Em Macaé, cidade litorânea do interior fluminense, o sistema público de saúde fez o que nenhuma outra cidade da região conseguiu: colocar a semaglutida ao alcance de quem não poderia jamais pagá-la. A Clínica da Obesidade, com cerca de 800 pacientes e uma equipe multidisciplinar, parte de uma premissa simples e profunda — obesidade é doença crônica, não falha de caráter. O que se constrói ali não é apenas um tratamento, mas um caminho de volta à dignidade e à mobilidade para pessoas que o sistema havia deixado para trás.
Macaé é única cidade fora do Rio a oferecer semaglutida gratuitamente pelo SUS
Recuperou mobilidade e transformou a relação com a alimentação
Por que Macaé conseguiu fazer isso quando outras cidades não conseguem?
A clínica foi estruturada como um programa de saúde pública, não como um serviço isolado. Tem equipe multidisciplinar permanente e protocolo clínico rigoroso. Isso permite que o município justifique o investimento e mantenha a qualidade.
Seis meses de acompanhamento antes de receber a medicação parece longo. Por quê?
Porque a obesidade não é um problema que aparece do nada. Pacientes chegam com hábitos de anos. Seis meses permite avaliar se a pessoa está realmente comprometida, se consegue fazer mudanças, se tem suporte psicológico. A medicação funciona melhor quando o paciente já começou a mudar.
E se a pessoa não conseguir perder peso mesmo com tudo isso?
Aí entra a cirurgia bariátrica como opção. Mas o programa não abandona ninguém. Continua o acompanhamento, continua ajustando. É tratamento crônico mesmo.
Qual é o custo disso para o município?
Não está no material, mas é claro que é significativo. Oitocentos pacientes, equipe multidisciplinar, medicação cara. Mas o município decidiu que vale a pena. Provavelmente porque reduz internações, complicações, custos futuros com diabetes e hipertensão.
O que muda na vida de alguém como Marilza além do peso?
Tudo. Ela recupera mobilidade, consegue fazer coisas que não fazia. A autoestima volta. Ela não se vê mais como alguém quebrado. E isso muda como ela se relaciona com comida, com o corpo, com o futuro.
Der Puls
- A semaglutida, medicamento de alto custo popularmente chamado de 'caneta emagrecedora', era inacessível para a maioria dos pacientes com obesidade severa no interior do Rio de Janeiro — até Macaé mudar esse cenário.
- Cerca de 800 pacientes já estão cadastrados na Clínica da Obesidade, única no interior fluminense a oferecer o medicamento gratuitamente pelo SUS, criando uma demanda que pressiona o programa a se manter estruturado e criterioso.
- O acesso não é imediato: exige encaminhamento por nutricionista, IMC acima de 40 ou acima de 35 com comorbidades, e pelo menos seis meses de acompanhamento multidisciplinar antes de qualquer indicação de medicação.
- Pacientes como Marilza, que perdeu 20 quilos e recuperou mobilidade que havia perdido, mostram que os resultados vão além da balança — autoestima, alimentação e qualidade de vida se transformam junto.
- O programa posiciona medicação e cirurgia bariátrica como ferramentas complementares, não como atalhos, sinalizando um modelo de saúde pública que aposta na autonomia e no acompanhamento contínuo do paciente.
Em Macaé, cidade litorânea do interior fluminense, o sistema público de saúde fez o que nenhuma outra cidade da região conseguiu: colocar a semaglutida ao alcance de quem não poderia jamais pagá-la. A Clínica da Obesidade, com cerca de 800 pacientes e uma equipe multidisciplinar, parte de uma premissa simples e profunda — obesidade é doença crônica, não falha de caráter. O que se constrói ali não é apenas um tratamento, mas um caminho de volta à dignidade e à mobilidade para pessoas que o sistema havia deixado para trás.
Macaé tornou-se uma exceção notável no interior do Rio de Janeiro. Enquanto a maioria das cidades depende da capital para acessar certos tratamentos, esta cidade litorânea passou a oferecer semaglutida gratuitamente pelo SUS — algo que nenhuma outra no interior fluminense conseguiu. A Clínica da Obesidade já reúne cerca de 800 pacientes cadastrados e funciona com uma equipe que inclui nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos, cirurgiões bariátricos e assistentes sociais.
