Jorge Jesus garante mudanças na seleção: "Jogadores vão deixar de fazer o que gostam"

Os jogadores terão de deixar de fazer aquilo que gostam
Jesus explica que mudanças comportamentais serão necessárias para implementar sua filosofia tática na seleção.
Mark

O que o torna diferente de outros selecionadores que chegam a uma seleção nacional?

Mimi

Vejo a seleção como um clube. Não é apenas sobre os 90 minutos de jogo — é sobre a estrutura, as dinâmicas, como as pessoas se identificam com o processo. Passei tempo a conhecer a Cidade do Futebol, a entender como funciona tudo. Estou aqui das 9h às 17h.

Mark

Mas uma seleção é muito diferente de um clube. Tem menos tempo com os jogadores.

Mimi

Verdade. Por isso o novo formato da Liga das Nações é perfeito para mim. Quatro ou cinco jogos seguidos, 15 dias contínuos. Quando os jogadores chegam dos clubes com outras ideias, outras formas de treinar, preciso de tempo para os realinhar. Agora tenho esse tempo.

Mark

Fala muito em defesa. Não é isso que torna um treinador defensivo?

Mimi

Não. Ser defensivo é colocar muita gente atrás. O difícil é saber defender com poucos. Se consegues fazer isso, tens a equipa muito mais preparada e posicionada para ser também forte ofensivamente. A Espanha venceu a França porque defendeu melhor. Isso não a torna defensiva.

Mark

Disse que os jogadores terão de deixar de fazer o que gostam. Isso não cria tensão?

Mimi

Há coisas que eles fazem nos clubes que não são boas para a seleção. Alguns ficam com azia, é verdade. Mas em todas as equipas há jogadores mais importantes que outros. Tenho uma vantagem — metade deles já trabalhou comigo. Há uma ligação.

Mark

Por que não foi treinar o Brasil?

Mimi

Estava perto. Depois da derrota 4-1 com a Argentina, tinha indicações para fazer a pré-convocatória. Mas Portugal é o Brasil da Europa — muita qualidade individual. E o Mundial de 2030 é em Portugal. Era a cereja em cima do bolo.

Mark

O que o deixa nervoso?

Mimi

Os jogos. Se vejo que a equipa não está a fazer o que treinamos, fico mais interventivo. No dia em que não ficar nervoso, há algo errado. Será sinal que a minha paixão não está igual e aí de certeza que já não serei treinador.

  • Jesus assume o cargo com urgência táctica clara: a defesa não é opcional — é a diferença entre ganhar jogos e ganhar títulos.
  • A transição gera tensão natural: jogadores habituados às liberdades dos seus clubes terão de se adaptar a um sistema que exige disciplina coletiva acima de hábitos individuais.
  • O novo formato da Liga das Nações surge como trunfo inesperado, oferecendo 15 dias consecutivos de trabalho — tempo raro e precioso para moldar uma identidade táctica.
  • A sombra do Brasil paira sobre a narrativa: Jesus esteve a um passo de assumir a seleção canarinha, e a comparação que faz entre os dois países revela tanto sobre Portugal como sobre as suas próprias ambições.
  • O destino está marcado para 2030 — um Mundial em casa, com uma geração de jogadores nas melhores equipas do mundo, e um treinador que acredita que o momento está maduro para a conquista.

Quando uma nação deposita esperança num treinador, está a depositar também a sua identidade coletiva. Jorge Jesus chega à seleção portuguesa com a convicção de quem já atravessou continentes pelo futebol — esteve a um passo do Brasil, mas escolheu Portugal, que descreve como 'o Brasil da Europa'. Com o Mundial de 2030 em solo português como horizonte, Jesus propõe uma filosofia assente na defesa como fundamento da vitória, e na união do coletivo acima de qualquer estrela individual.

Jorge Jesus concedeu a sua primeira grande entrevista como selecionador de Portugal ao Canal 11, revelando os primeiros dias na Cidade do Futebol e a visão que traz para o cargo. Chega cedo, sai ao fim do dia, e vê a seleção como um clube — convicto de que os títulos se constroem fora do campo tanto quanto dentro.

Ainda antes de contactar os jogadores, Jesus já tem o plantel desenhado na cabeça. Planeia encontrá-los pessoalmente — em almoços ou jantares — para a primeira pré-convocatória. Promete alterar apenas dois ou três nomes, recusando revoluções. Metade do grupo já trabalhou com ele, o que considera uma vantagem real. Mas avisa: quem não se adaptar ao coletivo não joga, independentemente do estatuto.

A filosofia é clara: defender bem é a primeira qualidade de uma equipa vencedora. Jesus usa a Espanha como exemplo — venceu a França no Mundial porque defendeu melhor, não porque atacou mais. O meio-campo português tem potencial para ser o melhor do mundo, mas esse potencial precisa de se traduzir em prática. Gosta de um médio posicional e outro com vocação ofensiva.

O novo formato da Liga das Nações entusiasma-o. Quatro ou cinco jogos consecutivos significam 15 dias de trabalho contínuo — tempo suficiente para alinhar ideias e criar coesão numa equipa que chega dos clubes com ritmos e filosofias diferentes.

Jesus confessa que esteve muito perto de assumir o Brasil após a derrota pesada com a Argentina. Mas Portugal foi a escolha certa. Descreve-o como 'o Brasil da Europa' — muita qualidade individual, mas sem os títulos mundiais que a geração merece. O grande objetivo é 2030, um Mundial em casa, com uma seleção que ele acredita capaz de ganhar tudo — desde que o coletivo prevaleça sobre o individual.

Fica nervoso antes dos jogos, e quando não fica, sabe que algo está errado. Esse nervosismo, diz, é sinal de que ainda ama o jogo. A sua equipa técnica incluirá um antigo internacional português — não para marcar o campo, mas para trazer a memória viva do que significa vestir aquela camisola.

Jorge Jesus concedeu sua primeira grande entrevista desde ser anunciado como novo selecionador de Portugal, conversando com o Canal 11 sobre os primeiros dias na Cidade do Futebol, suas ideias para a equipa e o caminho até ao Mundial de 2030 em solo português. Nos seus primeiros dias no cargo, Jesus passou tempo conhecendo as instalações e a estrutura desportiva, chegando às 9h e saindo às 17h. Vê a seleção da mesma forma que vê um clube — não se ganham jogos apenas dentro do campo, mas com uma estrutura que se identifique com o processo.

Os jogadores ainda estão de férias, e Jesus planeia contactá-los pessoalmente através de almoços ou jantares quando fizer a primeira pré-convocatória. Tem uma vantagem: metade deles já trabalhou com ele, criando uma ligação prévia. Quando abordar mudanças no plantel, Jesus é direto: os jogadores terão de deixar de fazer aquilo a que estão habituados nos seus clubes se isso não beneficiar a equipa. Promete alterar apenas dois ou três jogadores, recusando fazer mudanças radicais. "Não sou burro", afirma, reconhecendo que não há um leque tão grande de opções neste momento, embora novos talentos apareçam nos próximos quatro anos.

A defesa é o alicerce da sua filosofia. Jesus argumenta que a primeira qualidade de uma equipa é saber defender bem — a Espanha venceu a França no Mundial porque defendeu melhor. Para ganhar jogos não é necessário defender bem, mas para ganhar títulos é. O futebol, para ele, é criatividade, não uma ciência exata. Os princípios de defesa e ataque parecem simples, mas ensiná-los aos jogadores é o verdadeiro desafio. Sobre o meio-campo português, Jesus vê potencial para ser o melhor do mundo, mas esse potencial precisa ser transportado para a prática. Gosta de jogar com um médio mais posicional e outro com características ofensivas.

O novo formato da Liga das Nações oferece uma oportunidade que Jesus valoriza: quatro ou cinco jogos consecutivos em vez da alternância habitual entre seleção e clubes. Isto dá-lhe 15 dias contínuos de trabalho com os jogadores, tempo suficiente para implementar ideias táticas e criar coesão. Quando os jogadores chegam dos clubes com outras ideias de jogo e formas de treinar diferentes, é preciso tempo para realinhá-los. Os adversários — Noruega, Dinamarca e outros — são equipas de qualidade, mas Jesus não vê a questão física como determinante. A condição técnica e o conhecimento tático podem dar vantagem.

Seu grande foco é o Mundial de 2030 em Portugal. A seleção tem jogadores nas melhores equipas do mundo, o que dá confiança para acreditar que pode ganhar todas as competições. O caráter da seleção é vencedor, mas a equipa tem de estar unida e não pode colocar o individual à frente do coletivo. Os jogadores têm de ter estatutos diferentes, mas regras iguais — Jesus só coloca a jogar quem estiver a 100 por cento.

Jesus confessa que esteve próximo de treinar o Brasil. Após a derrota 4-1 com a Argentina, tinha indicações para fazer a pré-convocatória para um jogo em março. Mas Portugal foi a escolha certa. Descreve Portugal como "o Brasil da Europa" — muita qualidade individual, mas nem sempre sucesso nos Mundiais. O Brasil não é campeão há 24 anos, apesar dos grandes jogadores. Jesus acredita que o melhor ponta-de-lança do futebol brasileiro neste momento é Pedro, talvez tendenciosamente porque foi seu jogador no Flamengo.

Sobre inovações, Jesus nota que o futebol está sempre a evoluir. O Mundial teve dois time-outs, algo que permite aos treinadores mudar de ideia e estratégia durante o jogo — os treinadores que perceberem isto terão vantagem. Fica nervoso com os jogos, e quando não fica, sabe que algo está errado. Esse nervosismo é sinal de paixão e amor ao jogo. A sua equipa técnica incluirá um antigo jogador da seleção, alguém que possa fazer parte do projeto — não para estar ao pé dele marcando o campo, mas para trazer experiência e compreensão do que significa representar Portugal.

A primeira qualidade de uma equipa é saber defender bem. A Espanha venceu a França porque soube defender melhor.
— Jorge Jesus
Não sou burro. Não há um leque tão grande de jogadores neste momento, vamos mudar dois ou três jogadores.
— Jorge Jesus
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