JBS entra na corrida por mercado global de proteínas avaliado em US$ 101 bilhões

Proteína deixou de ser coisa de suplemento para academia
A mudança nos hábitos de consumo levou a JBS a criar um novo negócio para desenvolver alimentos enriquecidos com proteínas.
Mark

Por que a JBS decidiu entrar nesse mercado agora? Não era mais seguro ficar só com carnes?

Mimi

A demanda mudou. Proteína deixou de ser coisa de suplemento para academia e virou algo que as pessoas querem em requeijão, iogurte, cerveja. A JBS viu que podia oferecer mais do que matéria-prima — podia ajudar outras empresas a desenvolver esses produtos.

Luke

Mas quanto desse mercado de US$ 101 bilhões a JBS realmente vai capturar? A projeção é global, e eles estão oferecendo um serviço de consultoria. Não é a mesma coisa que vender o produto final.

Mimi

Verdade. Mas o modelo deles é interessante porque reduz risco para quem quer inovar. Se você é uma marca de cerveja e quer lançar uma versão com proteína, a JBS faz todo o trabalho de desenvolvimento e testes.

Mark

E o snack com 44% de proteína que eles desenvolveram — isso é um produto próprio ou um exemplo do que conseguem fazer?

Mimi

É um exemplo. Eles desenvolveram, passou nos testes, está pronto para vender. Mas a estratégia real é vender o serviço de desenvolvimento para outras empresas.

Luke

Espera, eles não disseram quando o snack vai para o mercado. Pode ser que ainda haja problemas de escala ou comercialização que não foram resolvidos.

Mark

Faz sentido. E o centro de pesquisa em Campinas — é só deles ou compartilhado?

Mimi

É uma parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos. Eles trabalham junto com pesquisadores do Ital, então não é só estrutura própria.

Luke

Que é importante notar, porque significa que dependem de um terceiro para fazer o trabalho de inovação acontecer.

Mark

Então a aposta deles é que esse mercado de proteínas vai crescer 6,2% ao ano até 2030 e eles vão ganhar dinheiro ajudando outras empresas a entrar nele?

Mimi

Exatamente. É diversificação. Em vez de depender só de vender carne, eles vendem conhecimento e serviço de desenvolvimento.

Luke

Desde que o mercado realmente cresça no ritmo que a consultoria prevê. Projeções são projeções.

  • A JBS enfrenta a saturação do mercado tradicional de carnes e aposta na diversificação como caminho de crescimento sustentável.
  • Incorporar proteínas em alimentos é tecnicamente complexo: sabor, textura, aparência e conservação podem ser comprometidos, exigindo pesquisa rigorosa antes de qualquer lançamento.
  • A Genu-in Solutions oferece às empresas parceiras um serviço completo — da formulação à logística —, reduzindo os riscos e os custos do desenvolvimento de novos produtos.
  • Um snack proteico tipo puff com 44% de proteína já concluiu testes regulatórios e de estabilidade, sinalizando que a operação está pronta para chegar ao varejo.
  • Com um centro de inovação em Campinas em parceria com o Ital, a JBS consolida infraestrutura científica para competir em um setor global avaliado em mais de US$ 101 bilhões.

A JBS, gigante brasileira do setor alimentício, dá um passo além de suas raízes na indústria de carnes ao criar a Genu-in Solutions, uma divisão voltada ao enriquecimento proteico de produtos do cotidiano — de iogurtes a cervejas sem álcool. O movimento reflete uma transformação mais ampla nos hábitos de consumo, em que a proteína deixou de ser domínio exclusivo de atletas para se tornar um valor nutritivo buscado por consumidores comuns. Com um mercado global projetado em US$ 101,62 bilhões até 2030, a empresa posiciona-se não apenas como fornecedora de ingredientes, mas como parceira estratégica no desenvolvimento de novos alimentos.

A JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, criou a Genu-in Solutions, uma nova operação dedicada a enriquecer produtos alimentícios do dia a dia com proteínas — de requeijão e iogurtes a cervejas sem álcool e bebidas prontas para consumo. A iniciativa marca uma virada estratégica: a empresa não quer apenas fornecer matéria-prima, mas participar ativamente do processo de criação e desenvolvimento desses alimentos.

Essa aposta acompanha uma mudança profunda nos hábitos de consumo. Proteínas, antes associadas a suplementos e frequentadores de academia, hoje ocupam prateleiras de supermercado em categorias cada vez mais variadas. A consultoria Grand View Research projeta que esse mercado global pode alcançar US$ 101,62 bilhões até 2030, com crescimento anual de 6,2% — uma oportunidade de diversificação significativa para a JBS além do negócio tradicional de carnes.

A Genu-in Solutions integra a estrutura da Genu-in, especializada em gelatina e peptídeos de colágeno, dentro da divisão JBS Novos Negócios. O serviço oferecido é abrangente: acompanha o desenvolvimento de um alimento desde a elaboração da receita até análises regulatórias, estudos de estabilidade, planejamento de produção e logística. As empresas parceiras podem contratar etapas específicas ou o projeto completo, com o objetivo de acelerar lançamentos e reduzir riscos.

