Lula convoca ministros para discutir alternativas após derrota da MP do IOF

O Congresso derrotou o povo brasileiro, não o governo
Lula criticou a rejeição da medida que taxaria fintechs e bets, vendo a decisão como derrota para políticas sociais.
Mark

Por que exatamente o Congresso rejeitou essa medida? Parecia uma forma razoável de fazer o setor financeiro contribuir mais.

Mimi

A oposição viu isso como um presente de R$ 30 bilhões para Lula gastar em 2026, ano eleitoral. Não era só sobre impostos justos — era sobre desconfiança política.

Luke

Mas precisamos ser claros: a medida foi retirada de pauta, o que significa que tecnicamente perdeu validade. Não houve votação. Não sabemos exatamente quantos deputados votariam contra.

Mark

Lula parece genuinamente irritado. Ele disse que o Congresso derrotou o povo, não o governo.

Mimi

Ele está apontando uma contradição real — trabalhadores pagam 27,5% de IR enquanto fintechs recusaram pagar 12%. Para Lula, isso é injustiça.

Luke

É verdade que existe essa disparidade. Mas a questão de se 12% ou 18% é o número "justo" é política, não fato. Diferentes pessoas discordam legitimamente.

Mark

E agora? O que a reunião de quarta-feira pode resolver?

Mimi

O governo vai tentar encontrar outras formas de arrecadar esses bilhões. Pode ser uma nova medida provisória, pode ser negociação diferente com o Congresso.

Luke

Aqui está o problema: se o Congresso já rejeitou uma vez, por que aprovaria uma segunda? A dinâmica política não mudou. Lula terá que oferecer algo novo ou encontrar votos que não tinha antes.

  • A Câmara retirou de pauta a MP que taxaria fintechs e bets em 12% a 18%, fazendo a medida perder validade e deixando um rombo de bilhões nos cofres públicos.
  • Lula reagiu com irritação declarada, afirmando que o Congresso não derrotou o governo, mas o povo brasileiro — e apontando a contradição de trabalhadores pagarem 27,5% de IR enquanto o setor financeiro recusa 12%.
  • A oposição leu a medida como manobra eleitoral, com o governador Caiado afirmando que aprová-la seria dar R$ 30 bilhões ao governo para gastar em 2026 com 'medidas populistas'.
  • Após a derrota, Lula conversou com Haddad e Gleisi Hoffmann, pedindo calma, e partiu para agenda em três estados antes de retornar a Brasília para liderar a reunião ministerial.
  • O governo buscará novas formas de tributar o sistema financeiro — especialmente fintechs que já superam bancos em tamanho — para manter programas sociais sem comprometer o equilíbrio fiscal.

Quando um parlamento recusa tributar o setor financeiro enquanto trabalhadores pagam alíquotas mais altas, a questão não é apenas fiscal — é sobre quem carrega o peso coletivo de uma nação. O presidente Lula, após ver a Câmara derrubar a Medida Provisória que taxaria fintechs e apostas online, convocou uma reunião ministerial para 15 de outubro em busca de alternativas que recomponham bilhões em arrecadação perdida. A derrota parlamentar revela a tensão permanente entre a lógica redistributiva do governo e os interesses de um setor financeiro em expansão que ainda resiste a contribuir proporcionalmente ao que recebe da sociedade.

O presidente Lula anunciou nesta quinta-feira a convocação de uma reunião ministerial para 15 de outubro, após a Câmara dos Deputados derrubar a Medida Provisória que taxaria fintechs e apostas online como alternativa ao aumento do IOF. A decisão parlamentar fez a medida perder validade e custou ao governo bilhões em receita esperada.

Em entrevista à rádio Piatã, na Bahia, Lula não escondeu a frustração: 'Ontem o Congresso Nacional não derrotou o governo, derrotou o povo brasileiro.' O presidente destacou a contradição central do impasse — trabalhadores pagam 27,5% de imposto de renda sobre seus salários, enquanto o setor financeiro recusou contribuir com alíquotas de 12% ou 18%, mesmo após o governo ter reduzido a proposta original.

