Setenta anos após estabelecer a tradição de abrir o Debate Geral da ONU, o Brasil retorna ao palco mais amplo da diplomacia multilateral com Lula à frente — carregando não apenas o peso simbólico desse privilégio histórico, mas também agendas concretas sobre paz no Oriente Médio e a saúde das democracias ao redor do mundo. Em Nova York, o que está em jogo não é apenas a voz de um país, mas a tentativa de reafirmar que o diálogo coletivo ainda pode ser um instrumento de transformação.
Lula chega a Nova York para discursar na 80ª Assembleia Geral da ONU
A paz sustentável só é possível quando ambas as partes negociam em igualdade
Por que o Brasil tem esse privilégio de falar primeiro na Assembleia Geral?
É uma tradição que vem desde 1955. Não é uma regra formal, mas uma prática respeitada que reconhece o papel do Brasil como membro fundador e ator importante nas Nações Unidas.
Mas isso é realmente um privilégio, ou apenas uma convenção? Há alguma vantagem prática em falar primeiro, ou é mais simbólico?
E qual é a mensagem principal que Lula quer passar?
O Brasil quer colocar a Palestina em destaque. Eles esperam que mais países reconheçam o Estado Palestino durante a assembleia. Já são 147 países, mas o Brasil acredita que mais apoio é necessário.
Quantos países estão na ONU no total? Se são 147 de quantos, qual é realmente o tamanho dessa maioria?
E esse evento sobre defesa da democracia?
É uma iniciativa que reúne líderes de várias regiões para fortalecer o multilateralismo e combater extremismo, desinformação e discurso de ódio. Lula copresidirá com o Chile e a Espanha.
Qual é o alcance real dessa iniciativa? Quantos países participam? Há resultados concretos da primeira edição?
Isso parece ser uma agenda bastante ambiciosa para três dias.
É. Além dos discursos e eventos formais, Lula terá encontros bilaterais com vários líderes mundiais. É uma oportunidade para reforçar relacionamentos e posições brasileiras.
Mas a reportagem não especifica quais líderes ele vai encontrar. Sabemos que vai falar com Guterres, mas os outros encontros não estão confirmados ainda?
Le Pouls
- O Brasil chega à 80ª Assembleia Geral da ONU num momento em que o multilateralismo enfrenta pressões sem precedentes, e Lula ocupa o primeiro lugar na fila dos discursos como sinal de protagonismo histórico.
- A delegação brasileira traz uma pauta densa: ampliar o reconhecimento internacional do Estado Palestino, hoje apoiado por 147 países, exige articulação intensa nos corredores da ONU.
- A copresidência do evento 'Em Defesa da Democracia', ao lado de Boric e Sánchez, coloca o Brasil no centro de uma frente multilateral contra o extremismo, a desinformação e o enfraquecimento institucional.
- Encontros bilaterais com Guterres e outros líderes mundiais funcionam como termômetro do peso diplomático brasileiro neste momento geopolítico delicado.
Setenta anos após estabelecer a tradição de abrir o Debate Geral da ONU, o Brasil retorna ao palco mais amplo da diplomacia multilateral com Lula à frente — carregando não apenas o peso simbólico desse privilégio histórico, mas também agendas concretas sobre paz no Oriente Médio e a saúde das democracias ao redor do mundo. Em Nova York, o que está em jogo não é apenas a voz de um país, mas a tentativa de reafirmar que o diálogo coletivo ainda pode ser um instrumento de transformação.
Lula desembarcou em Nova York no domingo acompanhado do chanceler Mauro Vieira e de uma ampla delegação ministerial, dando início a uma agenda diplomática que se estende até quarta-feira na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
Desde 1955, o Brasil detém o privilégio singular de ser o primeiro país a discursar no Debate Geral. Lula exercerá essa prerrogativa na terça-feira, logo após o secretário-geral António Guterres e a presidente da assembleia, Annalena Baerbock. O tema da sessão — 'Melhor Juntos: 80 Anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos' — oferece o enquadramento para as prioridades que Brasília quer projetar ao mundo.
Uma dessas prioridades é o reconhecimento do Estado Palestino. O diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, Marcelo Marotta Viegas, sinalizou que o Brasil espera que a conferência sirva de catalisador para que mais nações se somem aos 147 que já reconhecem a Palestina — partindo do princípio de que a paz duradoura exige paridade entre as partes.
Na quarta-feira, Lula copresidirá a segunda edição do 'Em Defesa da Democracia' ao lado do chileno Gabriel Boric e do espanhol Pedro Sánchez. A iniciativa reúne líderes de diferentes regiões para fortalecer o multilateralismo e enfrentar o extremismo, a desinformação e o enfraquecimento das instituições — posicionando o Brasil como voz ativa em debates que transcendem a diplomacia convencional.
Lula desembarcou em Nova York no domingo para representar o Brasil na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, levando consigo o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e uma delegação de ministros e especialistas do governo. As atividades oficiais se estendem de segunda a quarta-feira, com o presidente ocupando um lugar de destaque no calendário diplomático internacional.
Desde 1955, o Brasil mantém uma prerrogativa rara entre os membros da ONU: é o primeiro país a discursar na abertura do Debate Geral. Lula exercerá esse privilégio na terça-feira, falando logo após o secretário-geral António Guterres e a presidente da assembleia, Annalena Baerbock, da Alemanha. Esse momento inicial é considerado estratégico para que o país apresente suas prioridades de política externa à comunidade internacional.
O tema da sessão — "Melhor Juntos: 80 Anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos" — oferece um pano de fundo para as mensagens que o Brasil pretende transmitir. Entre os encontros previstos estão conversas com Guterres e com chefes de Estado e governo de outras nações, oportunidades para reforçar posições brasileiras em questões multilaterais.
Uma das prioridades explícitas do Brasil é ampliar o reconhecimento internacional do Estado Palestino. Segundo Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, o país espera que a conferência funcione como catalisador para que mais nações se juntem aos 147 países que já reconhecem a Palestina como Estado. A posição brasileira enfatiza que a paz sustentável na região só é possível quando ambas as partes negociam em condições iguais, o que pressupõe a capacidade estatal palestina.
Na quarta-feira, Lula copresidirá a segunda edição do evento "Em Defesa da Democracia" ao lado do presidente chileno Gabriel Boric e do presidente do governo espanhol Pedro Sánchez. A iniciativa reúne líderes de diferentes regiões do mundo com o objetivo de fortalecer o multilateralismo, o Estado de Direito e a cooperação contra o extremismo, a desinformação, o discurso de ódio e o enfraquecimento das instituições democráticas. Essa participação reforça o posicionamento brasileiro em temas que vão além da diplomacia tradicional, tocando em questões que afetam a estabilidade política global.
Citations marquantes
Na perspectiva brasileira, a paz sustentável só pode ser alcançada na região se ambas as partes puderem negociar em igualdade de condições, o que inclui a capacidade estatal da Palestina— Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores