Com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York, o Brasil reafirma seu lugar no centro do diálogo multilateral: o presidente participa da 78ª Assembleia Geral da ONU e se encontra com Joe Biden numa semana que promete consolidar acordos sobre direitos trabalhistas e reposicionar o país como voz ativa do Sul Global. A diplomacia, aqui, não é apenas protocolo — é a tentativa de traduzir convicções em pactos concretos, num momento em que as tensões entre desenvolvimento e equidade moldam a agenda internacional.
Lula chega a Nova York para Assembleia da ONU e reunião com Biden
Lula critica embargo de 60 anos e reafirma defesa de Cuba
Por que essa viagem é importante agora? Lula já não estava consolidado no cargo?
A viagem marca a reafirmação do Brasil como ator global em temas que importam — direitos trabalhistas, posição sobre Cuba, parceria com os EUA. É também um sinal de que o governo está priorizando diplomacia multilateral.
Mas vale notar: a gente não sabe ainda o que exatamente será anunciado na reunião com Biden. A fonte fala em "espera-se o anúncio de acordos", mas não detalha o que são esses acordos além da iniciativa trabalhista.
E quanto à posição sobre Cuba? Isso não cria tensão com os americanos?
Lula está sendo claro: ele discorda do embargo e da lista de terrorismo. Mas o encontro com Biden ainda vai acontecer, então a diplomacia segue seu curso.
Exato. A crítica a Cuba é pública, mas o encontro bilateral está mantido. Isso sugere que ambos os lados compartimentalizam — discordam em alguns pontos, mas têm interesse em cooperar em outros.
Qual é o peso dessa iniciativa trabalhista que vão anunciar?
Se for bem executada, pode estabelecer um padrão global sobre direitos do trabalho. Mas a iniciativa ainda está em fase de apresentação.
E aí está o risco: a gente sabe que vai ser anunciada, mas não sabemos como será recebida pelos outros países, nem qual é o mecanismo de implementação. É uma promessa, não um resultado.
Der Puls
- Lula desembarca em Nova York com uma agenda densa: discurso de abertura na ONU, encontro bilateral com Biden e jantar com lideranças industriais e parlamentares brasileiras — tudo em menos de uma semana.
- Antes mesmo de pisar em solo americano, o presidente acendeu um ponto de tensão ao criticar abertamente o embargo dos EUA contra Cuba e sua classificação como Estado patrocinador do terrorismo, sinalizando que a parceria com Washington não silenciará divergências históricas.
- O encontro com Biden, marcado para quarta-feira, carrega a expectativa de um anúncio simbólico e prático: uma iniciativa global conjunta sobre direitos trabalhistas, combate ao trabalho infantil e à escravidão moderna.
- A delegação brasileira — 12 ministros, a primeira-dama e lideranças do Legislativo e do Judiciário — revela o peso político que Brasília atribui a esta semana de diplomacia.
- Esta é a 14ª viagem internacional de Lula em 2023; ao retornar, terá passado 56 dos primeiros nove meses de mandato fora do Brasil, um ritmo que reflete tanto ambição global quanto exposição política doméstica.
Com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York, o Brasil reafirma seu lugar no centro do diálogo multilateral: o presidente participa da 78ª Assembleia Geral da ONU e se encontra com Joe Biden numa semana que promete consolidar acordos sobre direitos trabalhistas e reposicionar o país como voz ativa do Sul Global. A diplomacia, aqui, não é apenas protocolo — é a tentativa de traduzir convicções em pactos concretos, num momento em que as tensões entre desenvolvimento e equidade moldam a agenda internacional.
Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York na noite de sábado, 16 de setembro, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, para uma semana de diplomacia intensa centrada na 78ª Assembleia Geral da ONU e num encontro bilateral com Joe Biden. A viagem marca a 14ª incursão internacional do presidente em 2023 e consolida o esforço brasileiro de se reposicionar como protagonista nos debates globais.