Na noite da derrota, Lula conversou com o ministro Fernando Haddad e a ministra Gleisi Hoffmann, pedindo que não passassem o fim de semana ruminando o ocorrido. Com agenda que o levaria à Bahia, São Paulo e Roma, o presidente só retornará a Brasília na quarta-feira seguinte — exatamente quando convocará o governo para discutir como fazer as fintechs, hoje maiores que bancos tradicionais, pagarem o imposto devido.

A oposição interpretou a MP como estratégia eleitoral: o governador Ronaldo Caiado afirmou publicamente que votar a favor seria dar 'um presente de R$ 30 bilhões para o governo Lula torrar em 2026'. Lula, por sua vez, alertou que os programas de inclusão social conquistados podem ser destruídos por um futuro governo, reforçando a urgência de garantir arrecadação suficiente para mantê-los.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira, 9 de outubro, que convocará seus ministros para uma reunião na próxima quarta-feira, 15, com o objetivo de discutir novas estratégias de arrecadação. A convocação vem após a derrota do governo na Câmara dos Deputados, que retirou de pauta a Medida Provisória que funcionaria como alternativa ao aumento do IOF e taxaria operações de fintechs e apostas online. A decisão do Congresso, na prática, fez a medida perder validade e custou ao governo bilhões em receita esperada.

A declaração foi feita durante entrevista à rádio Piatã, na Bahia, e Lula não poupou críticas à decisão parlamentar. O presidente entrou no tema de forma espontânea, enquanto falava sobre políticas de inclusão social de sua gestão. Demonstrou irritação clara com o resultado: "Ontem o Congresso Nacional não derrotou o governo, derrotou o povo brasileiro." A fala refletia frustração com a rejeição de uma proposta que, segundo ele, buscava fazer os mais ricos contribuírem mais aos cofres públicos.

O cerne da discordância de Lula estava na disparidade tributária que a medida buscava corrigir. O governo havia proposto uma alíquota de 18% para o setor financeiro, depois negociada para 12% sobre fintechs, mas mesmo essa redução foi rejeitada pelo Congresso. Lula apontou a contradição: trabalhadores comuns pagam 27,5% de imposto de renda sobre seus salários, enquanto o setor financeiro recusou-se a contribuir com 12% ou 18%. "É engraçado que o povo trabalhador paga 27,5% de IR no salário e os ricos não querem pagar 12%, 18%", disse o presidente, completando que a derrota não era do governo, mas da população brasileira e da possibilidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Após a rejeição, Lula conversou com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ainda na quarta-feira. Segundo o presidente, pediu aos dois que relaxassem e não gastassem o fim de semana discutindo o ocorrido. Lula estava em agenda que o levaria à Bahia, depois a São Paulo e posteriormente a Roma, retornando a Brasília apenas na quarta-feira seguinte, quando convocaria o governo para discutir como fazer o sistema financeiro, especialmente as fintechs que hoje superam bancos em tamanho, pagarem o imposto devido ao país.

A medida provisória que caiu na Câmara representava uma tentativa do governo de compensar o recuo que havia feito no aumento direto do IOF. A arrecadação esperada com a tributação de fintechs e bets era de alguns bilhões de reais, recurso que integrantes da oposição interpretavam como uma estratégia para que Lula tivesse caixa disponível em 2026, ano eleitoral, e pudesse manter ou expandir benefícios sociais. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, explicitou essa leitura publicamente, afirmando que votar a favor da medida seria "votar para aumentar impostos e dar um presente de R$ 30 bilhões para o governo Lula torrar em 2026 – com mais medidas populistas e irresponsáveis".

Lula também enfatizou a importância de garantir que benefícios sociais não sejam destruídos, alertando que "se o povo não tomar cuidado, pode vir um governo que destrua tudo aquilo que é política de inclusão social". A reunião ministerial marcada para a próxima quarta-feira será o primeiro passo do governo para encontrar alternativas de tributação que compensem a perda de arrecadação e permitam manter seus programas sociais em funcionamento.

Ontem o Congresso Nacional não derrotou o governo, derrotou o povo brasileiro
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
É engraçado que o povo trabalhador paga 27,5% de IR no salário e os ricos não querem pagar 12%, 18%
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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