Incorporar proteínas em alimentos, porém, não é tarefa simples. Os ingredientes podem alterar sabor, consistência, aparência e conservação dos produtos. Para enfrentar esse desafio, a JBS mantém um Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno em Campinas, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), onde equipes testam como diferentes proteínas se comportam em lácteos, chocolates, bebidas, panificados e snacks. Após os testes laboratoriais, os projetos avançam para unidades-piloto que simulam condições industriais reais.

Um dos primeiros resultados concretos é um snack proteico tipo puff, desenvolvido ao longo de 18 meses, com 44% de proteína em sua composição. O produto já concluiu as avaliações regulatórias e os testes de estabilidade, estando pronto para chegar ao varejo. Segundo Vivian Zague, diretora de Pesquisa, Saúde e Nutrição da JBS, o maior desafio não é apenas aumentar a concentração de proteínas, mas garantir que o ingrediente funcione adequadamente em cada formulação — e é exatamente essa expertise que a empresa pretende oferecer ao mercado.

A JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, está apostando em um mercado que promete transformar a forma como comemos. A gigante brasileira de alimentos criou a Genu-in Solutions, uma nova operação dedicada a enriquecer produtos do dia a dia com proteínas — desde requeijão e iogurtes até cervejas sem álcool e bebidas prontas para consumo. A empresa não quer apenas fornecer a matéria-prima. Agora ela quer estar dentro do processo de criação, desenvolvimento e preparação desses novos alimentos.

Esse movimento acompanha uma mudança profunda nos hábitos de consumo. Há alguns anos, proteínas eram sinônimo de suplementos e produtos para quem frequentava academia. Hoje, elas ocupam as prateleiras de supermercados em categorias cada vez mais variadas, consumidas por públicos diversos. A consultoria Grand View Research projeta que esse mercado global de proteínas em alimentos pode chegar a US$ 101,62 bilhões até 2030, com uma expansão média anual de 6,2%. Para a JBS, é uma oportunidade de diversificação que vai além do negócio tradicional de carnes.

A Genu-in Solutions integra a estrutura da Genu-in, empresa especializada em gelatina e peptídeos de colágeno que faz parte da divisão JBS Novos Negócios. O serviço oferecido é abrangente: a operação pode acompanhar praticamente todo o desenvolvimento de um alimento, desde a elaboração da receita até os testes necessários para sua chegada ao mercado. Inclui análises regulatórias, estudos de estabilidade, planejamento da produção, comunicação e logística. As empresas interessadas podem contratar apenas determinadas etapas ou optar pelo acompanhamento completo do projeto. Segundo Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios, a iniciativa pretende acelerar o lançamento de produtos e diminuir os riscos enfrentados pelas indústrias durante o desenvolvimento de novas formulações.

Incorporar proteínas em alimentos não é simples. Os ingredientes podem alterar características importantes dos produtos, como sabor, consistência, aparência e conservação. Uma bebida precisa manter a estabilidade e as características esperadas pelo consumidor mesmo depois da adição de proteínas. O mesmo acontece com alimentos cremosos, como requeijão e iogurtes, que precisam preservar textura e sabor. A JBS já acumula experiência nesse desafio. Desde 2022, a Genu-in trabalha com soluções à base de colágeno e gelatina, e ao longo dos anos passou a participar de projetos para incorporar proteínas em produtos industrializados.

Uma das primeiras novidades da Genu-in Solutions é um snack proteico do tipo puff, desenvolvido durante aproximadamente 18 meses. O alimento apresenta 44% de proteína em sua composição e já concluiu as avaliações regulatórias e os testes de estabilidade necessários para avançar à comercialização. Segundo a companhia, o produto está pronto para chegar ao varejo, embora a empresa não tenha informado uma data específica para o início das vendas. Ao mesmo tempo, a JBS desenvolve novas aplicações envolvendo gomas enriquecidas com colágeno e bebidas prontas para consumo.

Para viabilizar essa expansão, a JBS utiliza uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento instalada em Campinas, no interior de São Paulo. O Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno funciona em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e reúne especialistas da Genu-in, da Novapron+ e pesquisadores do instituto. No local, as equipes avaliam como diferentes proteínas se comportam quando adicionadas a alimentos e bebidas. Os testes abrangem produtos lácteos, chocolates, doces, bebidas, panificados, carnes e snacks. Os pesquisadores analisam a quantidade de proteína que cada formulação consegue receber sem comprometer suas características. Após os testes laboratoriais, os projetos podem avançar para unidades-piloto, que simulam condições próximas às da fabricação industrial.

Segundo Vivian Zague, diretora de Pesquisa, Saúde e Nutrição da JBS, o principal desafio não consiste apenas em aumentar a concentração de proteínas, mas em garantir que o ingrediente funcione adequadamente em cada alimento. A estrutura permite identificar problemas antes de iniciar a produção em grande escala e, consequentemente, reduzir custos e riscos para as empresas parceiras. Dessa maneira, a JBS busca conquistar uma parcela de um setor global que poderá ultrapassar US$ 101 bilhões nos próximos anos, levando as proteínas a categorias de alimentos e bebidas cada vez mais variadas.

A iniciativa pretende acelerar o lançamento de produtos e diminuir os riscos enfrentados pelas indústrias durante o desenvolvimento de novas formulações
— Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios
O principal desafio não consiste apenas em aumentar a concentração de proteínas, mas em garantir que o ingrediente funcione adequadamente em cada alimento
— Vivian Zague, diretora de Pesquisa, Saúde e Nutrição da JBS
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