Ligue 180 ultrapassa 1 milhão de atendimentos em sete meses de 2026

Mais de 98 mil denúncias de violência de gênero registradas em sete meses, afetando mulheres em todo o território nacional que buscam proteção e orientação.
Antes, só consideravam violência as agressões físicas. Hoje, você tem denúncias de violência psicológica
Secretária do Ministério das Mulheres reflete sobre a mudança na percepção sobre tipos de violência.
Mark

Por que você acha que o número de atendimentos cresceu tanto em apenas sete meses?

Mimi

Há duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Uma é que mais mulheres estão reconhecendo o que é violência — não apenas os socos e chutes, mas também o isolamento, as humilhações, o controle. A outra é que o serviço está mais acessível, mais conhecido. Quando você sabe que existe um número para ligar, que alguém vai ouvir, você liga.

Mark

E por que a violência psicológica lidera as denúncias agora?

Mimi

Porque é a mais comum, provavelmente. E porque, durante muito tempo, ninguém chamava aquilo de violência. Era só "ele é ciumento", "ele é controlador". Agora as mulheres têm palavras para nomear o que vivem.

Mark

A maioria das chamadas é pedido de informação, não denúncia. O que isso diz?

Mimi

Diz que as mulheres querem sair, mas não sabem por onde começar. Elas ligam para entender o que existe, onde ir, como funciona. O Ligue 180 não é só um lugar para denunciar; é um mapa.

Mark

São Paulo tem quase o dobro de atendimentos que o Rio de Janeiro. Por quê?

Mimi

Parte é população — São Paulo é maior. Mas também pode ser acesso, divulgação, confiança no serviço. Ou talvez as mulheres em São Paulo estejam mais dispostas a falar. É difícil saber sem aprofundar.

Mark

Se o ritmo continuar assim, o serviço vai receber dois milhões de chamadas em um ano?

Mimi

Provavelmente vai passar disso. E isso significa que a demanda por proteção e informação é muito maior do que a gente imaginava — ou que finalmente as mulheres estão falando.

  • 1.035.647 atendimentos em sete meses (média de 4.884 por dia)
  • 95% do volume total de 2025 já atingido em apenas sete meses
  • Violência psicológica: 35.284 denúncias (35% do total)
  • São Paulo lidera com 106.552 atendimentos
  • 872.257 pedidos de informação sobre serviços de proteção

1.035.647 atendimentos em sete meses (média de 4.884 por dia) já correspondem a 95% do volume total de 2025, indicando crescimento significativo na procura pelo serviço. Violência psicológica representa 35% das denúncias, seguida por violência doméstica (24,5%) e física (18%), mostrando mudança na percepção sobre tipos de violência.

O Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos nos primeiros sete meses de 2026, atingindo 95% do total de 2025. Violência psicológica lidera as denúncias, refletindo maior conscientização sobre tipos de violência contra mulheres.

Nos primeiros sete meses de 2026, a Central de Atendimento à Mulher recebeu mais de um milhão de chamadas. Entre janeiro e julho, foram 1.035.647 atendimentos — uma média de 4.884 por dia — um número que já representa 95% de tudo o que o serviço processou durante os doze meses inteiros de 2025. O Ligue 180, gerenciado pelo Ministério das Mulheres, está a menos de 50 mil chamadas de superar o volume total do ano anterior, sinalizando um crescimento acentuado na procura pelo serviço ou, talvez, uma mudança mais profunda em como as mulheres brasileiras estão reconhecendo e denunciando a violência que enfrentam.

Desses mais de um milhão de atendimentos, a maioria — 872.257 — consistiu em pedidos de informação. As mulheres queriam saber onde encontrar ajuda, como funcionava a rede de proteção, quais eram seus direitos. Outras 98.705 chamadas foram denúncias diretas de violência de gênero. Houve ainda 63.478 pedidos de orientação e encaminhamento para serviços especializados, e 1.207 manifestações. O padrão é claro: as mulheres não apenas denunciam; elas buscam informação, orientação, um caminho para sair da situação em que se encontram.

O tipo de violência mais denunciado foi a psicológica. De janeiro a julho, foram 35.284 casos — 35% do total de denúncias. Depois vieram a violência doméstica, prevista na Lei Maria da Penha, com 24.273 casos (24,5%); a violência física, com 18.134 casos (18%); a violência moral, com 14.635 casos (15%); e a violência patrimonial, com 8.239 casos (8%). Para Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, esses números revelam algo importante: a percepção sobre o que constitui violência está mudando. "Antes, só consideravam violência contra as mulheres as agressões físicas e o feminicídio. Hoje, você tem denúncias de violência psicológica, que é a primeira no ranking de denúncias", disse ela. A conscientização sobre as diferentes formas de abuso — nem sempre visíveis, mas profundamente prejudiciais — parece estar crescendo.

Geograficamente, São Paulo lidera com folga. O estado registrou 106.552 atendimentos nos sete meses, seguido por Rio de Janeiro (64.670), Minas Gerais (42.439), Bahia (28.143) e Rio Grande do Sul (17.989). A concentração em São Paulo reflete tanto a população maior quanto, possivelmente, maior acesso ao serviço ou maior disposição de denunciar.

Entre os pedidos de informação, a maioria — 462.919 chamadas, ou 44,7% — foi sobre os serviços disponíveis na rede de proteção às mulheres. Outras 200.989 chamadas (19,4%) buscavam entender como o próprio Ligue 180 funcionava. E 132.042 chamadas (12,75%) solicitavam informações sobre políticas e campanhas governamentais para mulheres. Segundo Estela Bezerra, o Ligue 180 funciona não apenas como um canal de denúncia, mas como um ponto de entrada para a rede de proteção. "O Ligue 180 tem sido o canal em que as mulheres, em todo o território nacional, podem ter acesso a atendentes qualificadas, com as informações necessárias sobre as tipologias de violência", afirmou. O serviço encaminha as mulheres para os recursos disponíveis — abrigos, delegacias especializadas, atendimento psicológico, orientação jurídica.

O Ligue 180 funciona vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. O atendimento é gratuito e sigiloso. Além do telefone 180, as mulheres podem contatar o serviço via WhatsApp ou e-mail. A trajetória do serviço até aqui — de pouco mais de um milhão de chamadas em sete meses — sugere que a demanda por proteção e informação continua crescendo, ou que mais mulheres estão encontrando coragem para falar.

O Ligue 180 tem sido o canal em que as mulheres, em todo o território nacional, podem ter acesso a atendentes qualificadas, com as informações necessárias sobre as tipologias de violência
— Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
Antes, só consideravam violência contra as mulheres as agressões físicas e o feminicídio. Hoje, você tem denúncias de violência psicológica, que é a primeira no ranking de denúncias
— Estela Bezerra
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei G1 ↗
Kontakt FAQ