Líder religioso mexicano condenado a 16 anos por abuso sexual de menores

Múltiplas vítimas menores foram forçadas a atos sexuais através de manipulação religiosa; vítimas relatam trauma duradouro, perda de fé e exploração da inocência.
O mundo ouviu-vos, mas a Igreja escolheu não escutar
O juiz reconheceu as vítimas enquanto a organização religiosa negava a condenação do seu líder.

Em Los Angeles, um homem que se apresentava ao mundo como mensageiro de Deus foi condenado a quase dezassete anos de prisão por crimes que cometeu contra crianças em nome dessa mesma divindade. Naason Joaquin Garcia, líder da organização evangélica La Luz del Mundo e autodenominado 'Apóstolo', usou a fé de milhões como escudo e como arma, forçando menores a atos sexuais sob a ameaça espiritual de desobedecer a Deus. O caso recorda-nos que a autoridade sagrada, quando não encontra limites, pode tornar-se o mais refinado dos instrumentos de dominação.

  • Garcia declarou-se culpado de violação de dois menores e agressão sexual contra uma adolescente de 15 anos, crimes cometidos entre 2015 e 2018 enquanto liderava uma organização com cinco milhões de seguidores.
  • A manipulação era teológica e total: resistir ao 'Apóstolo' era, segundo ele e os seus cúmplices, o mesmo que resistir à vontade de Deus — deixando as vítimas sem saída moral.
  • No tribunal, o juiz pediu desculpa às vítimas por não poder impor uma pena mais severa, mas garantiu-lhes que 'o mundo as ouviu', reconhecendo publicamente Garcia como predador sexual.
  • Apesar da confissão e da condenação, a La Luz del Mundo publicou um comunicado declarando que a sua confiança em Garcia 'permanece intacta', acusando a justiça de fabricar provas e protegendo a narrativa institucional acima das vítimas.

Naason Joaquin Garcia, líder da organização evangélica La Luz del Mundo, foi condenado a dezasseis anos e oito meses de prisão por um tribunal de Los Angeles. Com 53 anos, tinha-se declarado culpado na semana anterior de violação de dois menores e agressão sexual contra uma rapariga de 15 anos — crimes cometidos entre 2015 e 2018, enquanto dirigia uma organização que afirma ter cerca de cinco milhões de seguidores em todo o mundo.

O que distingue este caso é o mecanismo da manipulação. Garcia e dois cúmplices usaram a religião como instrumento de coerção: diziam às vítimas que resistir aos desejos do 'Apóstolo' equivalia a opor-se a Deus. O abuso não era apenas físico — estava revestido de autoridade divina, tornando a resistência quase impensável para quem cresceu dentro da fé.

No tribunal, o juiz Ronald Coen reconheceu as limitações legais que o impediam de impor uma pena maior, pedindo desculpa diretamente às vítimas que queriam testemunhar e exigiam a pena máxima. Mas sublinhou que 'o mundo as ouviu', e classificou Garcia sem ambiguidade: um predador sexual. As vítimas que falaram publicamente descreveram vidas alteradas para sempre — a fé destruída, a inocência explorada, a confiança em Deus usada contra elas.

Apesar da confissão, a La Luz del Mundo respondeu com um comunicado de apoio incondicional ao condenado, acusando o sistema judicial de fabricar provas e afirmando que Garcia aceitou o acordo apenas para proteger a Igreja e a família. A organização declarou que a sua confiança nele 'permanece intacta'. As vítimas ficaram com as cicatrizes. A instituição ficou com a narrativa que escolheu acreditar.

Naason Joaquin Garcia, o homem que liderava a organização evangélica La Luz del Mundo, foi condenado na quarta-feira a dezasseis anos e oito meses de prisão. Garcia, com 53 anos, tinha-se declarado culpado na semana anterior dos crimes pelos quais foi julgado em Los Angeles — violação de dois menores e agressão sexual contra uma rapariga de 15 anos. Os crimes ocorreram entre 2015 e 2018, enquanto ele dirigia a organização religiosa internacional que afirma ter cerca de cinco milhões de seguidores espalhados pelo mundo.

