Lula reúne multidão na Paulista enquanto esquerda replica atos pelo país contra Flávio

A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer de cima para baixo
Lula dirigiu seu discurso aos jovens na Paulista, reconhecendo a dificuldade histórica da esquerda em se conectar com esse público.
Mark

Por que Lula escolheu falar especificamente para os jovens neste momento?

Mimi

Porque a esquerda historicamente tem dificuldade em se conectar com esse público, e ele estava em desvantagem nas pesquisas. Era uma tentativa de reverter o desânimo e trazer para a campanha quem ainda não estava mobilizado.

Luke

Mas a gente não sabe se funcionou. Não há estimativa oficial de público, então não dá para medir se realmente conseguiu atrair mais jovens do que antes.

Mark

E quanto à questão da desinformação que Flávio levantou?

Mimi

Ele estava reclamando do canal "Exército do Lula" e pedindo que a Justiça Eleitoral agisse mais rápido. O TSE censurou o canal, mas depois o corregedor restabeleceu, criando uma confusão.

Luke

Exatamente. A gente tem uma decisão, depois uma contradecisão. Não fica claro qual é a posição institucional real sobre o que é desinformação punível e o que não é.

Mark

Flávio pediu para evitar um clima de "já ganhou". Isso significa que ele estava preocupado?

Mimi

Estava pedindo aos aliados que não relaxassem, que continuassem mobilizando. Ele tinha 52% contra 48% de Lula, uma vantagem, mas queria garantir que ninguém dormisse no ponto.

Luke

Mas "não tem nada resolvido" é também uma frase que sinaliza incerteza real. Quatro pontos percentuais é margem apertada em segundo turno.

Mark

A mobilização de 76 cidades mostra força de organização?

Mimi

Mostra que a esquerda conseguiu convocar gente em muitos lugares simultaneamente. Mas também reflete o desespero de estar atrás e precisar reverter.

Luke

Verdade. Mas a gente não sabe quantas pessoas foram em cada cidade. "76 cidades" é um número que impressiona, mas pode ser desde milhares até centenas dependendo do lugar.

  • Lula ocupou 12 quarteirões da avenida Paulista em São Paulo no domingo 11 de outubro
  • Flávio Bolsonaro aparecia com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula no primeiro Datafolha pós-primeiro turno
  • Atos de esquerda ocorreram em 76 cidades pelo país
  • O TSE censurou o canal 'Exército do Lula' no domingo, mas o corregedor-geral eleitoral restabeleceu horas depois
  • Lula admitiu que sua campanha de primeiro turno foi a menos organizada desde 1989

Lula concentrou apoiadores em 12 quarteirões da Paulista, a maior mobilização de esquerda no local desde protestos contra Bolsonaro, direcionando discurso aos jovens. Flávio aparece com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula no primeiro Datafolha pós-primeiro turno, com ambos os candidatos buscando reduzir abstenção.

Presidente Lula reúne milhares na avenida Paulista em São Paulo para reverter desvantagem nas pesquisas, enquanto Flávio Bolsonaro mobiliza aliados e cobra agilidade da Justiça Eleitoral contra desinformação petista.

No domingo que antecedeu a reta final da campanha presidencial, Lula reuniu milhares de apoiadores ao longo de doze quarteirões da avenida Paulista em São Paulo — a maior concentração de militância de esquerda naquele endereço desde os protestos contra o governo Jair Bolsonaro. O presidente chegava ao evento em desvantagem nas pesquisas, onde Flávio Bolsonaro aparecia com 52% dos votos válidos contra seus 48%, segundo o primeiro levantamento do Datafolha após a definição do segundo turno. Diante desse cenário, Lula dirigiu seu discurso especialmente aos jovens, reconhecendo a dificuldade histórica da esquerda em se conectar àquele público e defendendo que a juventude participasse ativamente das decisões políticas. "A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo", afirmou, pedindo aos presentes que assumissem responsabilidades na vida política enquanto tinham disponibilidade para a luta.

O presidente apresentou governadores eleitos e reeleitos do Nordeste — Rafael Fontenelle do Piauí, Elmano de Freitas do Ceará e Jerônimo Freitas da Bahia — e lembrou ao público paulista que muitos eleitores do estado descendiam de nordestinos. Prometeu também uma revolução tecnológica caso fosse reeleito. A mobilização havia sido convocada por estudantes, fandoms, movimentos sociais e partidos de esquerda sob o nome de Marcha pela Democracia, com o objetivo explícito de reverter o desânimo entre apoiadores após o resultado do primeiro turno. A estratégia do PT incluía reduzir a abstenção e convencer eleitores que haviam votado em outros candidatos a mudar de voto no segundo turno.

