A dor é o que faz as mães desistirem da amamentação
Em um dos momentos mais vulneráveis da vida de uma mulher, a dor pode silenciar o instinto mais antigo da maternidade. Pesquisadores da USP descobriram que a luz — em sua forma mais precisa e gentil — pode devolver às mães a capacidade de amamentar sem sofrimento: um estudo com puérperas em São Carlos demonstrou que a fotobiomodulação acelera a cicatrização de fissuras mamilares em 45,6%, quase o dobro do tratamento convencional. O que está em jogo não é apenas uma ferida que fecha mais rápido, mas a preservação de um vínculo e de uma escolha que a dor, muitas vezes, rouba antes do tempo.
- A dor nas fissuras mamilares é um dos principais motivos pelos quais mães interrompem a amamentação antes do recomendado pela OMS — e o sofrimento físico frequentemente vem acompanhado de culpa e angústia emocional.
- Um estudo conduzido entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024 com dezesseis puérperas em São Carlos testou a fotobiomodulação como alternativa ao suporte tradicional, usando um dispositivo que aplica luz laser sem tocar a pele lesionada.
- O grupo tratado com laser apresentou redução de 45,6% na área das lesões, contra 25,8% no grupo controle — uma diferença que, na prática, significa menos dor, mais confiança e maior continuidade da amamentação.
- A tecnologia desenvolvida pelo IFSC é não invasiva, indolor e sem efeitos colaterais conhecidos, tornando sua integração em maternidades uma estratégia viável de saúde pública com impacto direto na nutrição e imunidade dos bebês.
A amamentação deveria ser um momento de intimidade. Para muitas mulheres, porém, torna-se uma fonte de sofrimento físico intenso o suficiente para antecipar o desmame. As fissuras nos mamilos e a dor que as acompanha estão entre as principais razões pelas quais mães abandonam o aleitamento antes do tempo recomendado — e um estudo recente da USP, em parceria com a Texas A&M University, propõe uma saída inesperada: luz laser de baixa intensidade.
Entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, dezesseis mulheres no pós-parto com lesões mamilares foram acompanhadas na maternidade Dona Francisca Cintra Silva, em São Carlos. Todas receberam orientação sobre pega e posicionamento do bebê, mas apenas metade foi tratada com fotobiomodulação — técnica que usa luz para estimular a regeneração tecidual e reduzir a inflamação. O dispositivo, desenvolvido pelo Instituto de Física de São Carlos, distribui a luz de forma uniforme sobre a aréola sem contato direto com a pele ferida, garantindo higiene e conforto.
Os resultados foram publicados no American Journal of Medical and Clinical Sciences e mostram uma diferença expressiva: o grupo tratado com laser reduziu a área das lesões em 45,6%, enquanto o grupo controle alcançou 25,8%. Além da cicatrização mais rápida, as participantes relataram alívio significativo da dor — o que lhes permitiu retomar a amamentação com mais segurança e menos medo.
Esse alívio tem peso que vai além do físico. O pós-parto já é um período de intensas adaptações hormonais e emocionais, e a dor persistente durante a amamentação pode desencadear frustração e culpa profundas. Integrar o laser de baixa intensidade em maternidades e centros de apoio representa, portanto, uma estratégia de saúde pública: ao tratar a causa física do abandono precoce, o sistema cuida da mãe e garante ao bebê os benefícios do leite materno por mais tempo.
A amamentação deveria ser um momento de intimidade entre mãe e filho. Para muitas mulheres, porém, torna-se uma fonte de sofrimento físico tão intensa que preferem interromper o aleitamento antes do tempo recomendado pelos órgãos de saúde. As fissuras nos mamilos e a dor que as acompanha são culpadas por boa parte desses abandonos precoces. Um estudo recente conduzido por pesquisadores da USP em colaboração com a Texas A&M University oferece uma solução inesperada: luz laser de baixa intensidade.
Entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, pesquisadores acompanharam dezesseis mulheres no pós-parto que sofriam com lesões e dor relacionadas à amamentação. O trabalho foi realizado na maternidade Dona Francisca Cintra Silva, vinculada à Santa Casa de São Carlos, e seus resultados foram publicados no American Journal of Medical and Clinical Sciences. O método em questão chama-se fotobiomodulação — basicamente, uma técnica que usa luz para estimular a regeneração dos tecidos e diminuir a inflamação. O Instituto de Física de São Carlos e o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica desenvolveram um dispositivo especial para isso: um adaptador que distribui a luz de forma uniforme sobre a aréola e o mamilo sem precisar tocar diretamente a pele ferida. Segundo a pesquisadora Fernanda Mansano Carbinatto, essa inovação garante higiene, evita desconforto térmico e torna o procedimento completamente indolor.
O estudo dividiu as voluntárias em dois grupos. Todas receberam orientação sobre o posicionamento correto do bebê e a pega adequada — fatores essenciais para evitar traumas mamilares. Mas apenas metade delas recebeu o tratamento complementar com laser. Os números falam por si: o grupo que recebeu fotobiomodulação apresentou uma redução de 45,6% na área das lesões. O grupo que recebeu apenas o suporte tradicional conseguiu 25,8% de redução. A diferença é significativa.
Mas o que talvez importe mais do que a cicatrização é o alívio da dor. As participantes relataram que o laser atuou diretamente na resposta inflamatória do corpo, permitindo que voltassem a amamentar com confiança e sem medo. Esse alívio imediato tem peso considerável na saúde mental das mulheres no pós-parto, um período já repleto de adaptações hormonais e emocionais difíceis.
A Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo como a melhor fonte de nutrição e proteção imunológica para o bebê. Mas quando a amamentação dói, muitas mães desistem. A dor persistente é um dos principais gatilhos para o desmame precoce, e quando isso acontece, a frustração e a culpa que acompanham a decisão podem ser tão intensas quanto a dor física que a motivou. Integrar o laser de baixa intensidade em maternidades e centros de apoio à amamentação representa uma estratégia de saúde pública. Como é um procedimento não invasivo e sem efeitos colaterais, oferece uma alternativa viável para humanizar o atendimento. Ao tratar a causa física da dor, o sistema de saúde cuida não apenas da mãe, mas garante que o bebê receba os benefícios do leite materno por mais tempo, fortalecendo a saúde pública de forma integral.
Notable Quotes
O dispositivo permite que a luz seja distribuída uniformemente sobre a aréola e o mamilo sem necessidade de contato direto com a pele lesionada— Fernanda Mansano Carbinatto, pesquisadora
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essa pesquisa importa agora? Já não existem outras formas de tratar fissuras mamilares?
Existem, sim. Orientação sobre posicionamento, cremes, compressas frias. Mas nenhuma delas reduz a dor tão rapidamente quanto o laser. E a rapidez importa porque a dor é o que faz as mães desistirem.
Dezesseis mulheres é uma amostra pequena. Como os pesquisadores garantem que os resultados são confiáveis?
É pequena mesmo, mas o estudo foi bem desenhado — dois grupos de controle, medições objetivas das lesões, acompanhamento sistemático. O que importa é que a diferença entre os grupos foi clara: 45,6% contra 25,8%. Não é marginal.
O dispositivo que desenvolveram — por que não existia antes?
Porque ninguém havia pensado em aplicar fotobiomodulação especificamente para isso. E porque precisava ser seguro: sem contato direto com a pele ferida, sem desconforto térmico. Isso exigiu engenharia específica.
E quanto aos custos? Será que maternidades conseguem implementar isso?
Essa é a pergunta certa. O estudo não aborda custos, mas o procedimento é não invasivo e sem efeitos colaterais. Se o custo for razoável, a economia em saúde mental materna e em complicações futuras pode justificar o investimento.
O que você acha que acontece agora?
Provavelmente outros centros vão querer replicar o estudo com amostras maiores. Se os resultados se confirmarem, o próximo passo é pressionar para que maternidades públicas adotem a tecnologia. Mas isso leva tempo.