Lula torna Move Brasil permanente e amplia público a 20 dias do 1º turno

quem ganha menos é quem trabalha
Lula hierarquiza os ganhos do Move Brasil, reconhecendo que o programa beneficia toda a cadeia econômica, mas desigualmente.
Mark

Por que o governo transformou o Move Brasil em programa permanente justamente agora, 20 dias antes das eleições?

Mimi

A resposta oficial é que o programa funcionava bem e merecia continuidade. Mas a realidade é que ele enfrentou baixa adesão desde maio, então o governo precisava sinalizar confiança e expandir o alcance.

Luke

Cuidado com "funcionava bem". O ministro da Fazenda admitiu em agosto que instituições privadas tinham pouco interesse. Isso não é funcionamento bem, é um programa que precisava de resgate.

Mark

Qual é o tamanho real do investimento público aqui?

Mimi

O governo diz que tem R$ 25 bilhões disponíveis agora. Mas isso é volume de crédito, não custo fiscal. A União cobre a diferença entre juros de mercado e as taxas oferecidas.

Luke

Exatamente. O governo não divulgou o custo fiscal total do programa permanente. Sabemos que há subsídio de juros, mas não sabemos quanto custa. Isso é um buraco na contabilidade pública.

Mark

As mudanças em agosto — elevar o teto para R$ 200 mil, reduzir o tempo de cadastro — isso funcionou?

Mimi

Segundo o governo, ampliou o alcance potencial de 63% para 88% do mercado de veículos. Mas são números do governo, não de adesão real.

Luke

Certo. Alcance potencial não é adesão. Não sabemos quantos motoristas realmente acessaram o programa depois dessas mudanças. Só sabemos que antes estava baixo.

Mark

O que Lika representava naquela cerimônia?

Mimi

Ela era a prova viva de que o programa funciona para quem está na base. Saiu da rua, do crack, comprou uma moto, trabalha como entregadora, estuda serviço social agora.

Luke

Verdade. Mas ela também pediu remuneração mínima do iFood e Lula não respondeu. A história pessoal dela é real, mas não resolve o problema estrutural que ela nomeou.

Mark

Lula disse que "quem ganha menos é quem trabalha". O que ele quis dizer?

Mimi

Que em toda cadeia econômica — empresário, empregado, autônomo — o trabalhador fica com a menor fatia. O programa beneficia todos, mas desigualmente.

Luke

É uma observação correta, mas não é uma solução. Reconhecer que o trabalhador ganha menos não muda quanto ele ganha. É retórica sobre desigualdade, não política contra desigualdade.

  • O programa Move Brasil enfrentou baixa adesão desde seu lançamento em maio, com bancos privados demonstrando pouco interesse e trabalhadores relatando dificuldades para acessar o crédito.
  • Para reverter o quadro, o governo reduziu o tempo mínimo de cadastro em aplicativo de 12 para 6 meses e elevou o teto de financiamento para R$ 200 mil, ampliando o alcance potencial de 63% para 88% do mercado.
  • A sanção elimina o prazo de encerramento do programa e garante que qualquer trabalhador elegível possa acessar o crédito enquanto houver recursos — sem que o governo tenha divulgado o custo fiscal total dessa permanência.
  • A cerimônia ganhou contornos humanos com o depoimento de Lika, ex-moradora de rua que se recuperou trabalhando como entregadora, mas seu pedido por remuneração mínima mais justa nas plataformas ficou sem resposta do presidente.
  • A medida chega ao mesmo dia em que pesquisa coloca Flávio Bolsonaro à frente de Lula em cenário de segundo turno, tornando inevitável a leitura eleitoral do gesto.

Vinte dias antes do primeiro turno das eleições, o presidente Lula transformou o Move Brasil em programa permanente, estendendo o acesso ao crédito veicular a motoristas de aplicativo, taxistas e transportadores escolares. A medida, sancionada no Palácio do Planalto com R$ 25 bilhões ainda disponíveis, reflete tanto uma aposta do governo na mobilidade do trabalho informal quanto uma resposta à adesão abaixo do esperado desde o lançamento em maio. Como em tantos momentos da história brasileira, a fronteira entre política pública e política eleitoral permanece tênue — e deliberadamente porosa.

Na tarde de segunda-feira, 14 de setembro, o presidente Lula assinou a lei que transforma o Move Brasil em programa permanente, reunindo no Palácio do Planalto motoristas de aplicativo, taxistas e representantes de transportadores escolares. Com a sanção, desaparece o prazo de encerramento que antes limitava o programa, e qualquer trabalhador que atenda aos critérios pode acessar o financiamento enquanto houver recursos disponíveis — atualmente R$ 25 bilhões dos R$ 30 bilhões originais.

As condições foram ajustadas para ampliar o alcance: o prazo de financiamento subiu de 72 para 84 meses, o teto do valor do veículo chegou a R$ 200 mil e o tempo mínimo de cadastro em plataformas de aplicativo caiu de 12 para 6 meses. As taxas permanecem em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, com parcelas menores no início e cobertura de 80% por operação pelo Fundo Garantidor. Segundo o governo, essas mudanças elevaram o alcance potencial do programa de 63% para 88% do mercado de veículos — uma resposta direta à adesão abaixo do esperado desde o lançamento em maio.

