Na manhã de uma terça-feira comum, onze profissionais de saúde que deveriam cuidar de outros foram, eles próprios, levados a leitos de atendimento — vítimas de um café que guardava algo ainda desconhecido. No Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, a rotina do pronto-socorro foi interrompida por náuseas, tremedeiras e calafrios, lembrando que a vulnerabilidade não respeita fronteiras entre quem cuida e quem é cuidado. A investigação que se seguiu é, em essência, uma busca por certeza num momento em que a confiança nos gestos mais cotidianos — como compartilhar uma bebida antes d
Kit de café em hospital do DF será periciado após 11 profissionais passarem mal
Alguns perceberam gosto diferente antes dos sintomas começarem
Por que o fato de o preparador do café também ter passado mal muda tanto a investigação?
Porque reduz drasticamente a possibilidade de alguém ter colocado algo na bebida de propósito. Se fosse envenenamento intencional, quem preparou não teria consumido. O fato de ele também ter ficado doente sugere que algo aconteceu durante o preparo ou armazenamento.
E essa mulher que bebeu café mas não teve sintomas — o que ela representa?
É um ponto de interrogação importante. Se todas as pessoas que beberam ficaram doentes, seria mais simples. Mas ela não teve reação nenhuma, o que complica a história. Por isso os exames toxicológicos dela são tão valiosos — servem de controle.
Trinta dias para os resultados parece muito tempo.
É. Mas esses exames precisam de análise cuidadosa em laboratório. Enquanto isso, a polícia está trabalhando com o que tem: os relatos de gosto diferente, os sintomas descritos, os objetos apreendidos.
O hospital continuou funcionando normalmente?
Sim. Reorganizaram as escalas para cobrir os onze profissionais que ficaram de fora. É um hospital público, então não podiam parar o atendimento. Mas a investigação segue em paralelo.
Qual é a sensação de trabalhar em um lugar onde isso acontece?
Deve ser perturbadora. Você vai para o trabalho, toma um café de rotina com seus colegas, e de repente todos começam a passar mal. Ninguém sabe o que é. Ninguém tem respostas ainda.
O Pulso
- Onze profissionais de saúde passaram mal quase simultaneamente após tomar café na copa do hospital, gerando alarme imediato dentro da própria unidade que deveria ser refúgio de cura.
- Sintomas como náuseas, tremedeiras e calafrios surgiram rapidamente, forçando o isolamento da área e a apreensão de utensílios — garrafa térmica, chaleira e pote de café — pela Polícia Civil.
- A hipótese de envenenamento proposital perdeu força quando se descobriu que o próprio responsável por preparar o café também adoeceu após consumi-lo.
- Uma décima segunda funcionária bebeu o mesmo café sem apresentar sintomas, tornando-se peça-chave de comparação nos exames toxicológicos em andamento.
- Todos os onze profissionais receberam alta e estão estáveis, enquanto o hospital reorganizou escalas para manter o atendimento aos pacientes sem interrupções.
- A causa definitiva ainda é desconhecida — os resultados dos exames toxicológicos devem levar até 30 dias para esclarecer o que aconteceu naquela manhã.
Na manhã de uma terça-feira comum, onze profissionais de saúde que deveriam cuidar de outros foram, eles próprios, levados a leitos de atendimento — vítimas de um café que guardava algo ainda desconhecido. No Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, a rotina do pronto-socorro foi interrompida por náuseas, tremedeiras e calafrios, lembrando que a vulnerabilidade não respeita fronteiras entre quem cuida e quem é cuidado. A investigação que se seguiu é, em essência, uma busca por certeza num momento em que a confiança nos gestos mais cotidianos — como compartilhar uma bebida antes do turno — foi abalada.
Na manhã de 21 de julho, onze profissionais de saúde do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, passaram mal após tomar café na copa da unidade. O grupo — dez técnicos de enfermagem e um enfermeiro — relatou náuseas, tremedeiras e calafrios pouco depois de consumir a bebida. A Polícia Civil isolou a área e apreendeu a garrafa térmica, a chaleira e o pote de café para perícia.
