No dia em que Salvador completava 203 anos de independência, o deputado Leo Prates escolheu a festa para fazer um apelo político: que o Senado vote, antes das eleições de outubro, a PEC que extingue a escala 6x1. Por trás dos números e prazos, há um retrato humano preciso — trabalhadores, em sua maioria mulheres que recebem salário mínimo, vivendo uma ausência que Prates descreve não como questão econômica, mas como ruptura do tecido familiar. A história da independência baiana e a luta por melhores condições de trabalho se encontraram, naquela manhã, na mesma praça.
Leo Prates apela a Alcolumbre para acelerar aprovação da PEC 6x1 antes das eleições
Não existe família sem presença
Por que Prates insiste tanto em aprovar a PEC antes das eleições? Isso muda algo na prática?
Eleições são momento de maior visibilidade política. Se a PEC passar agora, Prates e seus aliados levam a vitória para a campanha. Se ficar para depois, fica na fila de prioridades de uma nova legislatura.
Mas a questão real é: Alcolumbre já sinalizou interesse em pautar isso? Porque "apelar à sensibilidade" é diferente de ter os votos garantidos.
Verdade. Prates está apostando em persuasão pessoal, não em números confirmados.
E quanto aos trabalhadores? Prates diz que a maioria recebe salário mínimo e é mulher. Esses dados vêm de onde?
Prates citou isso em entrevista, mas a reportagem não especifica a fonte desses números. É o que ele afirma observar nas conversas com eleitores.
Exatamente. São observações do deputado, não estatísticas oficiais do IBGE ou do Ministério do Trabalho. Importante distinguir.
E a transferência da capital para Salvador? Isso é permanente?
Não. É temporária, durante os festejos do 2 de Julho. Prates espera que se repita em anos futuros.
Então é mais simbólico que prático. A capital volta para Brasília depois.
Sim, mas para Prates e para muitos baianos, o simbólico importa. É reconhecimento histórico.
Entendi. Então temos duas pautas aqui: uma com urgência real (a PEC) e outra que é principalmente gesto político.
E a PEC ainda depende de um terceiro ator — Alcolumbre — que não foi ouvido nesta reportagem.
Il Polso
- A PEC 6x1 já passou pela Câmara, mas permanece parada no Senado enquanto o relógio eleitoral corre — faltam pouco mais de três meses para as eleições de outubro.
- A maioria dos trabalhadores afetados são mulheres que recebem salário mínimo, e muitos temem perder renda caso a lei seja aprovada.
- Prates fez um apelo público direto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apostando na sua 'sensibilidade política' para pautar a votação a tempo.
- Se o Senado não votar antes de outubro, a proposta pode não avançar nesta legislatura, deixando milhões de trabalhadores sem a mudança esperada.
No dia em que Salvador completava 203 anos de independência, o deputado Leo Prates escolheu a festa para fazer um apelo político: que o Senado vote, antes das eleições de outubro, a PEC que extingue a escala 6x1. Por trás dos números e prazos, há um retrato humano preciso — trabalhadores, em sua maioria mulheres que recebem salário mínimo, vivendo uma ausência que Prates descreve não como questão econômica, mas como ruptura do tecido familiar. A história da independência baiana e a luta por melhores condições de trabalho se encontraram, naquela manhã, na mesma praça.
Na manhã do 2 de Julho, enquanto Salvador celebrava dois séculos e três anos de independência, o deputado Leo Prates (Republicanos) aproveitou o desfile na Lapinha para fazer um apelo urgente: que o Senado vote a PEC 6x1 antes das eleições de outubro. Prates é o relator da proposta, que já foi aprovada pela Câmara e aguarda pauta no Senado.
Em conversa com A Tarde, o deputado depositou suas esperanças na 'sensibilidade' do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para fazer a matéria avançar. O retrato que traçou dos trabalhadores nessa escala é específico: maioria mulher, maioria recebendo salário mínimo, e muitos preocupados com possível redução salarial. Para Prates, porém, o debate vai além do dinheiro. 'Não existe família sem presença', afirmou, defendendo que o fim da escala 6x1 devolve dignidade e tempo às famílias brasileiras.
O dia também marcou outro projeto de autoria do deputado: a transferência simbólica temporária da capital federal para Salvador durante os festejos do 2 de Julho, sancionada pelo governo federal. Prates vê na medida um reconhecimento da contribuição baiana à independência do país e espera que, nos próximos anos, a data atraia mais turistas e negócios, tornando-se uma festa da democracia de alcance nacional.
O calendário é apertado. Se Alcolumbre não pautar a PEC antes de outubro, a proposta pode não ser votada nesta legislatura — e para os trabalhadores em escala 6x1, a espera se prolongará além do ano eleitoral.
Na manhã do 2 de Julho, enquanto Salvador celebrava 203 anos de independência, o deputado Leo Prates estava na Lapinha pedindo pressa. Prates, do Republicanos, é o relator da PEC que quer acabar com a escala 6x1 — aquele regime de trabalho em que se labora seis dias seguidos para descansar um. A proposta já passou pela Câmara. Agora espera o Senado. E Prates quer votação antes de 4 de outubro, quando ocorrem as eleições.
Em conversa com A Tarde durante o desfile, o deputado apostou na "sensibilidade" do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para fazer a PEC avançar. Prates também mencionou um projeto de lei do governo Lula que trata do mesmo tema. A urgência, segundo ele, é real: há expectativa popular pela aprovação, e o fim da escala 6x1 no formato atual, argumenta, fortaleceria a estrutura familiar.
O retrato que Prates desenhou dos trabalhadores nessa modalidade é específico. A maioria recebe salário mínimo. Uma grande parte é mulher. Muitos perguntam ao deputado sobre redução salarial se a lei passar. Para Prates, a questão não é apenas econômica — é sobre presença. "Quem fala de família apenas como valor moral não entende que não existe família sem presença", disse. Seu apelo direto foi ao presidente do Senado: "Eu apelo ao presidente Davi Alcolumbre, que é homem público sensível e de grande liderança aqui no nosso país".
Prates também é autor de outro projeto que marcou o dia: a transferência temporária da capital federal para Salvador durante os festejos do 2 de Julho. Para o deputado, é um reconhecimento da força baiana na expulsão dos colonizadores portugueses e consolidação da independência. "Para nós, baianos, um reconhecimento da nossa força, da nossa história, do nosso legado", disse.
O deputado agradeceu ao presidente da República e ao governo federal pela sanção do projeto de transferência. Mas sua visão vai além do simbólico. Prates espera que a data se repita em anos futuros, com atos mais estruturados, maior atração de turistas e negócios. "A gente espera que o governo e que a Prefeitura de Salvador possam fazer atos mais fortes simbolicamente, atrair mais turistas, atrair mais negócios para o 2 de julho, que já é uma festa consolidada na Bahia, mas que ela possa ser uma festa da democracia toda."
O calendário agora é apertado. Faltam pouco mais de três meses para as eleições. A PEC 6x1 segue aguardando a pauta do Senado, e sua aprovação dependerá da priorização que Alcolumbre der ao tema. Para os trabalhadores em escala 6x1 — majoritariamente mulheres e recebedores de salário mínimo — a resposta virá antes do fim do ano eleitoral ou não virá nesta legislatura.
Citazioni salienti
É a nossa expectativa, é o nosso sonho. Eu acho que a PEC 6x1 devolve dignidade a uma parte da população— Leo Prates, deputado federal (Republicanos)
Eu apelo ao presidente Davi Alcolumbre, que é homem público sensível e de grande liderança aqui no nosso país— Leo Prates, sobre a necessidade de acelerar a votação no Senado