Demissão inspira empreendedora a transformar costura em negócio de impacto social

Não preciso provar nada para ninguém. Preciso provar para mim.
Agnes reflete sobre como transformou uma crítica em motivação para construir seu negócio.
Mark

O que mudou quando você decidiu comprar aquela máquina sem saber costurar?

Mimi

Tudo. Mas não foi uma decisão racional. Foi mais um "e se?". Eu tinha um plano B — as ecobags — mas acho que já sabia que ia me apaixonar.

Mark

Sua mãe vendendo crochê influenciou isso?

Mimi

Muito. Ela nunca esperou que alguém resolvesse as coisas para ela. Sempre arrumava um jeito. Eu absorvi isso dela, aquela capacidade de se virar.

Mark

Quando você descobriu que queria ensinar, foi um momento de clareza?

Mimi

Sim. Entrei naquela sala de aula com medo, mas foi instantâneo. Percebi que era ali que eu queria estar. Não era só sobre costura — era sobre conectar com as pessoas.

Mark

As redes sociais parecem ser tudo para o seu negócio.

Mimi

São. Cem por cento. Se você não comunica bem o que faz, o cliente não chega. Mas também criei uma comunidade lá, não é só venda.

Mark

Aquela professora que disse que você nunca teria uma máquina profissional — como você transformou isso?

Mimi

Em combustível. Aprendi que não preciso provar nada para ninguém. Preciso provar para mim mesma. E hoje tenho várias máquinas.

Mark

O ateliê se tornou mais que um lugar de trabalho?

Mimi

Muito mais. É um espaço onde mulheres se sentem acolhidas, onde a gente se apoia. Isso é tão importante quanto aprender a costurar.

  • Demitida de um emprego em telemarketing que não a realizava, Agnes enfrentou a urgência de reinventar sua vida sem rede de segurança e sem habilidade técnica.
  • A aposta de R$ 600 em uma máquina de costura gerou insegurança real — as primeiras peças estavam longe da perfeição, e uma professora chegou a dizer que ela jamais compraria um equipamento profissional.
  • Agnes transformou cada obstáculo em combustível: aprendeu o ofício, descobriu a vocação para ensinar e construiu uma presença digital que hoje responde por cem por cento do retorno do negócio.
  • Com vinte mil seguidores e alunas em outros países, o ateliê deixou de ser apenas um espaço de produção e se tornou uma rede de acolhimento onde mulheres trocam histórias, tomam café e ganham confiança para empreender.
  • O próximo passo de Agnes é ampliar esse alcance — mais mulheres com acesso ao trabalho, à costura e à possibilidade de construir uma vida mais leve e autônoma.

Quando o emprego desaparece, alguns recuam — Agnes Martins avançou. Com seiscentos reais e nenhuma experiência em costura, ela transformou uma demissão em São Paulo no ponto de partida de um ateliê que hoje forma alunos de nove a noventa anos e inspira mulheres a construir autonomia econômica com agulha, linha e presença digital.

Agnes Martins não sabia costurar quando comprou sua primeira máquina. Vinha de anos em telemarketing e contabilidade — trabalhos que pagavam as contas mas não a preenchiam. Quando a demissão chegou, ela enxergou uma abertura improvável: investir seiscentos reais, aprender o ofício e, se tudo falhasse, ao menos teria ecobags para vender. Aquele plano modesto se tornaria o alicerce de um dos negócios mais simbólicos do empreendedorismo feminino em São Paulo.

A disposição para arriscar veio da mãe, que sempre encontrou formas criativas de complementar a renda da família com trabalhos manuais. Agnes herdou essa capacidade de transformar limitação em possibilidade. A primeira cliente foi uma tia que comprava suas peças mesmo imperfeitas — o tipo de apoio que sustenta quem ainda está aprendendo a andar.

Foi durante os cursos de aperfeiçoamento que Agnes descobriu algo inesperado: gostava de ensinar. Uma professora a incentivou a assumir uma turma antes que ela se sentisse pronta. Entrou na sala com medo e saiu com vocação. Hoje o ateliê oferece aulas para pessoas de nove a noventa anos, com pacotes presenciais e cursos online que chegam a alunas em outros países.

