Macron lidera pesquisa francesa, mas extrema direita avança com Zemmour em 3º lugar

Zemmour ocupa o terreno que ela deixou
Jean-Marie Le Pen explicando por que apoiaria o jornalista em vez de sua filha Marine.
Mark

Por que Zemmour cresceu sete pontos em apenas um mês? O que mudou?

Mimi

Ele intensificou suas aparições na mídia e começou uma pré-campanha explícita. A TV CNews até cancelou seu programa por causa disso. Mas há algo mais — ele está ocupando um espaço que Marine Le Pen deixou vago, uma radicalidade que o partido dela decidiu abandonar.

Luke

Espera. A pesquisa mostra que ele cresceu, mas não explica o mecanismo. Sabemos que ganhou votos, mas de onde vieram? Do partido de Le Pen, da direita tradicional, de quem não votava antes?

Mimi

A análise do Ipsos sugere que vem principalmente da Reunião Nacional, especialmente entre eleitores de classes superiores. Mas é uma interpretação de um instituto — não temos dados brutos que confirmem isso.

Mark

E Marine Le Pen está preocupada?

Mimi

Ela deveria estar. Seu próprio pai disse que apoiaria Zemmour se ele ficasse à frente dela. Mas a liderança atual do partido recusa essa volta à radicalidade.

Luke

Macron ainda lidera com 24%, certo? Então por que a extrema direita é a história aqui?

Mimi

Porque ela está fragmentada de um jeito novo. Historicamente, a extrema direita francesa tinha um rosto. Agora tem dois, e eles estão em guerra. Isso pode mudar tudo no segundo turno.

Mark

Macron já confirmou que vai concorrer?

Mimi

Não oficialmente. Mas é praticamente certo que ele vai.

Luke

Então temos um presidente que lidera mas não confirmou candidatura, uma extrema direita dividida, e um jornalista que ainda não é formalmente candidato mas já está em terceiro lugar. Muita coisa ainda está em aberto.

  • Emmanuel Macron lidera com 24% das intenções de voto no primeiro turno
  • Éric Zemmour alcançou 15%, crescimento de sete pontos em um mês
  • Marine Le Pen tem 16%, dividindo o eleitorado de extrema direita com Zemmour
  • Pesquisa realizada em 29 e 30 de setembro com 1.500 pessoas

Emmanuel Macron lidera com 24% das intenções de voto no primeiro turno, mas enfrenta crescimento da extrema direita nas sondagens. Éric Zemmour, jornalista controverso, alcançou 15% e ameaça Marine Le Pen da Reunião Nacional, que tem 16%, dividindo o eleitorado de direita.

Seis meses antes das eleições presidenciais francesas de 2022, pesquisa mostra Macron com 24% das intenções de voto, enquanto dois candidatos de extrema direita ocupam segundo e terceiro lugares.

Seis meses antes do pleito presidencial francês de 2022, o cenário político começava a se redesenhar de forma inesperada. Emmanuel Macron mantinha a liderança nas intenções de voto com 24%, mas o que mais chamava atenção era o avanço acelerado da extrema direita, que ocupava agora a segunda e terceira posições na preferência dos eleitores. A pesquisa divulgada pelos institutos Ipsos e Sopra Steria no primeiro dia de outubro revelava uma dinâmica política em transformação, com dois nomes disputando o espaço que historicamente pertencia a um único polo.

Éric Zemmour, jornalista e escritor conhecido por suas posições reacionárias e críticas contundentes à imigração, havia conquistado 15% das intenções de voto — um salto de sete pontos em relação à sondagem realizada no início de setembro. Embora não tivesse formalmente anunciado sua candidatura, Zemmour conduzia uma pré-campanha intensa nas últimas semanas, multiplicando suas aparições na mídia e participando de debates públicos. Sua presença na televisão havia se tornado tão proeminente que a emissora CNews decidiu cancelar seu programa no mês anterior, citando justamente essa atividade pré-eleitoral como motivo. Em um confronto televisionado com o esquerdista Jean-Luc Mélenchon em 23 de setembro, Zemmour não evitou seus temas habituais, afirmando que a religião islâmica "dita normas sociais e políticas" e seria incompatível com a França.

O crescimento de Zemmour criava uma situação incômoda para Marine Le Pen e seu partido, a Reunião Nacional, que registrava 16% das intenções de voto. Pela primeira vez em anos, a extrema direita francesa não falava com uma única voz. Segundo análise do delegado-geral do Ipsos, Brice Teinturier, havia uma "clara divisão do eleitorado de Marine Le Pen". Os eleitores das classes populares mantinham sua preferência pela candidata da Reunião Nacional, mas os votantes de classes superiores migravam para Zemmour, atraídos por sua retórica mais radical. Zemmour havia ultrapassado Xavier Bertrand, candidato do partido Os Republicanos, que permanecia em quarto lugar com 14%.

A situação gerava tensões internas na própria família Le Pen. Jean-Marie Le Pen, pai de Marine e figura histórica da extrema direita francesa, declarou ao jornal Le Monde que apoiaria Zemmour se o jornalista estivesse melhor posicionado que a Reunião Nacional, argumentando que "Marine abandonou seu posicionamento forte e Éric ocupa o terreno que ela deixou". A nova liderança do partido, porém, não demonstrava arrependimento. Jordan Bardella, presidente interino da Reunião Nacional, recusou-se a fazer concessões, afirmando que não tinham "vontade de retomar essa radicalidade" que caracterizava a abordagem de Zemmour.

No espectro da esquerda, Jean-Luc Mélenchon e o ecologista Yannick Jadot dividiam a quinta posição com 9% cada um das intenções de voto. Anne Hidalgo, prefeita de Paris e candidata pelo Partido Socialista, registrava 5,5%. Macron, embora não tivesse formalmente confirmado sua candidatura à reeleição, era dado como certo para disputar o pleito. A pesquisa havia sido realizada nos dias 29 e 30 de setembro com 1.500 pessoas representativas da população francesa maior de idade. O que se desenhava era um cenário fragmentado na direita e na extrema direita, com a possibilidade real de que a divisão do voto conservador pudesse redefinir completamente o resultado final das eleições de 2022.

Há uma clara divisão do eleitorado de Marine Le Pen
— Brice Teinturier, delegado-geral do Ipsos
Marine abandonou seu posicionamento forte e Éric ocupa o terreno que ela deixou
— Jean-Marie Le Pen, ao jornal Le Monde
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