Lula chega a Nova York para discursar na 80ª Assembleia da ONU

A paz duradoura só é possível se ambas as partes negociem em igualdade
A posição brasileira sobre a solução do conflito palestino, segundo o Itamaraty.
Mark

Por que o Brasil tem esse privilégio de falar primeiro na Assembleia Geral? É algo que vem de muito tempo?

Mimi

Desde 1955. É uma tradição de 70 anos. Ninguém sabe exatamente por que começou assim, mas o Brasil mantém esse lugar de honra na abertura do Debate Geral.

Luke

Mas qual é o peso real disso? Quer dizer, é simbólico ou muda alguma coisa na prática?

Mimi

É principalmente simbólico, mas em diplomacia o simbólico importa. Significa que o mundo ouve a prioridade brasileira antes de ouvir qualquer outro país. Lula vai falar sobre democracia, multilateralismo, Palestina.

Mark

E quanto ao protesto? Vinte pessoas gritando apoio a Trump — isso é representativo de algo maior?

Mimi

Difícil dizer. Mas é significativo que tenha acontecido justamente agora, quando Lula está em sua primeira viagem aos EUA durante a crise com Trump.

Luke

A reportagem não diz quantos manifestantes eram brasileiros de verdade ou se eram organizados. Só diz que havia "cerca de vinte". E o Serviço Secreto os afastou — então não sabemos o tamanho real do incidente.

Mark

Faz sentido. E a questão palestina — o Brasil quer que mais países reconheçam a Palestina. Quantos já reconhecem?

Mimi

147 países. O Brasil quer ampliar esse número durante a Assembleia.

Luke

Mas a reportagem não diz se há alguma chance real disso acontecer ou se é mais um desejo do que uma estratégia com perspectivas concretas.

Mark

E esse evento "Em Defesa da Democracia" — é novo?

Mimi

É a segunda edição. Lula copresidirá com o presidente do Chile e o presidente do governo da Espanha. Reúne líderes de todas as regiões para fortalecer o multilateralismo e combater extremismo e desinformação.

Luke

Mas a reportagem não explica quando foi a primeira edição ou qual foi o resultado dela. Então não sabemos se esse tipo de evento tem impacto real.

  • O Brasil chega a Nova York com uma tradição de 70 anos intacta: nenhum outro país-membro discursa antes dele na abertura do Debate Geral da ONU.
  • A agenda diplomática é densa e veloz — encontros com Guterres, chefes de Estado, o rei da Suécia e até o CEO do TikTok se acumulam entre segunda e quarta-feira.
  • A tensão não esperou pelo plenário: cerca de vinte manifestantes brasileiros pró-Trump confrontaram Lula na chegada, sendo dispersos pelo Serviço Secreto americano.
  • O Brasil aposta na conferência para ampliar o reconhecimento internacional do Estado Palestino, hoje reconhecido por 147 países, defendendo que a paz exige paridade entre as partes.
  • Na quarta-feira, Lula copresidirá ao lado de Boric e Sánchez o evento 'Em Defesa da Democracia', sinalizando uma frente multilateral contra o extremismo e a desinformação.
  • A viagem é a primeira de Lula aos EUA em meio à crise diplomática com a administração Trump, tornando cada gesto e cada encontro carregado de significado político.

A cada setembro, o Brasil ocupa um lugar singular no palco das nações: o primeiro a falar, o primeiro a propor. Lula chegou a Nova York carregando sete décadas de tradição diplomática e uma agenda que entrelaça a causa palestina, a defesa da democracia e o esforço de reposicionar o Brasil como voz do multilateralismo num mundo cada vez mais fraturado. A 80ª Assembleia Geral da ONU não é apenas um ritual institucional — é o momento em que um país escolhe, diante de todos, o que considera urgente para a humanidade.

O presidente Lula desembarcou em Nova York no domingo acompanhado do chanceler Mauro Vieira e de uma ampla delegação ministerial, dando início a uma das semanas mais carregadas do calendário diplomático brasileiro. A programação se estende até quarta-feira e inclui encontros bilaterais com o secretário-geral António Guterres e líderes de diversas nações.

Desde 1955, o Brasil detém o privilégio de ser o primeiro Estado-membro a discursar na abertura do Debate Geral da Assembleia. Lula exercerá essa prerrogativa na terça-feira, logo após as falas de Guterres e da presidente da 80ª Assembleia, Annalena Baerbock. O Itamaraty enxerga o discurso como plataforma central para projetar as prioridades da política externa brasileira.

