DI para janeiro de 2026 voltou a fechar abaixo de dois dígitos pela primeira vez desde fim de agosto, refletindo alívio nas expectativas de juros. Falas de Galípolo sobre manutenção de cortes de 0,50 ponto porcentual na Selic e possível aceleração do ritmo neutralizaram pressões de alta durante a tarde.
Juros caem em novembro com sinais dovish de Galípolo e alívio nas curvas globais
O mercado começou a pensar no tamanho total dos cortes
Por que as falas de Galípolo tiveram tanto peso? O mercado já não sabia que o BC ia cortar juros?
Sabia, mas Galípolo mudou a conversa. Em vez de falar em um ritmo específico por reunião, ele falou em "próximas reuniões" no plural, e isso fez o mercado pensar no tamanho total dos cortes. Além disso, ele mencionou que há discussão sobre acelerar, o que abriu a porta para mais quedas.
Mas ele disse que o BC continua observando os dados. Se a inflação não cair como esperado, essas falas dovish podem não valer nada. E quanto ao petróleo — uma queda de 2,43% é suficiente para mudar a política monetária?
Não é só o petróleo. É o petróleo mais a possibilidade de redução de gasolina mais os dados de inflação global mais a manutenção da meta fiscal. Tudo junto.
E Galípolo é o próximo presidente do BC?
É considerado o sucessor de Roberto Campos Neto, cujo mandato termina no fim de 2024. Então o que ele diz agora tem peso extra.
Mas ele ainda não é presidente. Campos Neto ainda está no comando. Essas falas dovish refletem uma mudança de postura do BC como instituição, ou é só Galípolo se posicionando?
Boa pergunta. As falas dele não contradizem o que o Copom vinha sinalizando — 0,50 ponto de corte. Mas ele abriu espaço para discussão sobre acelerar, o que é novo.
E se a gasolina cair, o que muda?
Acelera a desinflação, o que daria mais espaço para o BC cortar mais rápido ou por mais tempo.
Mas "acelera a desinflação" é uma estimativa ou está confirmado? Porque o governo ainda não anunciou nada.
É uma percepção do mercado. O recuo do petróleo reforça a possibilidade, mas você está certo — ainda não é confirmado.
O Pulso
- DI para janeiro de 2026 caiu de 10,03% para 9,98%, voltando abaixo de dois dígitos pela primeira vez desde fim de agosto
- Petróleo Brent para fevereiro caiu 2,43%, voltando aos US$ 80
- Gabriel Galípolo é considerado sucessor de Roberto Campos Neto na presidência do BC
- Taxas longas cederam cerca de 100 pontos base em novembro; curtas recuaram aproximadamente 80 pontos
DI para janeiro de 2026 voltou a fechar abaixo de dois dígitos pela primeira vez desde fim de agosto, refletindo alívio nas expectativas de juros. Falas de Galípolo sobre manutenção de cortes de 0,50 ponto porcentual na Selic e possível aceleração do ritmo neutralizaram pressões de alta durante a tarde.
Taxas de juros futuros fecharam novembro em queda, com contratos curtos e médios em baixa firme e longas perto da estabilidade, impulsionadas por declarações dovish do diretor de Política Monetária Gabriel Galípolo e descompressão das curvas americanas.
Novembro terminou com os juros futuros brasileiros em queda, refletindo uma combinação de alívio nas curvas americanas e sinais mais brandos vindos do Banco Central. Os contratos de curto e médio prazos fecharam em declínio firme, enquanto os de longo prazo permaneceram praticamente estáveis, mas o mês inteiro mostrou uma trajetória de descompressão significativa nas expectativas de taxa de juros.
O movimento começou com pressão de alta na manhã, acompanhando a subida dos rendimentos dos Treasuries americanos. Mesmo com o índice de preços dos gastos com consumo (PCE) vindo ligeiramente abaixo do esperado em outubro, tanto na leitura completa quanto no núcleo, o mercado americano seguiu em alta. Economistas notaram que o dado não justificava o comportamento da curva, sugerindo que o mercado estava simplesmente fazendo ajustes técnicos independentemente do resultado.
A virada aconteceu à tarde, quando dois fatores convergiram para aliviar a pressão. Primeiro, o petróleo Brent para fevereiro caiu 2,43%, voltando aos US$ 80 por barril, apesar de anúncios de cortes de produção que totalizavam 2,2 milhões de barris por dia entre vários países. Essa queda reforçou a percepção de que o governo poderia anunciar uma redução nos preços da gasolina ainda em 2023, acelerando o processo de desinflação que vinha sendo considerado lento.
Mas o principal catalisador foi Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária do Banco Central. Em um evento do JPMorgan, ele fez comentários considerados dovish que mudaram a dinâmica das negociações. Galípolo disse que o BC tem tentado não se deixar levar muito por dados de alta frequência e reafirmou a preferência por manter o ritmo de corte de 0,50 ponto porcentual na Selic "nas próximas reuniões" — usando o plural. Essa formulação deslocou a discussão do mercado do ritmo de redução para o tamanho total dos cortes previstos. O diretor também mencionou que tem sentido no mercado conversas sobre possibilidade de acelerar o ritmo, e que o BC continua observando os dados para orientar suas decisões, mas está aberto a mudar de opinião se as condições mudarem. Vale notar que Galípolo é considerado o sucessor de Roberto Campos Neto na presidência do BC, cujo mandato termina no fim de 2024.
Os números refletem essa dinâmica. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 caiu de 10,414% para 10,320%. Mais significativamente, o DI para janeiro de 2026 recuou de 10,03% para 9,98%, voltando a fechar abaixo de dois dígitos pela primeira vez desde o fim de agosto. O DI para janeiro de 2027 terminou em 10,09%, praticamente estável, enquanto o DI para janeiro de 2029 subiu levemente de 10,50% para 10,53%.
No balanço do mês inteiro, as taxas longas cederam cerca de 100 pontos base e as curtas recuaram aproximadamente 80 pontos. Essa desinclinação expressiva da curva teve origem tanto em fatores internos quanto externos. Globalmente, os dados de inflação vieram mais baixos, consolidando a percepção de que o ciclo de aperto de juros terminou e gerando alívio significativo nas curvas de longo prazo. Internamente, o governo manteve a meta fiscal e o Congresso aprovou a taxação de fundos de alta renda, enquanto o cenário inflacionário apresentava leitura mais benigna.
Economistas divergem sobre o que vem a seguir. Alguns, como Nicolas Borsoi da Nova Futura Investimentos, interpretam as falas de Galípolo como sugestão de uma discussão incipiente sobre acelerar o ritmo de cortes — ou, se não houver aceleração, pelo menos um ciclo mais longo. O que está claro é que o mercado saiu de novembro com expectativas mais baixas para as taxas de juros, e a possibilidade de um anúncio sobre gasolina pode mudar novamente essa dinâmica nas próximas semanas.
Citações Notáveis
O BC tem tentado não se emocionar muito com dados, especialmente os de alta frequência— Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária do Banco Central
Embora o Copom esteja sinalizando que vai seguir com 0,50 ponto, as falas sugerem uma discussão incipiente para acelerar o ritmo— Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos