Entre diplomacia e soberania, o presidente Lula busca junto a Donald Trump a retirada de autoridades brasileiras de uma lista de sanções norte-americana que congela bens e restringe vistos. O argumento central é que nenhum servidor público deveria ser penalizado por cumprir a Constituição de seu próprio país. A remoção de Alexandre de Moraes da lista, dias após uma ligação entre os dois líderes, sugere que o diálogo entre Brasília e Washington encontra, por ora, alguma ressonância.
Lula diz ter pedido a Trump fim de sanções a ministros brasileiros
Nenhum ministro no mundo pode ser punido porque cumpriu a Constituição
Por que Lula decidiu fazer esse pedido agora, depois de meses de sanções?
Porque a situação começou a mudar. Ele telefonou para Trump e, dez dias depois, Moraes foi removido. Isso mostrou que havia abertura para negociação.
Mas a gente não sabe exatamente o que Trump disse naquele telefonema de 40 minutos. Sabemos que Lula pediu, e sabemos que Moraes saiu da lista. O que mudou a posição de Trump não está claro.
E quanto aos outros ministros? Padilha, Lewandowski, Messias — eles continuam sancionados?
Sim. Lula disse que vai continuar insistindo com Trump para que saiam também. Mas por enquanto, apenas Moraes e sua família foram removidos.
E a gente não tem declaração de Trump sobre isso. Não sabemos se ele concorda com o argumento de Lula de que cumprir a Constituição não deveria resultar em sanção.
Qual é o argumento de Lula, exatamente?
Que seus ministros estão sendo punidos por terem cumprido a Constituição brasileira. Que nenhum ministro no mundo deveria sofrer sanções por isso.
Mas o governo Trump diz que Moraes usou seu cargo para autorizar detenções arbitrárias e suprimir liberdade de expressão. Essas são acusações específicas, não apenas "cumprir a Constituição". Há uma disputa real sobre o que aconteceu.
Lula parece otimista sobre a relação com Trump agora?
Muito. Ele disse que tem certeza de que as relações comerciais e políticas vão dar certo. Parece estar apostando em uma melhora geral.
Mas isso é uma aposta. Ele removeu Moraes, mas mantém os outros na lista. Pode ser um sinal de que Trump está aberto, ou pode ser tático. A gente não sabe ainda.
Il Polso
- Ministros brasileiros têm bens congelados e vistos bloqueados nos Estados Unidos por decisões tomadas em nome da ordem constitucional — uma tensão inédita entre dois países aliados.
- A Lei Magnitsky, criada para punir corrupção e violações de direitos humanos, tornou-se o campo de disputa diplomática entre o governo Lula e a administração Trump.
- Após uma ligação de 40 minutos com Trump, Lula obteve a remoção de Alexandre de Moraes da lista — um sinal de que a pressão direta entre líderes pode mover o impasse.
- Padilha, Lewandowski e Jorge Messias ainda permanecem sancionados, e Lula sinalizou que continuará negociando para retirar os demais nomes das restrições.
- O otimismo de Lula sobre as relações comerciais e políticas com Washington indica que as negociações em torno das sanções fazem parte de um jogo diplomático mais amplo.
Entre diplomacia e soberania, o presidente Lula busca junto a Donald Trump a retirada de autoridades brasileiras de uma lista de sanções norte-americana que congela bens e restringe vistos. O argumento central é que nenhum servidor público deveria ser penalizado por cumprir a Constituição de seu próprio país. A remoção de Alexandre de Moraes da lista, dias após uma ligação entre os dois líderes, sugere que o diálogo entre Brasília e Washington encontra, por ora, alguma ressonância.
Luiz Inácio Lula da Silva revelou, em entrevista à SBT News gravada em 12 de dezembro, que enviou uma mensagem a Donald Trump pedindo a retirada de seus ministros da Lei Magnitsky — o instrumento legal norte-americano que congela bens, cancela vistos e suspende contas bancárias de estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. O argumento de Lula foi direto: nenhum ministro no mundo deveria ser punido por cumprir a Constituição de seu país.
Alexandre de Moraes, ministro do STF, havia sido sancionado pelo governo Trump em julho de 2025, acusado de autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão. Sua esposa e uma empresa da família foram incluídas nas restrições em setembro. Outros nomes atingidos pelas sanções incluem o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Dez dias após uma ligação de cerca de 40 minutos com Trump, Lula soube que Moraes havia sido removido da lista. O presidente expressou satisfação e prometeu continuar pressionando pelos demais. Na festa de lançamento do SBT News, Moraes agradeceu publicamente o empenho de Lula.
Este não foi o primeiro movimento nessa direção. Em outubro, durante um encontro pessoal na Malásia, Lula já havia pedido a Trump tanto a revogação de tarifas sobre produtos brasileiros quanto a revisão das sanções. O presidente demonstrou otimismo sobre o futuro das relações bilaterais, sinalizando que as negociações têm mais capítulos pela frente.
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na semana passada que enviou uma mensagem ao presidente Donald Trump solicitando a retirada de seus ministros da Lei Magnitsky, o instrumento legal norte-americano que congela bens e restringe vistos de estrangeiros. A declaração foi feita em entrevista à SBT News gravada em 12 de dezembro e exibida na segunda-feira, na estreia da emissora. O presidente argumentou que nenhum ministro no mundo deveria ser punido simplesmente por cumprir a Constituição de seu país.
A Lei Magnitsky permite ao governo dos Estados Unidos bloquear ativos, cancelar vistos e suspender contas bancárias e de cartão de crédito ligadas ao país. Desde sua expansão em 2016, abrange pessoas de qualquer nacionalidade acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos. As sanções são aplicadas através de listas mantidas pela Ofac, a agência norte-americana responsável pelo controle de ativos estrangeiros.
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi oficialmente sancionado pelo governo Trump em 30 de julho de 2025, acusado de usar seu cargo para autorizar detenções preventivas arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão. Sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Instituto Lex, empresa da família, foram incluídos nas restrições em 22 de setembro. Outros ministros também foram atingidos pelas sanções, entre eles Alexandre Padilha, da Saúde, e Ricardo Lewandowski, da Justiça, além de Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado por Lula para uma vaga no STF.
Dez dias após telefonar para Trump em uma conversa que durou cerca de 40 minutos, Lula recebeu a notícia de que Moraes havia sido removido da lista de sancionados. O presidente expressou satisfação com o resultado e afirmou que continuará pressionando para que as demais autoridades também sejam retiradas. Na festa de lançamento do SBT News, Moraes agradeceu a Lula pelo empenho na questão.
Este não foi o primeiro pedido de Lula nesse sentido. Em 26 de outubro, durante um encontro pessoal na Malásia, o presidente já havia solicitado a Trump a revogação das tarifas impostas a produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky aos ministros e outras autoridades. Lula demonstrou otimismo sobre as perspectivas das relações comerciais e políticas com os Estados Unidos, sinalizando que espera dar continuidade às negociações para remover os demais nomes da lista de restrições.
Citazioni salienti
Nenhum ministro no mundo pode ser punido porque cumpriu a Constituição de seu país— Luiz Inácio Lula da Silva
Fiquei feliz quando recebi a notícia de que ele já tirou a punição de Alexandre e vai tirar dos outros. Vou continuar insistindo com ele— Luiz Inácio Lula da Silva