Julho Amarelo alerta para riscos das hepatites virais e importância do diagnóstico precoce

Hepatites virais podem evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado, sendo hepatite C principal causa de transplante hepático no país.
Doenças silenciosas que destroem o fígado sem avisar
Hepatites B e C frequentemente não apresentam sintomas até estágios avançados, tornando diagnóstico precoce essencial.

Todo mês de julho, o Brasil volta os olhos para um inimigo silencioso que habita o fígado sem anunciar sua presença. As hepatites virais A, B e C afetam milhares de brasileiros que, muitas vezes, só descobrem a doença quando ela já avançou para cirrose ou câncer hepático. A campanha Julho Amarelo existe para lembrar que o diagnóstico precoce — acessível gratuitamente no SUS — pode ser a diferença entre a cura e o transplante.

  • A hepatite C, que não provoca sintomas evidentes em seus estágios iniciais, é hoje a principal causa de transplante de fígado no Brasil — uma urgência silenciosa que a pandemia agravou ao afastar pessoas dos testes.
  • No Espírito Santo, os primeiros seis meses de 2021 registraram 50 casos de hepatite B e 55 de hepatite C, números que podem subestimar a realidade devido à queda na busca por serviços de saúde durante a crise sanitária.
  • Sintomas como amarelamento da pele, urina escura e mal-estar persistente são sinais de alerta que exigem ida imediata a uma Unidade Básica de Saúde, onde um teste rápido entrega resultado em apenas vinte minutos.
  • Vacinas contra hepatites A e B estão disponíveis diariamente nas unidades de saúde de todo o estado, e grupos de risco — como portadores de HIV e usuários de drogas — têm orientações específicas para testagem prioritária.
  • A Secretaria de Saúde intensifica durante julho as ações de conscientização com palestras, distribuição de preservativos e capacitação de profissionais, apostando na informação como principal ferramenta de controle da doença.

Julho é o mês em que o sistema público de saúde concentra esforços para alertar a população sobre as hepatites virais — doenças capazes de destruir o fígado em silêncio e evoluir para cirrose e câncer. A campanha Julho Amarelo orienta sobre prevenção, sintomas e onde buscar ajuda, reforçando que o diagnóstico precoce pode mudar completamente o curso da doença.

No Espírito Santo, os dados de 2021 revelam uma realidade complexa: apenas 1 caso de hepatite A foi confirmado nos primeiros seis meses do ano, mas os registros de hepatite B chegaram a 50 e os de hepatite C a 55. Especialistas alertam que esses números podem estar subestimados, já que a pandemia reduziu a procura por testes e alterou os sistemas de notificação.

O infectologista Marcello Leal, coordenador do Programa Estadual de Hepatites Virais, destaca que reconhecer os sinais precoces é essencial. Mal-estar, náuseas, amarelamento da pele e dos olhos, urina escura e fezes claras são avisos que não devem ser ignorados. O teste disponível nas unidades de saúde é simples e rápido: uma gota de sangue fornece o resultado em cerca de vinte minutos.

Cada tipo de hepatite tem sua própria rota de transmissão. A hepatite A se espalha por água e alimentos contaminados, ligada ao saneamento precário. A hepatite B se transmite por via sexual, pelo sangue ou da mãe para o filho, e pode se tornar crônica. A hepatite C, a mais insidiosa, também se transmite pelo sangue e frequentemente avança sem sintomas até estágios graves — sendo a principal causa de transplante hepático no Brasil.

A prevenção passa por medidas acessíveis: higiene rigorosa e vacinação para hepatite A; preservativos, não compartilhamento de objetos pessoais e vacinação desde o nascimento para hepatite B. Para a hepatite C, não existe vacina — a proteção depende de evitar o compartilhamento de agulhas e seringas. Vacinas e testes rápidos estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento em todo o estado.

Julho é o mês em que o sistema de saúde pública volta sua atenção para um grupo de doenças que podem destruir silenciosamente o fígado. As hepatites virais — especialmente os tipos A, B e C — são capazes de evoluir para cirrose hepática e câncer, mas a maioria dos casos pode ser prevenida ou controlada se diagnosticados a tempo. A campanha Julho Amarelo existe justamente para lembrar a população dessa realidade e orientá-la sobre onde procurar ajuda.

No Espírito Santo, os números refletem uma tendência positiva nos últimos anos. Entre 2017 e 2019, a cobertura vacinal melhorou significativamente, reduzindo a detecção de hepatites A e B. Porém, os dados de 2020 e 2021 contam uma história mais complexa. Nos primeiros seis meses de 2021, o estado confirmou apenas 1 caso de hepatite A, mas registrou 50 casos de hepatite B e 55 de hepatite C. A queda nos números não reflete necessariamente menos doença — a pandemia afastou pessoas dos testes, e mudanças nos sistemas de notificação também influenciaram os registros.

