriam apenas recursos para construir uma casa.

Luke

Isso levanta uma questão: o grupo africano foi enganado deliberadamente ou simplesmente não fez perguntas suficientes antes de se associar ao projeto?

  • A B22 desvalorizou rapidamente após seu lançamento em 6 de outubro, transformando entusiasmo inicial em pânico entre investidores que viram seus tokens perderem valor em dias.
  • Kevim Flores, idealizador do projeto, passou a pressionar participantes via WhatsApp com linguagem agressiva, acusando 'petistas' de derrubar o preço e exigindo que o gráfico subisse.
  • Pablo Marçal, cujo nome circulava nos bastidores e em vídeos do projeto, teria ficado furioso com um produtor envolvido — expondo tensões internas que contradiziam a fachada de unidade.
  • O grupo africano Hypers Kids Africa, que aparecia em vídeos com crianças vestindo camisetas da B22, apagou seu conteúdo, devolveu os tokens recebidos e pediu desculpas ao público brasileiro.
  • A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou o bloqueio do site após ação da campanha de Lula por abuso de poder econômico, forçando a suspensão das recompensas eleitorais.
  • A campanha de Flávio Bolsonaro encerrou o episódio negando qualquer ligação com a criptomoeda e anunciando medidas judiciais contra os próprios criadores do projeto.

Em menos de uma semana, a memecoin B22 — criada para converter engajamento digital em votos para Flávio Bolsonaro — colapsou sob o peso de sua própria contradição: uma moeda que prometia causa social e recompensas eleitorais ao mesmo tempo. O Tribunal Superior Eleitoral interveio, bloqueando o site por abuso de poder econômico, enquanto parceiros africanos se retiraram envergonhados e a própria campanha do candidato negou qualquer vínculo com a iniciativa. O episódio revela os limites frágeis entre inovação tecnológica, propaganda eleitoral e a lei — e o custo humano de projetos construídos sobre promessas que o mercado e a justiça não sustentam.

Uma memecoin chamada B22 foi lançada em 6 de outubro com uma proposta incomum: oferecer tokens digitais a quem compartilhasse conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro. O projeto também prometia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda, por meio de parceria com o grupo Hypers Kids Africa, que conta com milhões de seguidores no Instagram — uma combinação de causa social e estratégia eleitoral que logo revelaria suas contradições.

A cotação despencou em poucos dias. Kevim Flores, um dos responsáveis pela iniciativa, reagiu pressionando participantes por WhatsApp com mensagens agressivas, culpando adversários políticos pela queda e ordenando que o preço subisse. Nos bastidores, discutia retirar conteúdos políticos do site antes das eleições — sinal de que a preocupação com consequências legais já era real. O nome de Pablo Marçal circulava no projeto: segundo o próprio Flores, Marçal teria ficado furioso com um produtor envolvido na iniciativa.

A intervenção judicial veio na sexta-feira, 9 de outubro. A campanha do presidente Lula apresentou ação no TSE alegando abuso de poder econômico, e a ministra Estela Aranha determinou o bloqueio do site. A decisão acelerou o desmonte: o grupo africano apagou seus vídeos, devolveu os 120 milhões de tokens recebidos e pediu desculpas, explicando que esperava apenas recursos para construir uma casa e não queria envolvimento político.

Os responsáveis pela B22 removeram os pedidos de voto e suspenderam as recompensas por compartilhamentos. A campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer vínculo com o projeto e anunciou ações judiciais contra seus criadores. O que nasceu como estratégia criativa de mobilização eleitoral terminou em colapso financeiro, investigação judicial e parceiros públicos alegando ter sido enganados sobre a verdadeira natureza do que estavam promovendo.

Uma criptomoeda criada para impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro entrou em colapso antes mesmo de completar uma semana de vida, deixando para trás uma trilha de investidores furiosos, parceiros arrependidos e tensões internas que chegaram até Pablo Marçal. A B22, lançada na terça-feira 6 de outubro, era uma memecoin — aquele tipo de moeda digital nascida de memes e tendências da internet — que oferecia tokens para quem compartilhasse conteúdos favoráveis ao candidato do PL. O projeto também prometia destinar parte dos recursos para crianças de Uganda, através de uma parceria com o grupo Hypers Kids Africa, que reúne 12,9 milhões de seguidores no Instagram.

Kevim Flores, um dos principais responsáveis pela iniciativa, começou a pressionar participantes já na quinta-feira, 8 de outubro, quando a cotação despencou. "Vocês são um bando de frouxo", escreveu em mensagens de WhatsApp divulgadas no sábado. Ele acusou "petistas" de vender seus investimentos e ordenou: "Faça esse gráfico subir". Em outro momento, descreveu a B22 como estando a "preço de banana se for especular uma possível vitória do Flávio". Enquanto isso, Flores discutia internamente mudanças na estratégia, incluindo a retirada de conteúdos políticos do site até o dia da eleição — uma manobra que sugeria preocupação com possíveis problemas legais.

A irritação de Flores não era a única. Segundo seu próprio relato em áudio enviado pelo WhatsApp, Pablo Marçal ficou furioso com um produtor envolvido no projeto. Nahuel Medina, ligado a Marçal, teria aconselhado Flores a manter o site da moeda funcionando, desde que estivesse tranquilo com a iniciativa. Flores então afirmou que "o Pablo ficou puto com ele", referindo-se ao produtor como braço direito de Marçal na área de mídia. O nome de Marçal também apareceu em um vídeo divulgado pelo grupo africano, no qual crianças vestidas com camisetas da B22 incentivavam votos em Flávio Bolsonaro e mencionavam tanto o empresário quanto o deputado Nikolas Ferreira.

O projeto, porém, não resistiu ao escrutínio legal. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral, alegando abuso de poder econômico. Os advogados solicitaram o bloqueio da página e a proibição das recompensas oferecidas em troca de propaganda eleitoral. Na sexta-feira, 9 de outubro, a ministra Estela Aranha determinou que o site da criptomoeda fosse retirado do ar.

A decisão do TSE desencadeou uma série de consequências. O Hypers Kids Africa, o grupo de Uganda que supostamente seria beneficiado pela iniciativa, apagou seu vídeo de divulgação da B22, anunciou que devolveria os 120 milhões de tokens recebidos e pediu desculpas ao público brasileiro. Seus integrantes explicaram que esperavam conseguir recursos para concluir a construção de uma casa e que não desejavam qualquer envolvimento com partidos políticos. Flores, antecipando essa possibilidade, havia comentado semanas antes: "Se a HyperKids quiser devolver os tokens, está tudo certo. Eu vou arrumar outro grupo — e dessa vez provavelmente um grupo brasileiro — para transferir essa causa social".

Após a ordem judicial, os responsáveis pela B22 removeram os pedidos de voto de sua página e anunciaram a suspensão das recompensas por compartilhamentos favoráveis a candidatos bolsonaristas. O projeto informou que manteria uma comunicação exclusivamente social até 25 de outubro. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, negou qualquer ligação com a criptomoeda e anunciou que adotaria medidas judiciais contra a iniciativa. O que começou como uma estratégia criativa de arrecadação de votos terminou em desvalorização acelerada, investigação eleitoral e um rompimento público com parceiros que alegavam ter sido enganados sobre a natureza política do projeto.

Vocês são um bando de frouxo... Faça esse gráfico subir
— Kevim Flores, em mensagens de WhatsApp após queda na cotação
Esperávamos conseguir recursos para concluir a construção de uma casa e não desejávamos envolvimento com partidos políticos
— Hypers Kids Africa, ao anunciar devolução dos tokens
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