Mais de 16 mil capixabas usam canetas emagrecedoras em boom de vendas

Chega e sai rápido
Farmacêutica descreve a velocidade com que estoques de Mounjaro se esgotam nas prateleiras.
Mark

Por que essas canetas explodiram em popularidade justamente agora, em 2025?

Mimi

Porque funcionam. Não é marketing — é resultado. Pacientes que falharam em dietas, exercícios e outros medicamentos conseguem resposta real e rápida. Quando algo assim aparece, as pessoas notam.

Mark

Mas medicamentos para emagrecer existem há décadas. O que torna esses diferentes?

Mimi

A eficácia é outra escala. Reduzir 15 a 20% do peso corporal é significativo. E não é apenas peso — é controle do apetite, da compulsão. Pacientes descrevem como se o corpo finalmente obedecesse.

Mark

O Mounjaro lidera com 477 mil unidades vendidas em um mês. Como uma medicação nova consegue dominar o mercado tão rápido?

Mimi

Porque é melhor. É um agonista duplo — imita dois hormônios em vez de um. Os resultados são mais consistentes. Quando os médicos e pacientes percebem a diferença, mudam de medicação.

Mark

Há uma questão de acesso aqui, não é? Nem todos podem pagar por essas canetas.

Mimi

Verdade. Isso cria uma divisão. Quem tem recursos consegue acesso a um tratamento revolucionário. Quem não tem fica esperando as patentes vencerem e os genéricos chegarem — o que pode levar anos.

Mark

A semaglutida perde patente em março. Isso vai mudar o jogo?

Mimi

Vai baratear, sim. Mas a tirzepatida, que é a melhor, fica protegida até 2036. Então há ainda uma longa espera para quem precisa do melhor e não pode pagar.

Mark

Você mencionou que alguns pacientes deixam de gastar com outras coisas para pagar pelas canetas. Isso não é preocupante?

Mimi

É revelador. Mostra que as pessoas reconhecem o valor real do tratamento. Mas também mostra que estamos deixando um tratamento revolucionário ser acessível apenas para quem consegue reorganizar seu orçamento em torno dele.

  • Mais de 16 mil pessoas no Espírito Santo usam canetas emagrecedoras
  • 821 mil unidades vendidas em novembro de 2025 no Brasil
  • Mounjaro lidera com 477 mil unidades e crescimento de 30% ao mês
  • Medicamentos reduzem 15-20% do peso corporal
  • Tirzepatida mantém patente exclusiva até 2036

Medicamentos agonistas de GLP-1 reduzem 15-20% do peso corporal e controlam apetite, revolucionando tratamento de obesidade e diabetes no Brasil. Mounjaro lidera vendas com crescimento superior a 30%, enquanto semaglutida e tirzepatida consolidam-se como opções terapêuticas principais no mercado.

Mais de 16 mil pessoas no Espírito Santo usam medicamentos injetáveis GLP-1 para perder peso, com vendas de 820 mil unidades em novembro de 2025, marcando crescimento histórico no tratamento de obesidade e diabetes.

Nas farmácias do Espírito Santo, uma mudança silenciosa está acontecendo. Mais de 16 mil pessoas passaram a usar medicamentos injetáveis conhecidos como canetas emagrecedoras para controlar o peso e tratar diabetes. O fenômeno não é isolado: em novembro de 2025, farmácias brasileiras venderam 821 mil unidades desses medicamentos, um crescimento que especialistas descrevem como histórico.

Essas canetas contêm agonistas de GLP-1, uma classe de medicamentos que funciona imitando um hormônio natural do corpo. Quando injetados, estimulam o pâncreas a produzir mais insulina, retardam o esvaziamento do estômago e atuam no cérebro para reduzir o apetite. O resultado é uma redução de peso que varia entre 15% e 20% do peso corporal — um índice que impressiona pacientes e médicos. A tirzepatida, comercializada como Mounjaro, diferencia-se por ser um agonista duplo, imitando não apenas o GLP-1 mas também outro hormônio intestinal chamado GIP.

O Mounjaro consolidou-se rapidamente como o produto líder no mercado. Em novembro, foram vendidas 477 mil unidades apenas dessa medicação, representando crescimento superior a 30% em relação ao mês anterior. O Wegovy, versão da semaglutida para controle de peso, ficou em segundo lugar com 223 mil unidades vendidas, enquanto o Ozempic, também semaglutida mas indicado para diabetes, vendeu 95 mil unidades. Natália Possatti, farmacêutica que trabalha no balcão de vendas, observa que a procura vinha crescendo gradualmente, mas ganhou novo impulso quando o Mounjaro chegou ao mercado. "Chega e sai rápido", resume ela, descrevendo a velocidade com que os estoques se esgotam.

A médica endocrinologista Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo, vê nessa expansão uma transformação no modo como a obesidade é tratada. A doença agora é reconhecida com código de classificação internacional e está associada a complicações graves como diabetes, hipertensão, acidente vascular cerebral e doença hepática. A conscientização sobre esses riscos tem impulsionado a busca pelas medicações. Para Julião, a classe de medicamentos GLP-1 merece ser chamada de disruptiva — não apenas pelo percentual de perda de peso, mas pela mudança que representa no tratamento de uma condição crônica.

A nutróloga Mariana Comério aponta que o crescimento das vendas está diretamente ligado aos resultados visíveis e rápidos que os pacientes experimentam. "É uma medicação revolucionária", afirma. O que mais impressiona seus pacientes é o controle sobre o apetite e a compulsão alimentar — algo que muitos tentaram alcançar por anos sem sucesso em outros tratamentos. Essa eficácia é tão convincente que alguns pacientes começam a reorganizar suas prioridades financeiras. Há relatos de pessoas que deixam de gastar com delivery e bebidas alcoólicas, que mudam seus padrões alimentares e até reduzem o uso de medicamentos para hipertensão, colesterol ou diabetes, priorizando o gasto com as canetas emagrecedoras.

O mercado de medicamentos para emagrecer e controlar diabetes está em transformação também no nível das patentes. A liraglutida, a mais antiga dessa classe, já perdeu proteção de patente, e em 2025 a empresa EMS lançou versões genéricas. A semaglutida terá sua patente expirada em março, embora a Novo Nordisk tenha solicitado uma extensão. A tirzepatida, porém, permanecerá sob exclusividade da Eli Lilly até 2036. Essa diferença de cronograma significa que os preços podem começar a cair para alguns medicamentos enquanto outros permanecerão caros por mais uma década.

O Brasil vive o que especialistas chamam de epidemia de obesidade, com prevalência aumentando 77,4% em 15 anos. As canetas emagrecedoras representam uma resposta farmacológica a essa crise de saúde pública, mas também revelam algo sobre como a medicina moderna trata doenças crônicas: quando um tratamento funciona de verdade, as pessoas reorganizam suas vidas em torno dele. No Espírito Santo, 16 mil pessoas já fizeram essa escolha.

É uma medicação revolucionária. O que impressiona é o controle sobre o apetite e a compulsão alimentar.
— Mariana Comério, nutróloga
A obesidade é condição reconhecida com CID, associada a quadros como diabetes, hipertensão, AVC e doença hepática.
— Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, endocrinologista
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