Itaú avança nos EUA com aprovação para banco completo e mira clientes latino-americanos

Mais clientes estão se tornando globais, com filhos estudando fora
O CEO do Itaú USA explica a mudança de demanda que impulsiona a expansão para banco completo.
Mark

Por que o Itaú espera tanto tempo — desde 2007 em Miami — para agora expandir para um banco completo?

Mimi

Porque a demanda mudou. Antes, os clientes precisavam principalmente de diversificação de investimentos. Agora, com mais pessoas vivendo permanentemente no exterior, eles querem contas correntes, cartões, hipotecas — tudo que um banco oferece.

Luke

Mas a aprovação é condicional, não final. Quando sai a licença completa? E quanto tempo leva para montar a operação?

Mimi

O artigo não especifica o cronograma. Sabemos que foi aprovada em agosto, mas não há data para a licença final.

Mark

Esse trilhão de dólares que os latino-americanos têm nos EUA — quanto disso o Itaú espera capturar?

Mimi

Não há projeção de mercado no artigo. Mas considerando que o Itaú já tem relacionamento com esses clientes no private, a vantagem é que eles já confiam na marca.

Luke

E a concorrência? O Bradesco já está lá desde 2019, o BTG tem licença plena desde janeiro. O Itaú está chegando tarde?

Mimi

Talvez, mas Moreira argumenta que o diferencial é a escala — 30% de participação no mercado de private no Brasil — e a experiência estruturada que podem replicar.

Mark

Ele mencionou que não vai abrir agências. Como funciona um banco sem agências?

Mimi

Provavelmente digital, como muitos bancos modernos. Mas o artigo não detalha isso.

Luke

E o Nubank? Tem licença condicional também, mas para um público completamente diferente — desbancarizados. Não é concorrência direta?

Mimi

Não, são nichos diferentes. O Itaú vai para o topo da pirâmide, o Nubank para a base.

Mark

A administração Trump facilitando bancos estrangeiros — isso é permanente ou pode mudar?

Luke

O artigo não explora isso. É uma mudança de política que pode ser revertida, mas não há análise sobre a durabilidade dessa abertura.

  • A aprovação condicional obtida em agosto representa uma virada estratégica: o Itaú deixa de ser apenas gestor de patrimônio offshore para se tornar banco completo em solo americano.
  • O gatilho é claro — clientes de alta renda que emigraram ou internacionalizaram suas vidas precisam de muito mais do que uma conta de investimentos: querem financiamento imobiliário, cartões e crédito do dia a dia.
  • O campo de batalha está se formando rapidamente: Bradesco, BTG Pactual, Inter e Nubank já avançam nos EUA com licenças e aquisições, cada um mirando um perfil diferente de cliente.
  • O Itaú aposta em seus diferenciais — 30% de participação no mercado de alta renda no Brasil e base de clientes fiéis no Chile, Uruguai e Paraguai — para se destacar num mercado que começa a ficar concorrido.
  • A estratégia é cautelosa: sem agências físicas e sem varejo em massa por enquanto, o banco prefere consolidar o segmento premium antes de ampliar o escopo.

Há algo revelador no movimento do Itaú em direção a uma licença bancária completa nos Estados Unidos: ele não é apenas uma expansão corporativa, mas o reflexo de uma transformação mais profunda na vida dos latino-americanos de alta renda, cada vez mais globais em seus vínculos e necessidades. O banco, presente em Miami desde 2007 com foco em private banking para não-residentes, recebeu em agosto aprovação condicional do regulador americano para oferecer contas correntes, crédito e cartões — serviços que acompanham pessoas que já não cabem dentro de uma única fronteira. Num momento em que a administração Trump sinaliza abertura a bancos estrangeiros, o Itaú e seus concorrentes brasileiros disputam um espaço que a própria mobilidade humana foi criando.

Em agosto, o Itaú recebeu aprovação condicional do regulador americano para operar como banco nacional nos EUA — um passo que transforma sua presença em Miami, até então restrita ao private banking para não-residentes, em uma operação bancária completa. A nova estrutura incluirá contas correntes, cartões de crédito e débito, linhas de crédito com ênfase em financiamento imobiliário e, numa segunda fase, seguros.

O CEO do Itaú USA, Percy Moreira, resume a lógica por trás do movimento: clientes de alta renda estão cada vez mais globais, com residência no exterior e filhos estudando fora, e precisam de serviços que vão além da gestão de investimentos. O público-alvo são latino-americanos com cerca de um trilhão de dólares investidos offshore — 75% desse montante já nos EUA — além dos atuais clientes do escritório de Miami. O banco não planeja abrir agências físicas nem entrar no varejo em larga escala por ora.