O que distingue este caso é a forma como Garcia e dois homens que trabalhavam com ele usaram a religião como arma. Forçavam as vítimas a praticar atos sexuais sob um argumento que era simultaneamente simples e devastador: se resistissem aos desejos do "Apóstolo" — o título que Garcia usava — estariam a opor-se a Deus. A manipulação era completa. Não era apenas abuso; era abuso revestido de autoridade divina.

Garcia tinha negado as acusações durante muito tempo. Mas eventualmente aceitou um acordo com a justiça, declarando-se culpado. No tribunal, o juiz Ronald Coen pediu desculpa às vítimas, muitas das quais queriam testemunhar e pediam a pena máxima. "Estou de mãos atadas", disse o juiz às mulheres, explicando as limitações legais que o impediam de impor uma sentença mais severa. Mas acrescentou algo que importava: "o mundo ouviu-vos". Descreveu Garcia como um "predador sexual".

As vítimas que falaram publicamente não pouparam palavras. Uma delas disse que Garcia merecia ficar na prisão para sempre, e que mesmo isso não seria suficiente. Outra explicou como ele tinha destruído a sua fé, como a tinha usado, como tinha explorado a sua inocência e a sua confiança em Deus. Estas não eram declarações abstratas sobre injustiça; eram relatos de pessoas cujas vidas tinham sido alteradas pela pessoa que supostamente as guiava espiritualmente.

O que torna o caso ainda mais perturbador é a resposta da própria organização. Apesar da confissão de Garcia, apesar dos testemunhos das vítimas, a La Luz del Mundo publicou um comunicado no Twitter renovando o seu apoio público ao condenado. A organização acusou o sistema de justiça de ter fabricado provas e de não ter permitido um julgamento justo. Afirmou que Garcia não tinha tido escolha a não ser aceitar o acordo, que o fez para proteger a Igreja e a sua família. E terminou com uma frase que resume a negação completa: "A nossa confiança nele permanece intacta em todo o conhecimento da sua integridade, da sua conduta e do seu trabalho".

A organização continua a funcionar, continua a ter milhões de seguidores, e continua a defender o homem que foi condenado por explorar sexualmente menores sob a capa da religião. As vítimas ficaram com as cicatrizes. A Igreja ficou com a narrativa que escolheu acreditar.

Ele merecia ficar na prisão para sempre, mas isso não seria ainda suficiente. Usou-me, usou a minha fé em Deus e a minha inocência.
— Uma das vítimas, em comunicado lido no tribunal
A nossa confiança nele permanece intacta em todo o conhecimento da sua integridade, da sua conduta e do seu trabalho.
— La Luz del Mundo, em comunicado publicado após a condenação
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é que uma organização religiosa consegue manter apoio público a alguém que se declarou culpado de abuso sexual de menores?

Model

Porque para os seguidores, a narrativa da Igreja é mais real do que a sentença do tribunal. Garcia é o "Apóstolo", uma figura sagrada. Questionar a condenação dele é questionar a própria Igreja.

Inventor

Mas as vítimas testemunharam. Ele confessou.

Model

Confessou, sim, mas a Igreja diz que foi forçado a isso. Para os seguidores, isso é a verdade que importa — não o que um tribunal americano decidiu.

Inventor

Como é que se usa religião para forçar uma criança a fazer algo assim?

Model

Dizes-lhe que o líder é a voz de Deus. Dizes-lhe que resistir é pecado. Dizes-lhe que Deus quer isto. Quando a autoridade religiosa e a autoridade sexual se sobrepõem, a criança não tem defesa.

Inventor

As vítimas disseram que perderam a fé.

Model

Perderam a fé porque a pessoa que supostamente a representava a usou para as magoar. A religião tornou-se a arma. Como é que se recupera de algo assim?

Inventor

A organização tem cinco milhões de seguidores. Quantos deles sabem o que aconteceu?

Model

Muitos sabem. Mas a Igreja ofereceu-lhes uma história alternativa — uma história em que Garcia é vítima de uma conspiração. Para quem quer acreditar, essa história é mais confortável do que a verdade.

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