O momento mais marcante da cerimônia veio de Lika, representante de trabalhadores de aplicativo sem vínculo formal. Ela narrou 14 anos em situação de rua e dependência de crack na Cracolândia, a recuperação que veio ao comprar uma moto para trabalhar como entregadora, e a trajetória que a levou a cursar serviço social e representar sua categoria. Ao lado do presidente, pediu avanços na remuneração mínima paga por plataformas como o iFood — atualmente R$ 10 por pedido. Lula não anunciou nenhuma medida nesse sentido.

Em seu discurso, o presidente defendeu o programa como investimento necessário para quem nunca teve acesso a oportunidades, rebatendo críticas sobre o custo fiscal com a distinção entre 'gastar' e 'investir'. O governo, porém, não divulgou projeção do custo total que a permanência do programa representará para a União. A sanção ocorre 20 dias antes do primeiro turno das eleições, no mesmo dia em que pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno.

Na segunda-feira, 14 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a conversão de um projeto de lei que transforma o Move Brasil em programa permanente, eliminando a data de encerramento que antes limitava sua vigência. A cerimônia no Palácio do Planalto reuniu motoristas de aplicativo, taxistas e representantes de outras categorias de transporte, enquanto o governo anunciava a expansão das linhas de financiamento para incluir também transportadores escolares e veículos utilitários de carga.

O programa, lançado em maio deste ano, dispõe de R$ 30 bilhões em crédito desde seu início, com R$ 25 bilhões ainda disponíveis para continuar operando conforme a demanda. O BNDES coordena a execução, enquanto Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil operam os empréstimos. Com a sanção desta segunda-feira, qualquer trabalhador que atenda aos critérios pode acessar o financiamento enquanto houver recursos, sem limite de prazo. O governo, porém, não divulgou uma projeção do custo fiscal total que o programa permanente representará para a União daqui em diante.

As condições do financiamento foram ajustadas para ampliar o alcance. A taxa de juros permanece em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. O prazo foi estendido de 72 para 84 meses, e o teto do valor do veículo foi elevado para R$ 200 mil — uma mudança já realizada em agosto, quando estava em R$ 150 mil. O tempo mínimo de cadastro em aplicativo foi reduzido de 12 para 6 meses, anúncio feito nesta segunda-feira. O sistema de amortização funciona com parcelas menores no início, aumentando conforme a renda e produtividade do trabalhador crescem. O Fundo Garantidor de Operações cobre 80% de cada operação e 30% da carteira com recursos públicos, e um encargo anterior foi removido para baratear a prestação.

Segundo o governo, as mudanças implementadas em agosto — elevação do teto de valor e ampliação dos tipos de híbridos elegíveis — aumentaram o alcance potencial do programa de 63% para 88% do mercado de veículos. Essa expansão reflete uma preocupação com a adesão abaixo do esperado desde o lançamento. Em agosto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia reconhecido que instituições privadas demonstravam menor interesse na operação. No mesmo mês, Lula recebeu motoristas que relataram dificuldades para acessar as linhas de financiamento.

Durante a cerimônia, Lika, representante de um movimento de trabalhadores de aplicativo sem vínculo formal, discursou ao lado do presidente. Ela contou sua trajetória pessoal: 14 anos em situação de rua e dependência de crack na Cracolândia, em São Paulo, seguidos de recuperação após comprar uma moto para trabalhar como entregadora. Hoje cursa serviço social e atua como representante de sua categoria. Lika pediu que o governo avance também sobre a remuneração mínima paga por empresas como o iFood, atualmente em R$ 10 por pedido e R$ 2,50 por reagrupamento de caixas. Lula não anunciou medida nesse sentido durante o evento.

Em seu discurso, o presidente defendeu o Move Brasil como uma política que beneficia toda a cadeia econômica — empresários, empregados e trabalhadores autônomos — mas fez questão de hierarquizar os ganhos. Segundo ele, apesar de todos lucrarem com esse tipo de programa, "no fundo, no fundo, quem ganha menos é quem trabalha", citando como exemplo o cozinheiro e o entregador de um mesmo pedido. Lula também rebateu críticas sobre o custo de políticas públicas como o Move Brasil, argumentando que o discurso correto não é dizer que o governo "está gastando muito", mas sim que o Estado está investindo no que é necessário para dar oportunidades a quem nunca teve acesso a elas.

A sanção ocorre 20 dias antes do primeiro turno das eleições, no mesmo dia em que a pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno. O programa já havia recebido injeções anteriores de recursos públicos. Em abril, o governo anunciou R$ 21,2 bilhões em crédito para caminhões, ônibus e implementos rodoviários, dos quais R$ 14,5 bilhões eram do Tesouro e R$ 6,7 bilhões do BNDES. A primeira fase havia destinado R$ 10 bilhões ao setor. Quanto ao custo fiscal da ampliação sancionada nesta segunda-feira, o governo não informou um valor específico, apenas o saldo já disponibilizado ao BNDES.

No fundo, no fundo, quem ganha menos é quem trabalha
— Presidente Lula, durante discurso na cerimônia de sanção
O Estado está investindo no que é necessário para dar oportunidades a quem nunca teve acesso a elas
— Presidente Lula, rebatendo críticas sobre custo de políticas públicas
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