O programa não abre mão de critérios. Pacientes chegam encaminhados quando apresentam IMC acima de 40, ou superior a 35 associado a condições como diabetes ou hipertensão. Só após pelo menos seis meses de acompanhamento — com consultas individuais, atividades em grupo e reeducação alimentar — a medicação pode ser indicada. A entrada começa por uma consulta simples na rede básica de saúde; o que vem depois é um processo estruturado, com responsabilidade compartilhada.
Marilza de Oliveira Nascimento Rodrigues chegou pesando 150 quilos. Com o programa, chegou a 130 — mas o que mudou de verdade foi mais do que o peso. Ela recuperou mobilidade, transformou sua relação com a comida e ganhou acesso a um cuidado integral que seu orçamento jamais teria permitido. A história dela resume o que o programa propõe: não um atalho, mas um caminho de volta.
A premissa que sustenta tudo é que obesidade é doença crônica, não questão de vontade. Por isso, o tratamento não termina com a medicação — continua, exige acompanhamento permanente e aposta na construção da autonomia do paciente. Semaglutida e cirurgia bariátrica entram como ferramentas complementares, quando a indicação clínica justifica. O que Macaé criou é raro: um modelo público que trata a obesidade com a seriedade que ela exige.
Macaé tornou-se um ponto de referência incomum no interior do Rio de Janeiro. Enquanto a maioria das cidades do estado depende do Rio de Janeiro para acessar certos tratamentos de saúde, esta cidade litorânea conseguiu fazer algo que nenhuma outra no interior conseguiu: oferecer semaglutida gratuitamente pelo sistema público. O medicamento, conhecido popularmente como caneta emagrecedora, é distribuído através de uma clínica especializada que já atende cerca de 800 pacientes cadastrados.
O programa não é simples nem automático. Pacientes chegam encaminhados por nutricionistas da rede municipal quando apresentam índice de massa corporal acima de 40, ou superior a 35 quando associado a outras condições como diabetes, hipertensão ou problemas cardíacos. Uma vez no programa, passam por uma equipe que reúne nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos, cirurgiões bariátricos e assistentes sociais. O tratamento combina consultas individuais, atividades em grupo, reeducação alimentar e mudanças no estilo de vida. Apenas após pelo menos seis meses de acompanhamento e cumprimento dos critérios clínicos é que a medicação pode ser indicada.
Marilza de Oliveira Nascimento Rodrigues é um dos rostos desse programa. Ela chegou pesando 150 quilos e, com o acompanhamento da clínica, conseguiu reduzir para 130 quilos. Mas o número na balança não conta a história inteira. Ela recuperou mobilidade que havia perdido. Sua autoestima mudou. Sua relação com comida se transformou. Refrigerantes e açúcar excessivo saíram de seu cardápio. Escolhas mais saudáveis ocuparam seu lugar. Para ela, o atendimento gratuito significou algo que seu orçamento familiar nunca teria permitido: acesso a um tratamento integral.
A estrutura do programa reconhece que obesidade é uma doença crônica, não um problema de vontade ou disciplina. Por isso, o tratamento não termina quando a medicação começa. Continua. Exige acompanhamento permanente, estratégias para manter os resultados, construção de autonomia do paciente e, fundamentalmente, melhora na qualidade de vida. A semaglutida e a cirurgia bariátrica funcionam como ferramentas complementares quando a indicação clínica justifica seu uso.
O que Macaé fez foi criar um caminho estruturado para pessoas que, de outra forma, não teriam acesso a esse tipo de cuidado. A entrada no programa começa simples: uma consulta com nutricionista na Estratégia Saúde da Família ou na Unidade Básica de Saúde de referência. A partir daí, a rede multidisciplinar toma conta. Não é um atalho. É um processo pensado, com critérios, com acompanhamento, com responsabilidade. E funciona.
Bemerkenswerte Zitate
O atendimento gratuito possibilitou acesso a um tratamento que não caberia no orçamento familiar— Marilza de Oliveira Nascimento Rodrigues, paciente da clínica