Getty acumulou bilhões no petróleo, ganhando seu primeiro milhão aos 24 anos, mas vivia de forma reclusa e austera apesar da riqueza extrema. O magnata transformou sua mansão Tudor em fortaleza com sistema de segurança elaborado, cercas eletrificadas e cães de ataque, vivendo isolado com medo de ameaças.
Jean Paul Getty: o magnata excêntrico que se tornou o homem mais rico do mundo
As ondas são de graça. O sol é de graça.
Por que um homem com quatro bilhões de dólares precisava instalar orelhões públicos em sua mansão?
Porque para Getty, o controle era mais importante que a generosidade. Ele queria determinar exatamente quanto seus convidados gastavam, mesmo em pequenas coisas. Era uma forma de manter a ordem em seu mundo.
Ele realmente acreditava que teria quatorze netos sequestrados se pagasse o resgate do primeiro?
Não era apenas uma ameaça vazia. Getty via a riqueza como uma responsabilidade que o tornava alvo. Pagar significava admitir vulnerabilidade, e ele não podia fazer isso. O neto pagou o preço por essa lógica.
Como um homem que ganhava mais em um dia do que a maioria ganhava em uma vida inteira podia se sentir pobre?
Porque ele nunca parou de contar. A riqueza não era algo que ele possuía — era algo que o possuía. Cada dólar era uma responsabilidade, não uma libertação.
Então quando ele falava sobre as ondas serem de graça, estava sendo sincero?
Acho que sim. Naqueles momentos na prancha de surfe, ele não era o homem mais rico do mundo. Era apenas um homem na água, sem nada a perder, sem nada a controlar. Talvez fosse a única vez que se sentia realmente rico.
Seu pai deixou apenas quinhentos mil dólares. Isso o moldou?
Moldou completamente. Getty tinha de provar algo — não apenas ao pai, mas a si mesmo. Aquele legado modesto se tornou o combustível para acumular bilhões. Mas também o deixou eternamente inseguro.
Le Pouls
- Getty acumulou US$ 4 bilhões (US$ 23,5 bilhões atuais) e ganhou seu primeiro milhão aos 24 anos em Oklahoma
- Transformou mansão Tudor de 72 cômodos em fortaleza com cercas eletrificadas, cães de ataque e leão de estimação
- Neto John Paul Getty 3º foi sequestrado na Itália em 1973, mantido 5 meses com orelha cortada; resgate de US$ 2,8 milhões pago
Getty acumulou bilhões no petróleo, ganhando seu primeiro milhão aos 24 anos, mas vivia de forma reclusa e austera apesar da riqueza extrema. O magnata transformou sua mansão Tudor em fortaleza com sistema de segurança elaborado, cercas eletrificadas e cães de ataque, vivendo isolado com medo de ameaças.
Perfil do magnata do petróleo Jean Paul Getty, homem mais rico do mundo em 1966 com fortuna de US$ 4 bilhões, conhecido por sua excentricidade, avareza e vida reclusa em mansão fortificada na Inglaterra.
Em julho de 1960, Jean Paul Getty reuniu mais de dois mil membros da elite social britânica em Sutton Place, sua mansão Tudor do século 16 em Surrey, para uma festa que custou o equivalente a quatrocentos mil dólares em valores atuais. O evento ficou marcado na imprensa quando um fotógrafo insistente foi jogado na piscina. Getty, o magnata do petróleo americano que tinha fobia de voos e travessias transatlânticas, havia comprado a propriedade um ano antes e ali permaneceria até sua morte em 1976, aos 83 anos. Na mansão, instalou orelhões públicos para que seus convidados não acumulassem contas telefônicas elevadas — um detalhe que revelava tanto sua excentricidade quanto sua obsessão pelo controle.
Em 1966, Getty entrou para o livro do Guinness como o homem mais rico do mundo. Sua fortuna era estimada em cerca de quatro bilhões de dólares, equivalentes a vinte e três bilhões e meio em valores contemporâneos. Havia ganhado seu primeiro milhão aos vinte e quatro anos, quando petróleo foi descoberto em um campo de sua propriedade em Oklahoma. Seu pai, um homem de origem humilde, havia adquirido mil e cem acres naquele território indígena por cinco mil dólares em 1903 e encontrado petróleo, acumulando dez milhões de dólares antes de morrer em 1930. Mas o pai metodista, descontente porque Getty já havia se casado e divorciado, deixou ao filho apenas quinhentos mil dólares. Getty teria de construir o resto do império por conta própria.
