Lula condiciona data centers a investimentos em energia renovável

Queremos vender chip, bateria, queremos exportar inteligência
Lula descreve a ambição de transformar o Brasil de exportador de matérias-primas em produtor de tecnologia de alto valor agregado.
Mark

Por que Lula insiste que as empresas de data center construam suas próprias usinas de energia? Não seria mais simples deixar que comprassem energia do mercado?

Mimi

Porque assim o Brasil não apenas atrai investimento estrangeiro, mas também expande sua infraestrutura energética. Cada data center que vem aqui deixa uma usina de energia renovável instalada. É ganho permanente.

Luke

Mas precisamos ser claros: isso é uma condição que pode afastar investidores. Não sabemos ainda se as empresas vão aceitar esse custo adicional ou se preferirão outros países com regras menos rigorosas.

Mark

E quanto às terras raras? O Brasil realmente tem potencial para competir com a China?

Mimi

Tem o minério — é a segunda maior reserva do mundo. Mas a China domina a tecnologia de processamento e refino. O Brasil está começando do zero em capacitação industrial.

Luke

Exatamente. Lula promete que em dez anos o país terá engenheiros capazes de competir com os chineses, mas isso é uma promessa de longo prazo. Não há garantia de que investimento em educação se converta em indústria de chips e baterias.

Mark

Os números sobre mercados agrícolas abertos — 118 apenas em Santa Catarina — isso é impressionante?

Mimi

É significativo. Significa que produtores locais têm mais destinos para vender. Mas é importante notar que esses mercados foram abertos ao longo de todo o mandato, não é algo novo.

Luke

E também não sabemos quanto desse potencial foi efetivamente realizado em volume de exportação. Abrir um mercado não garante que as empresas consigam competir nele.

  • Programa Redata prevê investimentos de R$ 500 bilhões em data centers
  • Brasil é segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China
  • Governo abriu 693 mercados para produtos agrícolas, incluindo 118 apenas em Santa Catarina
  • Promessa de investimento em educação para formar engenheiros e cientistas sem custo para cidadãos

Brasil tem abundância de energia renovável e potencial para ser polo de data centers, mas empresas devem construir suas próprias usinas de energia. País é segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas carece de tecnologia e capacitação para exploração e processamento industrial.

Lula anuncia programa Redata com investimentos de R$ 500 bilhões em data centers, condicionando à construção de usinas de energia renovável. Também exalta Lei de Minerais Críticos e promete investimento em pesquisa para exploração de terras raras.

Durante um comício de campanha em Santa Catarina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou os contornos de uma estratégia para atrair investimentos massivos em data centers ao Brasil — um setor que, segundo ele, poderia movimentar cerca de R$ 500 bilhões. O programa, chamado Redata, reconhece uma vantagem competitiva óbvia: o país possui abundância de energia renovável, recurso essencial para operações de data centers que consomem quantidades enormes de eletricidade. Mas Lula deixou clara uma condição não negociável. As empresas que desejarem se instalar no Brasil não poderão simplesmente aproveitar a energia disponível no mercado. Elas terão que construir suas próprias usinas de energia renovável para alimentar seus centros de dados. "Não vamos deixar que a energia produzida vá somente para o data center", afirmou, estabelecendo um princípio que vai além do incentivo fiscal tradicional: quem quer operar aqui deve investir na infraestrutura energética do país.

Essa exigência reflete uma visão de desenvolvimento que busca transformar a atração de investimento estrangeiro em oportunidade de expansão da capacidade energética nacional. Em vez de permitir que empresas multinacionais extraiam valor usando recursos já existentes, o governo condiciona a entrada desses capitais a um compromisso com a ampliação da matriz renovável brasileira. É uma forma de garantir que o benefício não seja apenas a geração de empregos diretos nos data centers, mas também o fortalecimento da infraestrutura energética que beneficiaria toda a economia.

No mesmo evento, Lula também celebrou a sanção da Lei de Minerais Críticos e Terras Raras, conectando essa legislação a uma ambição maior: transformar o Brasil de simples exportador de matérias-primas em produtor de tecnologia de alto valor agregado. O país, segundo ele, conhece apenas 30% de seu território e mesmo assim já se posiciona como segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Mas essa riqueza geológica permanece largamente inutilizada porque o Brasil carece da tecnologia e da capacitação para explorá-la e processá-la industrialmente. "Não temos tecnologia para explorar, por isso temos que ter cursos em nossas universidades, para ter mais capacidade do que o chinês", reconheceu.

O presidente delineou um caminho ambicioso para fechar essa lacuna. Prometeu que em dez anos o país não cobraria de seus cidadãos pela formação de engenheiros e cientistas — uma aposta em educação como ferramenta de soberania tecnológica. A meta não é apenas extrair minerais críticos, mas agregar valor na cadeia produtiva: "Queremos vender chip, bateria, queremos exportar inteligência, conhecimento." Essa reorientação representaria uma mudança fundamental na posição do Brasil na economia global, movendo-se de fornecedor de insumos brutos para produtor de componentes e tecnologias que alimentam a economia digital mundial.

Lula também aproveitou o comício em Santa Catarina para destacar políticas voltadas ao agronegócio, setor crucial para o estado. Segundo ele, seu governo abriu 693 mercados para produtos agrícolas brasileiros. Apenas em Santa Catarina, que é um dos maiores produtores de carne suína e frango do país, o impacto foi significativo: 34 novos mercados para aves e derivados, 25 para suínos e derivados, 37 para bovinos e derivados, e 22 para pescados — totalizando 118 novos mercados de exportação para as quatro principais proteínas do estado. Lula atribuiu essa abertura comercial a uma questão de identidade política, não de interesse econômico: "O problema com agronegócio é porque eu sou nordestino, não por dinheiro."

Em seu discurso, o presidente também justificou a escolha do candidato Gelson Merísio, do PSB, para o governo estadual como uma forma de manter diálogo com o setor agrícola. E, com duas semanas para o primeiro turno das eleições, Lula fez um apelo direto à militância para intensificar a campanha. Pediu que os apoiadores votassem não por convicção pessoal, mas pensando no futuro das próximas gerações: "Vote pelo seu neto, filho, pelo futuro do País." O tom refletia urgência — a percepção de que o momento exigia mobilização máxima para garantir a continuidade do projeto que vinha sendo implementado.

Não vamos deixar que a energia produzida vá somente para o data center, quem quiser vir pra cá terá que investir na construção em energia renovável
— Presidente Lula
Queremos vender chip, bateria, queremos exportar inteligência, conhecimento
— Presidente Lula
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su Jovem Pan ↗
Contattaci Domande frequenti