Segundo Marcello Leal, médico infectologista e coordenador do Programa Estadual de Hepatites Virais, o desafio agora é reconhecer os sinais precoces. Mal-estar, náuseas, vômitos, amarelamento da pele e dos olhos, urina escura e fezes claras são avisos que exigem atenção imediata. Quando uma pessoa apresenta esses sintomas, deve procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um Centro de Testagem e Aconselhamento. O teste é simples: uma gota de sangue em uma placa com substância química fornece resultado em cerca de vinte minutos.

As três hepatites virais têm caminhos de transmissão distintos. A hepatite A chega pelo consumo de água e alimentos contaminados por fezes — um problema ligado diretamente a saneamento precário e falta de higiene. A hepatite B se transmite por relação sexual, contato com sangue contaminado ou de mãe para filho durante a gravidez ou parto, e pode se tornar crônica, permanecendo no fígado por mais de seis meses. A hepatite C também viaja pelo sangue contaminado, mas é particularmente insidiosa: a maioria dos infectados não sente nada até que a doença avança para cirrose ou câncer. Ela é a principal causa de transplante de fígado no Brasil.

A prevenção segue lógicas simples mas exigentes. Para hepatite A, lavar as mãos após o banheiro, beber água filtrada ou tratada e lavar bem os alimentos crus são medidas essenciais. Crianças menores de cinco anos devem receber a vacina, disponível nas unidades básicas. Para hepatite B, o uso de preservativos, a não-partilha de objetos pessoais como lâminas de barbear e escovas de dente, e a vacinação desde o nascimento até a terceira idade são fundamentais. Para hepatite C, não há vacina — apenas a prevenção através da não-partilha de agulhas, seringas e objetos de uso comum.

O sistema de saúde oferece as ferramentas. Vacinas contra hepatites A e B estão disponíveis diariamente nas salas de vacinação das unidades de saúde em todo o estado, integradas ao calendário nacional de imunização. Os testes rápidos estão acessíveis nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento. Grupos de risco — pessoas com mais de trinta anos para hepatite B, maiores de quarenta para hepatite C, portadores de HIV, usuários de drogas, pessoas com múltiplos parceiros sexuais — têm orientações específicas sobre quando procurar testagem.

Durante a campanha de julho, a Secretaria de Saúde realiza palestras, distribui preservativos, capacita profissionais de saúde e dissemina informações por vídeos e redes sociais. O objetivo é simples mas urgente: fazer com que as pessoas entendam que essas doenças não são sentença de morte, mas sim condições que exigem diagnóstico precoce e tratamento imediato. Quanto antes alguém descobre que tem hepatite, mais cedo pode começar a cuidar do fígado e evitar as complicações que levam a transplante ou morte.

Pessoas com mal-estar, náuseas, vômitos, icterícia, urina escura e fezes claras devem procurar a unidade de saúde ou pronto socorro para atendimento
— Marcello Leal, coordenador do Programa Estadual de Hepatites Virais
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que julho especificamente? O que torna esse mês diferente para falar sobre hepatites?

Model

Julho Amarelo é uma campanha internacional. A cor amarela remete à icterícia, aquele amarelamento da pele e dos olhos que aparece quando o fígado está comprometido. É uma forma de tornar visível uma doença que muitas vezes é invisível.

Inventor

Invisível? Mas as pessoas sentem os sintomas, não é?

Model

Nem sempre. A hepatite C é silenciosa — a maioria das pessoas não sente nada até que o fígado já está danificado. Por isso o teste é tão importante. Você pode estar infectado há anos sem saber.

Inventor

E a hepatite B? Ouço falar que é transmitida sexualmente, mas também por sangue.

Model

Exatamente. Sangue contaminado é o caminho mais direto. Mas também passa de mãe para filho durante o parto. Por isso a vacinação desde o nascimento é tão crítica — protege antes de qualquer exposição possível.

Inventor

Se a hepatite C não tem vacina, como as pessoas se protegem?

Model

Evitando compartilhar agulhas, seringas, qualquer objeto que possa ter contato com sangue. É prevenção comportamental, não imunológica. Por isso o teste é ainda mais importante — se você descobrir cedo, pode tratar antes que vire cirrose.

Inventor

E quanto aos números que saíram em 2021? Cinquenta e cinco casos de hepatite C em seis meses parece muito ou pouco?

Model

É difícil dizer sem contexto histórico completo. Mas o que importa é que esses casos foram detectados. Muitos outros não foram — pessoas que não fizeram teste, que não sabem que estão infectadas. A campanha tenta trazer essas pessoas à luz.

Inventor

Então o verdadeiro problema não é o número de casos confirmados, mas quantos casos não confirmados existem?

Model

Exatamente. O número de casos confirmados é apenas a ponta do iceberg. O trabalho real é convencer as pessoas a se testarem.

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