Quando entrevistado pela BBC em 1963, Getty era evasivo sobre as razões de seu sucesso extraordinário. Ele reconhecia que talvez fossem necessárias trinta e sete qualidades distintas para alcançar grande fortuna, e que se um homem possuísse trinta e cinco delas, seu sucesso seria mais modesto. Mas não sabia exatamente quais duas qualidades lhe faltavam aos outros. Quando pressionado, mencionava ética de trabalho, inteligência e imaginação — características que acreditava compartilhar com muitos outros. Com modéstia, confessava desejar ter uma personalidade mais agradável e ser mais habilidoso na conversa. O que ele reconhecia com certeza era o papel fundamental do pai: havia herdado um negócio sólido e próspero, e como filho único, teve de dar continuidade a ele.
Mas a riqueza não trouxe leveza. Getty vivia em um santuário privado dentro de uma mansão fortificada, cercado por obras dos grandes mestres — Veronese, Gainsborough, Renoir, Rembrandt, Rubens. Fazia suas refeições em uma mesa de quase cinco metros de comprimento, acompanhado apenas por seu pastor alemão. Após comprar Sutton Place em 1959, transformou a propriedade de setecentos acres em uma fortaleza: todos os cômodos, incluindo cada um dos quatorze banheiros, foram conectados a um elaborado sistema de segurança. Janelas e portas ganharam barras. Placas de proibida entrada foram instaladas por toda a propriedade, que contava com trinta casas e alojamentos, duas piscinas, quadras de tênis e um riacho com trutas. Getty era vago ao explicar exatamente do que tinha medo, mas mencionava a possibilidade de "malucos explodindo o lugar com dinamite". Seu neto John Paul Getty 3º, em entrevista à revista Rolling Stone em 1974, descreveu o avó vivendo "o tempo todo em seu castelo, vestido com ternos de três peças e camisas engomadas", cercado por cães de ataque, um leão de estimação chamado Nero, guarda-costas e assessores, com cercas eletrificadas e arame farpado no topo.
Em 1973, esse mesmo neto foi sequestrado na Itália. Os sequestradores exigiram um resgate de dezesseis milhões de dólares — cento e vinte milhões em valores atuais. Getty recusou, dizendo que tinha outros quatorze netos e que se pagasse um centavo, teria quatorze netos sequestrados. O rapaz, de dezesseis anos, foi mantido em cativeiro por cinco meses. Seus sequestradores cortaram sua orelha e a enviaram a um jornal. Um resgate de dois milhões e oitocentos mil dólares acabou sendo pago, mas a contribuição de Getty não foi divulgada.
Sua avareza era lendária. Em 1963, Getty confessou a Whicker que esperava do lado de fora de exposições caninas para que o valor do ingresso caísse, e que jantava tarde em restaurantes para evitar pagar a taxa adicional pela apresentação da orquestra. "Nunca tive a sensação de estar cheio de dinheiro", disse. "Se eu vendesse tudo... então talvez tivesse algum dinheiro." Cercava-se de símbolos de riqueza — sua mansão de setenta e dois cômodos abrigava uma das maiores coleções de arte do mundo, e sua propriedade em Malibu, aberta ao público em 1954 como o Museu J. Paul Getty, continha mais de seiscentas peças. Mas a riqueza não era sinônimo de felicidade. Ele argumentava que "grandes responsabilidades financeiras não são, de forma alguma, a chave para a felicidade". Desde que seu pai morreu e lhe deixou a responsabilidade pelos negócios, não tinha mais a mesma sensação de leveza que tinha antes.
Quando Whicker sugeriu que Getty parecia tão infeliz que as pessoas deviam acreditar que seu dinheiro não lhe trouxera felicidade, ele respondeu com resignação. Mas então, refletindo sobre os melhores momentos de sua vida, Getty encontrou uma verdade simples: alguns deles não lhe custaram nada. Na praia, em uma prancha de surfe, esperando uma grande onda chegar, surfando até a areia. As ondas eram de graça. O sol era de graça. Naquele momento, o homem mais rico do mundo parecia finalmente em paz.
Citations marquantes
Nunca tive a sensação de estar cheio de dinheiro. Se eu vendesse tudo... então talvez tivesse algum dinheiro.— Jean Paul Getty, em entrevista à BBC em 1963
Alguns dos melhores momentos que vivi não me custaram dinheiro algum. Na praia, em uma prancha de surfe... As ondas são de graça. O sol é de graça.— Jean Paul Getty, refletindo sobre felicidade