Lula pede a Trump revisão de tarifas sobre produtos brasileiros em telefonema

Ainda há produtos tarifados que precisam ser discutidos
Lula destacou na ligação que a remoção parcial de tarifas em novembro não encerrava a negociação comercial.
Mark

Por que Lula precisou ligar de novo para Trump se as tarifas já tinham sido removidas em novembro?

Mimi

Porque foram removidas apenas parcialmente. Trump tirou a taxa de 40% de alguns produtos agrícolas — café, carne, petróleo, frutas — mas deixou outras coisas tarifadas. O Brasil quer que tudo seja negociado, não só o que Trump decidiu liberar.

Mark

Qual era o objetivo original daquela tarifa de 40% em julho?

Mimi

Trump disse que era por "emergência nacional" e que as políticas brasileiras prejudicavam empresas americanas. Mas havia também uma questão política: ele criticava o julgamento de Bolsonaro no STF. Era uma forma de pressão.

Mark

O que mudou entre julho e novembro?

Mimi

O encontro em Nova York em setembro. Lula e Trump conversaram pessoalmente durante a Assembleia Geral da ONU, e Trump saiu de lá falando em "química excelente". Depois disso, as coisas começaram a descongelar.

Mark

E por que crime organizado entrou nessa conversa?

Mimi

Porque é uma preocupação compartilhada. No Brasil, aquela operação no Rio em outubro matou mais de 120 pessoas e virou o tema central da segurança pública. Nos EUA, o narcotráfico vindo do Caribe é uma questão de segurança nacional. Faz sentido que os dois presidentes queiram cooperar.

Mark

Trump realmente mostrou disposição em trabalhar junto?

Mimi

Segundo o Palácio do Planalto, sim. Ele apoiou as iniciativas conjuntas e disse que tem "disposição total". Mas isso é o que o governo brasileiro está dizendo que Trump disse. O teste real será se as negociações avançam nos próximos meses.

Mark

O que o Brasil espera agora?

Mimi

Mais conversas em breve e avanço rápido nas negociações. Lula deixou claro que quer acelerar o processo. A questão é se Trump vai concordar em remover mais tarifas ou se vai manter a pressão.

  • A tarifa de 40% imposta por Trump em julho sobre importações brasileiras criou uma tensão aguda entre as duas maiores economias das Américas, com o Brasil sentindo o impacto direto em setores como café, carne e petróleo.
  • A remoção parcial dessas tarifas em novembro, após encontros em Nova York e na Malásia, sinalizou uma virada no tom da relação — mas deixou aberta a questão de produtos que ainda permanecem tarifados.
  • Lula usou o telefonema de terça-feira para pressionar por aceleração nas negociações, deixando claro que o Brasil não considera o capítulo encerrado com os avanços já conquistados.
  • A pauta de segurança entrou na conversa com peso próprio: após a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, o Brasil busca reforçar a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
  • Trump sinalizou 'disposição total' para trabalhar junto com o Brasil, e um novo telefonema entre os dois líderes é esperado em breve para acompanhar o andamento das negociações em ambas as frentes.

Dois líderes que começaram o ano em rota de colisão comercial parecem estar, aos poucos, encontrando uma linguagem comum. Lula telefonou para Trump para reconhecer um gesto — a remoção de tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros — e ao mesmo tempo deixar claro que o caminho ainda não está completo. A conversa, que tocou também no combate ao crime organizado, revela que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão sendo reconstruídas tijolo a tijolo, em meio a interesses que nem sempre coincidem, mas que ambos os lados parecem dispostos a negociar.

Lula ligou para Trump na terça-feira para retomar uma negociação que vinha ganhando forma ao longo dos últimos meses. O presidente brasileiro reconheceu o gesto americano de novembro — a remoção das tarifas de 40% que pesavam sobre café, carne, petróleo, frutas e peças de aeronaves —, mas deixou o recado: ainda há produtos tarifados a discutir, e o Brasil quer acelerar o processo.

A tensão tinha começado em julho, quando Trump anunciou a sobretaxa invocando uma 'emergência nacional' e criticando tanto as políticas do governo Lula quanto o julgamento de Bolsonaro no Supremo. O clima só começou a mudar em setembro, quando os dois se encontraram em Nova York e Trump falou em 'química excelente'. Depois de um telefonema em outubro e de um novo encontro na Malásia, a Casa Branca anunciou a retirada das tarifas agrícolas — um passo significativo, mas não o fim da história.

A conversa de terça-feira foi além do comércio. Os dois líderes discutiram cooperação no combate ao crime organizado, tema que ganhou urgência no Brasil após uma operação no Rio de Janeiro em outubro que deixou mais de 120 mortos e mirou o Comando Vermelho. Nos Estados Unidos, o narcotráfico também está em foco, com embarcações de guerra americanas no Caribe em meio à tensão com a Venezuela. Lula propôs reforçar a parceria nessa frente, e Trump demonstrou, segundo o Palácio do Planalto, 'disposição total' para trabalhar junto.

A expectativa é que os dois líderes voltem a conversar em breve, com o Brasil pressionando por novos avanços nas tarifas e os dois países tentando consolidar uma parceria que vai além do comércio.

Lula ligou para Trump na terça-feira para retomar uma conversa que vinha se desenrolando há meses: o Brasil quer menos tarifas. O presidente brasileiro elogiou o fato de que os Estados Unidos tinham recuado em novembro, removendo aquela taxa de 40% que incidia sobre café, carne, petróleo, frutas e peças de aeronaves brasileiras. Mas o recado era claro: isso não era o fim da história. Ainda havia produtos presos em tarifas que precisavam ser negociados, e o Brasil queria acelerar o processo.

A tensão comercial entre os dois países tinha começado em julho, quando Trump anunciou a tarifa adicional de 40% contra importações brasileiras. Na época, o presidente americano justificou a medida invocando uma "emergência nacional", argumentando que as políticas do governo Lula prejudicavam empresas americanas. Trump também aproveitou para criticar o que chamou de "perseguição" contra Jair Bolsonaro, que estava prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

O clima mudou em setembro, quando os dois presidentes se encontraram em Nova York durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Trump saiu daquele encontro falando em "química excelente" com Lula. Em outubro, durante um primeiro telefonema, Lula pediu que as tarifas fossem retiradas. No mesmo mês, os dois se encontraram novamente, desta vez na Malásia, e Trump sinalizou disposição para negociar rapidamente. Um mês depois, a Casa Branca anunciou a remoção daquelas tarifas de 40% sobre os produtos agrícolas.

Mas a conversa de terça-feira não foi só sobre comércio. Os dois líderes também abordaram o combate ao crime organizado. No Brasil, o tema ganhou urgência depois de uma operação em outubro no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos — a mais letal da história do estado — e mirou o comando do Comando Vermelho. Desde então, segurança pública e crime organizado voltaram ao centro do debate político.

Nos Estados Unidos, o tema também está em foco. Em meio à tensão com a Venezuela, o país tem enviado embarcações de guerra para o Caribe para combater o narcotráfico. No telefonema, Lula propôs reforçar a cooperação bilateral nessa frente. De acordo com o Palácio do Planalto, Trump demonstrou "disposição total" em trabalhar junto com o Brasil e apoiou as iniciativas conjuntas entre os dois países.

A expectativa agora é que Lula e Trump conversem novamente em breve para acompanhar o andamento dessas negociações — tanto as comerciais quanto as de segurança. O Brasil segue pressionando por mais avanços nas tarifas, enquanto os dois países tentam construir uma parceria mais sólida em questões que vão além do comércio.

Trump demonstrou disposição total em trabalhar junto com o Brasil e apoiou as iniciativas conjuntas entre os dois países
— Palácio do Planalto, sobre a conversa telefônica
Lula destacou que ainda há produtos tarifados que precisam ser discutidos e que o Brasil deseja avançar rápido nas negociações
— Comunicado do Palácio do Planalto
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