O impacto da concentração foi tão significativo que o Metrô de São Paulo precisou fechar temporariamente a estação Trianon-Masp da linha 2-verde e ampliar a oferta de trens em outras linhas. Acessos de pelo menos duas estações também sofreram vandalismo, com pichações e estruturas quebradas. Não houve, porém, estimativa oficial de público. O Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à USP e ao Cebrap, e a More in Common Brasil informaram que não realizaram contagem porque a campanha não autorizou sobrevoo com drone. A Polícia Militar não respondeu se havia feito levantamento próprio.

Enquanto Lula discursava na Paulista, Flávio Bolsonaro reunia aliados num almoço no centro de São Paulo com o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, além de prefeitos, vereadores, o presidente da Assembleia Legislativa André do Prado e o senador eleito Guilherme Derrite. No encontro, Tarcísio e Nunes confirmaram uma manifestação pró-Flávio para o domingo seguinte na mesma avenida Paulista, com participação de Flávio e do deputado federal Nikolas Ferreira. Nunes negou que a convocação tivesse o objetivo de disputar público com a marcha de Lula. Flávio pediu aos aliados que evitassem um clima de "já ganhou", afirmando que "não tem nada resolvido" e cobrando esforço para levar novamente às urnas quem havia votado nele no primeiro turno e conquistar novos eleitores.

No evento, Flávio acusou o governo Lula de fazer da mentira uma estratégia de campanha e pediu resposta mais rápida da Justiça Eleitoral contra o que chamou de desinformação petista. Negou que pretendesse extinguir programas sociais ou acabar com o reajuste do salário mínimo, como afirmavam seus oponentes. "Eu espero de verdade que a Justiça Eleitoral continue, seja mais ágil inclusive. Porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa", disse, referindo-se ao canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones e seguido por mais de 3 milhões de pessoas.

A disputa sobre desinformação escalou para o Tribunal Superior Eleitoral naquele mesmo domingo. A pedido da campanha de Flávio, o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, mandou censurar o canal "Exército do Lula". Horas depois, porém, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal por considerar insuficientes as provas para uma suspensão integral. Lula criticou a primeira decisão, enquanto a campanha de Flávio acusou Cueva de complacência com notícias falsas.

Além de São Paulo, a mobilização de esquerda se estendeu por todo o país. Segundo a plataforma Comitê Popular de Luta, que reúne agendas de atividades da militância e apoiadores da campanha, houve atos em 76 cidades, entre manifestações, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens. Em Brasília, apoiadores ocuparam parte do Eixão Norte. No Rio de Janeiro, houve manifestações na orla de Copacabana. No Recife, milhares se concentraram no Parque 13 de Maio e caminharam pelo centro em direção ao Marco Zero. Niterói, na região metropolitana do Rio, teve uma das principais mobilizações fora das capitais. Em Salvador, atos ocorreram em Piatã, Campo Grande e Barra. Em Goiânia, apoiadores partiram da Praça Universitária e caminharam até a Praça Cívica. Em Belo Horizonte, fizeram bandeiraço na rua dos Carijós e depois caminharam pela Feira Hippie. Em Manaus, o ato "Vira Vira Lula" reuniu apoiadores no Largo de São Sebastião seguido de carreata pelo centro. Também houve atos em Vitória, Aracaju, Florianópolis, Campinas e Juiz de Fora.

A mobilização ocorria após Lula admitir, na quarta-feira anterior, que o esforço eleitoral do primeiro turno havia sido o menos organizado de suas disputas presidenciais desde 1989 e que poderia ter feito mais. Tarcísio também pediu empenho nas duas semanas finais de campanha para buscar indecisos e reduzir a abstenção, enquanto Nunes cobrou a retomada dos comitês locais, distribuição de adesivos e realização de bandeiraços. A disputa pelo segundo turno se definia não apenas nas ruas, mas também na arena da desinformação e nas decisões judiciais que tentavam regulá-la.

Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto. Vocês têm que assumir a responsabilidade enquanto são jovens
— Lula, na avenida Paulista
Não tem nada resolvido. Eu espero de verdade que a Justiça Eleitoral continue, seja mais ágil inclusive
— Flávio Bolsonaro, em almoço com aliados em São Paulo
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