Nas eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados, rostos jovens dominaram as maiores votações individuais, construídos sobre o alcance das redes sociais e a polarização entre os campos de Lula e Flávio Bolsonaro. No entanto, a renovação geracional que parece emergir nas manchetes dissolve-se quando se contempla o conjunto dos 513 eleitos: a idade mediana permanece em 49 anos, idêntica à de 2022, lembrando que visibilidade e representação são fenômenos distintos. A democracia, como sempre, revela-se mais complexa do que seus símbolos mais ruidosos sugerem.
Jovens dominam votos, mas metade da Câmara segue com 49 anos ou mais
Nove dos dez mais votados têm menos de 40 anos, mas apenas 4,5% da Câmara
Como explicar que os candidatos mais votados sejam jovens, mas a Câmara continue envelhecida?
Os votos se concentram em poucos nomes. Nove dos dez mais votados têm menos de 40 anos, mas esses são exceções brilhantes. Quando você distribui 513 cadeiras, a maioria vai para candidatos tradicionais.
Mas qual é o mecanismo? Esses jovens recebem mais votos porque têm presença nas redes sociais, ou porque representam os polos da polarização?
Provavelmente os dois. Nikolas Ferreira dobrou sua votação. Erika Hilton virou a mulher mais votada. Eles têm capilaridade digital, mas também encarnam as disputas que importam agora.
E quanto aos deputados mais velhos? Trinta com mais de 70 anos — isso é normal?
Normal é relativo. O que sabemos é que a mediana não mudou desde 2022. Permaneceu em 49 anos. Então essa renovação dos jovens não está alterando a estrutura etária geral.
Exatamente. Apenas 4,5% dos eleitos têm menos de 30 anos. A renovação é superficial, concentrada nos nomes que ganham mais votos.
Os jovens eleitos são mais de direita ou de esquerda?
Entre os dez mais votados, seis são de direita e quatro de esquerda. Mas entre todos os menores de 30 anos, 17 são de direita e seis de esquerda.
Isso reflete a polarização presidencial — Lula versus Flávio Bolsonaro. Os jovens que conseguem se eleger estão nos extremos.
E no Senado, houve mudança?
Sim, a mediana caiu de 58 para 56 anos. Mas houve renovação de dois terços das cadeiras, bem maior que em 2022.
Então a renovação no Senado é real, mas na Câmara é mais uma ilusão de ótica — alguns nomes brilhantes em um corpo que permanece o mesmo.
Il Polso
- Nove dos dez deputados federais mais votados têm menos de 40 anos, uma concentração inédita de juventude no topo das urnas impulsionada por estratégias digitais e pela polarização presidencial.
- A tensão entre aparência e realidade é aguda: enquanto jovens dominam os holofotes, apenas 4,5% dos 513 deputados eleitos têm menos de 30 anos, revelando que o fenômeno é de visibilidade, não de transformação estrutural.
- A polarização organiza os vencedores em blocos nítidos — seis de direita, quatro de esquerda entre os dez mais votados —, com figuras como Nikolas Ferreira (3 milhões de votos) e Erika Hilton (1,6 milhão) simbolizando campos opostos e irreconciliáveis.
- No Senado, uma renovação de dois terços das cadeiras reduziu levemente a mediana etária de 58 para 56 anos, sugerindo que mudanças geracionais ocorrem, mas em ritmo institucional lento.
- A Câmara que tomará posse abriga tanto o deputado eleito mais jovem, Alvinho Lira, com 20 anos, quanto quatro deputados com 77 anos, espelhando a amplitude geracional de um país que ainda negocia entre herança e renovação.
Nas eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados, rostos jovens dominaram as maiores votações individuais, construídos sobre o alcance das redes sociais e a polarização entre os campos de Lula e Flávio Bolsonaro. No entanto, a renovação geracional que parece emergir nas manchetes dissolve-se quando se contempla o conjunto dos 513 eleitos: a idade mediana permanece em 49 anos, idêntica à de 2022, lembrando que visibilidade e representação são fenômenos distintos. A democracia, como sempre, revela-se mais complexa do que seus símbolos mais ruidosos sugerem.
Os dez candidatos mais votados para a Câmara dos Deputados em 2026 têm, em sua maioria, menos de 40 anos e construíram sua força política nas redes sociais. Nikolas Ferreira, com 30 anos, atingiu 3 milhões de votos pelo PL em Minas Gerais, dobrando seu desempenho de 2022. Erika Hilton, aos 33, tornou-se a mulher mais votada para a Câmara com cerca de 1,6 milhão de votos. Ana Elisa, eleita pelo PT aos 21 anos, e Lucas Pavanato, aos 28, em seu primeiro mandato federal, completam um quadro em que a juventude ocupa o centro da narrativa eleitoral.
Essa composição reflete a polarização que estrutura a política brasileira: seis dos dez mais votados são de partidos de direita, quatro de esquerda, e apenas Tabata Amaral representa um perfil mais centrista. Em relação a 2022, alguns nomes desapareceram — Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli não disputaram a reeleição, e Guilherme Boulos abriu mão da candidatura para permanecer no governo Lula, ajudando a eleger sua esposa para a Câmara.
Mas quando o olhar se volta para os 513 deputados eleitos, a renovação geracional some. Apenas 23 deles têm menos de 30 anos — 4,5% da Casa. A idade mediana permanece em 49 anos, idêntica à de 2022. O deputado mais jovem eleito é Alvinho Lira, do PP em Alagoas, com 20 anos e filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Os mais velhos têm 77 anos, e 30 deputados ultrapassaram os 70.