Os investigadores trabalham com a hipótese de intoxicação, mas sem conclusões definitivas. O café foi identificado como único ponto em comum entre os afetados, e alguns relataram ter percebido um gosto diferente antes dos sintomas. Um detalhe relevante amenizou a suspeita de envenenamento intencional: o próprio responsável por preparar a bebida também a consumiu e adoeceu. Uma décima segunda colega bebeu o mesmo café sem apresentar sintomas e foi convocada para exame toxicológico como parâmetro de comparação.
Todos os onze profissionais foram atendidos na própria unidade, realizaram exames e receberam alta em estado clinicamente estável. O IgesDF reorganizou as escalas de trabalho para que o atendimento aos pacientes não fosse prejudicado. Os resultados dos exames toxicológicos devem ficar prontos em cerca de 30 dias, prazo necessário para que a investigação chegue a uma resposta definitiva sobre o que aconteceu naquela manhã.
Na manhã de terça-feira, 21 de julho, onze profissionais de saúde do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, começaram a passar mal após consumir café na copa do hospital. O grupo — dez técnicos de enfermagem e um enfermeiro — relatou náuseas, tremedeiras, calafrios e outros sintomas que surgiram pouco tempo depois de beber a bebida. A Polícia Civil apreendeu a garrafa térmica, a chaleira e o pote de café utilizados naquele dia para investigar o que teria provocado a reação.
Os investigadores trabalham com a hipótese de intoxicação, mas ainda sem conclusões definitivas. O delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia, Alexsander Traback, informou que o café é o único ponto em comum identificado entre os funcionários até o momento. Alguns deles relataram ter percebido um gosto diferente na bebida antes dos sintomas começarem. A área onde os profissionais passaram mal foi isolada para perícia e coleta de materiais que possam esclarecer o ocorrido.
Um detalhe importante surgiu durante a investigação: o próprio responsável por preparar o café também consumiu a bebida e passou mal. Essa informação reduz significativamente a suspeita de envenenamento proposital, segundo os investigadores. Além disso, uma décima segunda integrante da equipe de enfermagem também bebeu do café, mas não apresentou sintomas. Ela foi chamada para realizar exame toxicológico que servirá como comparação com os demais profissionais.
Os onze profissionais receberam atendimento médico na própria unidade hospitalar, passaram por exames toxicológicos e já tiveram alta. De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), todos estão clinicamente estáveis. A presidente do instituto, Eliane Abreu, explicou que o grupo se reúne para tomar café antes de iniciar os trabalhos no pronto-socorro, durante o período de descanso deles.
O delegado Renato Martins, da 33ª Delegacia de Polícia, afirmou que as diligências iniciais já foram realizadas no local. Os funcionários foram ouvidos, encaminhados ao Instituto Médico Legal para exame toxicológico, e a perícia técnica foi concluída. Apesar dos avanços na investigação, o delegado Traback ressalta que ainda é cedo para conclusões definitivas sobre o que provocou os sintomas. Os resultados dos exames toxicológicos devem ficar prontos em aproximadamente 30 dias.
O atendimento aos pacientes do Hospital Regional de Santa Maria segue normalmente. O IgesDF informou que reorganizou as escalas de trabalho para evitar impactos na assistência e acompanha a evolução clínica dos funcionários. A investigação continua aguardando os resultados das perícias e dos exames toxicológicos para esclarecer definitivamente o que aconteceu naquela manhã.
Citações Notáveis
Esse grupo se reúne, toma o café para iniciar os trabalhos no pronto-socorro. Esse momento acontece dentro do repouso deles.— Eliane Abreu, presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal
Até o momento, o café é o único ponto em comum identificado entre os funcionários.— Delegado-chefe Alexsander Traback, 33ª Delegacia de Polícia