As redes sociais foram o motor do crescimento. Com cerca de vinte mil seguidores, toda a captação de clientes acontece pelo digital. Agnes é direta: se alguém entra no perfil e não entende o que você faz, o cliente não chega. A presença online não é um detalhe — é o próprio negócio.

No caminho, uma professora lhe disse que ela nunca teria dinheiro para comprar uma máquina profissional. A frase poderia tê-la paralisado. Virou combustível. Hoje Agnes possui várias máquinas e mantém parcerias com empresas do setor. O que ela quer agora é ampliar o alcance do ateliê — transformá-lo em espaço de acolhimento onde mais mulheres possam aprender, empreender e construir autonomia com as próprias mãos.

Agnes Martins estava desempregada quando decidiu fazer algo que parecia improvável: comprar uma máquina de costura sem nunca ter costurado na vida. Tinha vindo de trabalhos em telemarketing e contabilidade, áreas que não a satisfaziam. Mas havia algo em moda que a atraía, e quando o emprego desapareceu, ela viu ali uma porta aberta. O plano era pragmático e modesto: investir seiscentos reais, aprender o ofício, e se nada funcionasse, ao menos teria ecobags para vender. Aquele investimento inicial, porém, virou o começo de uma trajetória que hoje a coloca como referência em empreendedorismo feminino em São Paulo.

A inspiração para arriscar veio de casa. A mãe de Agnes sempre se virava com trabalhos paralelos, vendendo peças de crochê para complementar a renda familiar. Nunca ficava parada, sempre encontrava algo para fazer. Agnes herdou essa disposição, aquela capacidade de transformar limitações em possibilidades. Quando comprou a máquina, não sabia exatamente o que fazia. Mas se apaixonou no processo. A primeira cliente foi uma tia que comprava suas peças mesmo quando ainda estavam longe da perfeição — aquele tipo de apoio que sustenta os primeiros passos.

Enquanto aperfeiçoava a técnica em cursos, Agnes descobriu algo inesperado: gostava de ensinar. Uma professora a incentivou a assumir uma turma, mesmo com insegurança. Entrou naquela sala de aula com medo, mas foi ali que tudo fez sentido. Descobriu que era isso que queria fazer. Hoje o ateliê oferece aulas para pessoas de nove a noventa anos, com pacotes de quatro aulas custando trezentos e setenta e sete reais. Ela também vende materiais para costura no espaço. O negócio cresceu, mas não por acaso — cresceu porque Agnes foi atrás, mostrou que seu trabalho era bom, buscou as oportunidades em vez de esperar que chegassem.

As redes sociais foram decisivas. Com cerca de vinte mil seguidores, praticamente toda a divulgação acontece por plataformas digitais. Agnes tem alunas de outros países. Ela é clara sobre isso: cem por cento do retorno do negócio vem das redes sociais. Se alguém entra no perfil e não entende o que você faz, o cliente não chega. Isso significa que a presença digital não é um detalhe — é o negócio.

No caminho, enfrentou momentos de desânimo. Durante um curso, uma professora lhe disse que nunca teria dinheiro para comprar uma máquina de costura profissional. A frase poderia ter sido paralisante. Em vez disso, virou combustível. Agnes aprendeu que não precisa provar nada para ninguém — precisa provar para si mesma que não é o que as pessoas pensam. Hoje possui várias máquinas e mantém parcerias com empresas do setor.

Mas o ateliê virou algo maior que um espaço de produção. Tornou-se um lugar de acolhimento entre mulheres. Lá se toma café, aprende-se, trocam-se ideias, desabafam-se histórias. Uma rede de apoio além do ensino. Uma de suas alunas, que chegou para aperfeiçoar conhecimentos e hoje também desenvolve a identidade visual da marca, diz que a trajetória de Agnes lhe deu confiança para empreender. Isso é o que ela quer ampliar: mais mulheres com acesso ao trabalho, à possibilidade de costurar, empreender, ser felizes e leves. Esse é o futuro que Agnes desenha para si e para as outras.

Comprei uma máquina mesmo sem saber costurar. Pensei: se nada der certo, faço umas ecobags para vender. Mas daí eu já me apaixonei.
— Agnes Martins
Aqui é um lugar onde a gente toma um café, aprende, troca ideias, desabafa. Criamos uma rede de apoio, além do ensino.
— Agnes Martins
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