No Senado, a renovação de dois terços das cadeiras produziu uma leve queda na mediana etária, de 58 para 56 anos. Nas Assembleias Legislativas estaduais, a mediana se manteve em 47 anos. Entre os eleitos para as assembleias, destacam-se jovens impulsionados por redes sociais ou por laços familiares com políticos estabelecidos, ao lado de veteranos como Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, eleita aos 91 anos como deputada estadual — a única nonagenária entre os eleitos do país.
Os vencedores das urnas para a Câmara dos Deputados em 2026 têm um rosto jovem. Nove dos dez candidatos mais votados em números absolutos no país não chegaram aos 40 anos, e muitos construíram sua força política através das redes sociais, representando os dois lados da disputa presidencial que polariza o Brasil entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Mas essa vitória dos jovens nas votações individuais esconde uma realidade mais complexa: a Câmara que será empossada segue envelhecida, com metade de seus membros tendo 49 anos ou mais — exatamente o mesmo patamar de quatro anos atrás.
Entre os dez mais votados estão nomes que se tornaram símbolos de movimentos políticos distintos. Nikolas Ferreira, com 30 anos, dobrou sua votação desde 2022 e atingiu a marca de 3 milhões de votos pelo PL em Minas Gerais. Em São Paulo, Lucas Pavanato, aos 28 anos, conquistou seu primeiro mandato como deputado federal após atuar como vereador desde 2025. Erika Hilton, 33 anos, tornou-se a mulher mais votada para a Câmara com aproximadamente 1,6 milhão de votos pelo PSOL. Do lado da esquerda, Ana Elisa, com apenas 21 anos, foi eleita pelo PT em Minas Gerais com mais de 524 mil votos, impulsionada por uma campanha centrada em plataformas digitais. A única exceção entre os dez mais votados é Júlia Zanatta, do PL catarinense, com 41 anos, reeleita para novo mandato.
A composição dos dez mais votados reflete a polarização que marca a política brasileira: seis são de partidos de direita, quatro de legendas de esquerda, e apenas uma — Tabata Amaral, do PSB — segue um perfil mais centrista. Esse padrão é distinto de 2022, quando cinco dos dez campeões de voto tinham menos de 40 anos. Naquela eleição, Nikolas Ferreira, Tabata Amaral e Kim Kataguiri repetiram o feito e voltaram aos dez mais votados. Desta vez, alguns nomes desapareceram: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PL em São Paulo e com condenações no Supremo Tribunal Federal, não disputaram a reeleição. Guilherme Boulos, do PSOL, abriu mão de concorrer para permanecer como ministro do governo Lula, ajudando a eleger sua esposa para a Câmara.
Mas quando se olha para o conjunto dos 513 deputados federais eleitos, a renovação geracional desaparece. Apenas 23 deles têm menos de 30 anos — o equivalente a 4,5% da Câmara. Desse pequeno grupo, 17 são de direita e seis de esquerda. O deputado mais jovem eleito é Alvinho Lira, do PP em Alagoas, com apenas 20 anos — ainda não completou a idade mínima constitucional de 21 anos, mas uma mudança legal aprovada em 2025 permite que candidatos completem esse requisito em até 90 dias após a posse da Mesa Diretora. Ele é filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Na outra extremidade, quatro deputados com 77 anos serão os mais velhos: Magda Mofatto (PL-GO), Busato (União Brasil-RS), Edinho Araújo (PRD-SP) e Sergio Zambiasi (Podemos-RS). Ao todo, 30 deputados federais eleitos ultrapassaram os 70 anos.
A idade mediana da Câmara permaneceu em 49 anos, o mesmo registrado em 2022. Nas Assembleias Legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a mediana também se manteve estável em 47 anos. No Senado, houve uma pequena redução: caiu de 58 anos em 2022 para 56 anos em 2026, resultado de uma renovação de dois terços das cadeiras nesta eleição, ante um terço na anterior. Os senadores mais jovens eleitos foram Filipe Barros, do PL no Paraná, e Marina JHC, do PSDB em Alagoas, ex-primeira-dama de Maceió, ambos com 35 anos. O senador eleito mais velho é Júlio César, do PSD, com 78 anos, que estava no sétimo mandato como deputado federal no Piauí e derrotou o senador Ciro Nogueira.
Nas Assembleias Legislativas, os mais jovens eleitos refletem uma mistura de nomes impulsionados pelas redes sociais e filhos de políticos estabelecidos. No Maranhão, Natália do Júnior Garimpeiro, com 21 anos, foi eleita pelo União Brasil com apoio do pai, prefeito de Centro Novo. Túlio Rezende, 22 anos, é filho da deputada estadual Andrea Rezende e do ex-deputado Stenio Rezende. Em Minas Gerais, Samuel Caires, 22 anos, foi eleito com apoio de Nikolas Ferreira. Em São Paulo, Eduarda Campopiano, 23 anos, tornou-se a mais votada para a Assembleia Legislativa estadual com 1,9 milhão de votos, eleita com um discurso conservador e antifeminista. A deputada estadual eleita mais velha do país é Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, com 91 anos — a única nonagenária entre os eleitos para as Assembleias. Na sequência estão Zé Teixeira, do PL em Mato Grosso do Sul, com 86 anos, e Eduardo Suplicy, do PT em São Paulo, com 85 anos.
Citazioni salienti
Dos 10 deputados federais mais votados em números absolutos do país, 9 têm menos de 40 anos— Levantamento da Folha de S.Paulo
A idade mediana dos eleitos para a Câmara dos Deputados permaneceu em 49 anos, o mesmo patamar registrado em 2022— Análise dos dados do TSE