Ainda antes de pousar em solo americano, Lula participou da cúpula do G77 — fórum que reúne 134 países em desenvolvimento, com a China como convidada especial — e aproveitou o espaço para criticar o embargo econômico dos EUA contra Cuba, classificando-o como ilegal, e contestar a inclusão do país caribenho na lista americana de patrocinadores do terrorismo, uma designação reativada em 2021 sob Trump.
O ponto alto da semana será quarta-feira, 20 de setembro: Lula abre os trabalhos da Assembleia Geral — prerrogativa histórica do Brasil no fórum — e em seguida se reúne com Biden. O encontro deve resultar no lançamento de uma iniciativa global conjunta sobre direitos trabalhistas, com foco na geração de empregos e no combate ao trabalho infantil e análogo à escravidão, proposta anunciada pelo presidente em agosto e detalhada pelo ministro Luiz Marinho.
No domingo, a agenda inclui um jantar promovido pela CNI e pela Fiesp, reunindo ministros, empresários e lideranças do Congresso, como Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. A delegação brasileira conta com ao menos 12 ministros, entre eles Haddad, Marina Silva, Sonia Guajajara e Margareth Menezes. Lula retorna ao Brasil na sexta-feira, 22 de setembro, tendo acumulado 56 dias fora do país nos primeiros nove meses de mandato.
Luiz Inácio Lula da Silva pousou em Nova York na noite de sábado, 16 de setembro, acompanhado pela primeira-dama Janja da Silva, para uma semana de diplomacia de alto nível que inclui a 78ª Assembleia Geral da ONU e um encontro bilateral com o presidente Joe Biden. A chegada marca o início de uma sequência de compromissos que consolidará a posição brasileira em temas globais e reafirmará a parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos.
Antes de desembarcar em solo americano, Lula havia participado da cúpula do G77 no mesmo dia, um encontro que reúne 134 países em desenvolvimento da ONU e que contou com a China como convidada especial neste ano. No fórum, o presidente brasileiro não poupou críticas ao embargo econômico que os Estados Unidos mantêm contra Cuba há mais de seis décadas, qualificando a medida como ilegal. Lula também contestou a inclusão de Cuba na lista americana de Estados patrocinadores do terrorismo, uma classificação que foi reimplementada em 2021 durante a administração Donald Trump, após ter sido removida em 2015 sob a gestão de Barack Obama.
O encontro com Biden está marcado para quarta-feira, 20 de setembro, logo após Lula proferir o discurso de abertura da assembleia da ONU — uma prerrogativa tradicional do Brasil neste fórum. Espera-se que o encontro bilateral resulte no anúncio de acordos substantivos, particularmente o lançamento de uma iniciativa global conjunta focada no avanço dos direitos trabalhistas. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a proposta elaborada pelos dois países visa estimular a criação de empregos e promover debate sobre questões críticas como a precariedade do trabalho, a exploração infantil e o trabalho em condições análogas à escravidão. Lula havia anunciado esse plano em 14 de agosto, enfatizando seu potencial para gerar postos de trabalho.
No domingo, 17 de setembro, o presidente participa de um jantar organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento reúne ministros, congressistas, empresários e lideranças legislativas, incluindo Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União, também está previsto para comparecer.
A delegação brasileira é robusta: além de Lula, pelo menos 12 ministros estão em Nova York. A comitiva inclui Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Jader Filho (Cidades), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Nísia Trindade (Saúde), Sonia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), Cida Gonçalves (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral).
Esta é a 14ª viagem internacional de Lula em 2023. O presidente retorna ao Brasil na sexta-feira, 22 de setembro. Quando voltar dos Estados Unidos, terá completado 56 dias fora do país — quase dois dos nove meses de seu mandato até aquele momento.
Bemerkenswerte Zitate
Lula qualificou o embargo econômico dos EUA contra Cuba como ilegal e contestou a inclusão do país na lista americana de patrocinadores do terrorismo— Presidente Lula, durante a cúpula do G77
A proposta elaborada pelos dois países visa estimular a criação de empregos e promover debate sobre precariedade do trabalho, exploração infantil e trabalho análogo à escravidão— Ministro Luiz Marinho, sobre a iniciativa trabalhista com os EUA