Um dos focos declarados da delegação é ampliar o reconhecimento internacional do Estado Palestino — hoje reconhecido por 147 países. O diretor Marcelo Marotta Viegas sinalizou que o Brasil defende que uma paz duradoura no Oriente Médio só é possível se a Palestina tiver capacidade estatal plena para negociar em igualdade de condições.

Na quarta-feira, Lula copresidirá o evento 'Em Defesa da Democracia' ao lado do chileno Gabriel Boric e do espanhol Pedro Sánchez, reunindo líderes de diferentes regiões para fortalecer o multilateralismo e enfrentar o extremismo, a desinformação e o enfraquecimento institucional — temas de crescente urgência num mundo polarizado.

A chegada, porém, não foi tranquila. Um grupo de cerca de vinte manifestantes brasileiros protestou contra o presidente na chegada, gritando apoio a Trump e dirigindo ofensas a Lula e à primeira-dama Janja. O Serviço Secreto americano dispersou o grupo. O episódio sublinha o contexto delicado desta visita: é a primeira de Lula aos Estados Unidos desde o acirramento das tensões diplomáticas com a administração Trump.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York no domingo para participar da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, trazendo consigo o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e uma delegação de ministros e especialistas do governo. A programação oficial se estende de segunda a quarta-feira, e o Brasil chega com um calendário diplomático denso que inclui encontros bilaterais com o secretário-geral António Guterres, chefes de Estado e de governo de outras nações.

Desde 1955, o Brasil mantém uma prerrogativa que poucos países possuem: ser o primeiro Estado-membro a discursar na abertura do Debate Geral da Assembleia. Lula exercerá esse privilégio na terça-feira, falando logo após Guterres e após Annalena Baerbock, presidente da 80ª Assembleia e chanceler da Alemanha. O discurso é visto pelo Itamaraty como uma plataforma para apresentar as prioridades da política externa brasileira à comunidade internacional.

O tema escolhido para esta sessão — "Melhor Juntos: 80 Anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos" — oferece um pano de fundo para as mensagens que o Brasil pretende transmitir. Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, sinalizou que o país espera usar a conferência para ampliar o reconhecimento internacional do Estado Palestino. Atualmente, 147 países já reconhecem a Palestina como Estado. Segundo Viegas, a perspectiva brasileira é que uma paz duradoura na região só é possível se ambas as partes negociem em igualdade de condições, o que exige que a Palestina tenha capacidade estatal plena.

Na quarta-feira, Lula copresidirá o evento "Em Defesa da Democracia" ao lado do presidente chileno Gabriel Boric e do presidente do governo espanhol Pedro Sánchez. A iniciativa reúne líderes de diferentes regiões do mundo com o objetivo de fortalecer o multilateralismo, o Estado de Direito e a cooperação contra o extremismo, a desinformação, o discurso de ódio e o enfraquecimento das instituições democráticas — temas que ganham relevância em um contexto global de polarização política.

A chegada de Lula a Nova York não transcorreu sem tensão. Um grupo de cerca de vinte manifestantes brasileiros se posicionou para protestar contra o presidente, gritando apoio ao presidente norte-americano Donald Trump e dirigindo ofensas a Lula e à primeira-dama Janja. O Serviço Secreto dos Estados Unidos, responsável pela segurança das delegações na ONU, dispersou os manifestantes. O incidente marca a primeira viagem de Lula aos Estados Unidos em meio a uma crise diplomática com a administração Trump.

Lula e Janja estão hospedados na residência oficial do Brasil em Nova York, onde reside o embaixador Sérgio Danese, representante permanente do país perante a ONU. Na segunda-feira, a agenda presidencial inclui uma audiência com o diretor-executivo do TikTok, Shou Zi Chew, uma conferência internacional sobre a solução pacífica da questão palestina e a implementação da solução de dois Estados, e um encontro com o Rei Carl XIV Gustaf e a Rainha Sílvia da Suécia. Os próximos dias definirão o tom da posição brasileira em questões que vão desde a democracia até conflitos regionais.

Na perspectiva brasileira, a paz sustentável só pode ser alcançada na região se ambas as partes puderem negociar em igualdade de condições, o que inclui a capacidade estatal da Palestina
— Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores
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