O Itaú não está sozinho nessa corrida. O Bradesco opera o BAC Florida Bank desde 2019, o BTG Pactual concluiu a compra do M.Y. Safra Bank em janeiro, o Inter recebeu autorização para filiais na Flórida em junho, e o Nubank obteve licença condicional para banco nacional — embora mirando os desbancarizados americanos, um público completamente distinto.

Executivos do setor atribuem essa onda de aprovações a uma mudança de postura da administração Trump, mais receptiva a bancos estrangeiros. Para o Itaú, os trunfos são a posição consolidada no topo da pirâmide de renda, a experiência replicável do modelo de negócios e a lealdade de clientes não apenas no Brasil, mas também no Chile, Uruguai e Paraguai — uma base que o coloca em posição privilegiada para capturar uma demanda que cresce junto com a mobilidade dos latino-americanos.

Em agosto, o Itaú recebeu do regulador americano uma aprovação condicional para operar como banco nacional nos EUA — um marco que abre caminho para uma operação inteiramente nova, desenhada para atender uma demanda crescente de latino-americanos de alta renda que vivem no exterior e precisam de serviços bancários completos.

O banco mantém um escritório em Miami desde 2007, mas até agora sua atuação se limitava ao private banking, focado em clientes não-residentes que buscavam principalmente diversificar investimentos no exterior. Quando a licença de banco completo for finalizada, o Itaú USA lançará contas correntes, emitirá cartões de crédito e débito, abrirá linhas de crédito — com ênfase em financiamento imobiliário — e, numa segunda fase, oferecerá seguros. Percy Moreira, CEO do Itaú USA, explicou ao Brazil Journal que o movimento responde a uma realidade simples: "Mais clientes, não só os do private, estão se tornando globais, com residência no exterior, filhos estudando fora. Precisam de produtos e serviços além de investimentos."

O alvo principal são os latino-americanos que já são clientes de private banks e têm aproximadamente um trilhão de dólares investidos no exterior — mais da metade disso já nos EUA. Também inclui os atuais clientes do Itaú Miami que necessitam de uma gama mais ampla de serviços. O banco não planeja abrir agências físicas por enquanto nem expandir para o mercado de varejo em larga escala. "Não vamos para o mar aberto por enquanto, mas vamos ver como a operação evolui," disse Moreira.

O private do Itaú gerencia 1,2 trilhão de reais, dos quais 864 bilhões estão no Brasil e 336 bilhões no exterior — aproximadamente 65 bilhões de dólares. Desse montante offshore, 75% está concentrado nos EUA e o restante na Europa. A escala dessa operação e a experiência do banco no segmento de alta renda — com cerca de 30% de participação de mercado no Brasil — são, segundo Moreira, os principais diferenciais competitivos.

Mas o Itaú não está sozinho nessa corrida. O Bradesco adquiriu o BAC Florida Bank em 2019 para atender brasileiros de alta renda e construiu uma forte presença em crédito imobiliário. O BTG Pactual finalizou em janeiro a compra do M.Y. Safra Bank, obtendo licença plena para operar nos EUA. O Inter recebeu em junho autorização para abrir filiais na Flórida. E o Nubank conquistou uma licença condicional para banco nacional, embora seu público-alvo seja completamente diferente — os 100 a 150 milhões de desbancarizados americanos.

Executivos do setor atribuem essa onda de aprovações a uma mudança de postura da administração Trump, que decidiu facilitar o acesso de competidores estrangeiros ao mercado americano. Para Moreira, o diferencial do Itaú reside na sua posição consolidada no topo da pirâmide de renda, na experiência replicável de seu modelo de negócios e na lealdade de clientes não apenas no Brasil, mas também em países onde o banco tem presença no varejo — Chile, Uruguai e Paraguai. Essa base de clientes fiéis, combinada com a escala operacional, coloca o Itaú em posição distinta para capturar a demanda crescente de latino-americanos que buscam serviços bancários sofisticados fora de suas fronteiras.

Mais clientes, não só os do private, estão se tornando globais, com residência no exterior, filhos estudando fora. Precisam de produtos e serviços além de investimentos.
— Percy Moreira, CEO do Itaú USA
Temos lugar de fala, um modelo bem estruturado que pode ser replicado nos EUA e clientes fiéis à marca não só no Brasil, mas em países onde temos presença no varejo.
— Percy Moreira, CEO do Itaú USA
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Brazil Journal ↗
Nous contacter FAQ