Irmã implora por socorro após empresária passar mal pós-cirurgia plástica em Goiânia

Empresária de 51 anos faleceu na madrugada de 12 de agosto após complicações cirúrgicas, deixando família que questiona qualidade do atendimento médico recebido.
A minha irmã tá morrendo. Ninguém aparece.
Mensagem de desespero enviada pela irmã enquanto Andreia apresentava piora respiratória pós-operatória.
Mark

Por que a família decidiu denunciar o caso se o hospital afirma ter prestado atendimento adequado?

Mimi

Porque há uma diferença entre o que está escrito em um prontuário e o que a família vivenciou. Djiane viu a irmã pedindo ajuda repetidamente e ninguém apareceu. Isso não é um detalhe administrativo — é o momento em que a vida poderia ter sido salva.

Mark

A consulta presencial teria feito diferença?

Mimi

Talvez. Um médico que conhece o paciente pessoalmente, que avalia sua saúde geral, seus antecedentes, suas reações — tem mais ferramentas para antecipar complicações. Tudo foi feito por mensagem. Isso não é padrão.

Mark

O que a mensagem de Djiane revela que os documentos do hospital não dizem?

Mimi

Desespero real. Não é um registro clínico — é uma mãe, uma irmã, gritando por ajuda enquanto vê alguém morrendo. Quando você lê aquelas palavras, você entende que havia tempo para agir e ninguém agiu.

Mark

Por que o médico não pode falar sobre o caso?

Mimi

O sigilo médico é uma proteção importante, mas também pode ser um escudo. Ele permite que o médico não responda perguntas difíceis enquanto a investigação acontece. A família, por outro lado, não tem esse direito — ela tem que viver com as perguntas.

Mark

O que muda agora com o inquérito?

Mimi

A polícia pode examinar os prontuários, as comunicações, os registros de quem estava presente. Pode ouvir testemunhas. Pode determinar se houve negligência real ou se foi uma complicação inevitável. Mas para a família, nada traz Andreia de volta.

  • Andreia Vieira Gaspar, 51 anos, morreu na madrugada de 12 de agosto após cirurgia plástica em Goiânia
  • Procedimentos duraram aproximadamente dez horas; causa da morte foi trombose aguda e infarto pulmonar
  • Irmã relata que não houve consulta presencial pré-operatória e que pedidos de socorro não foram atendidos
  • Ministério Público abriu inquérito para investigar possível homicídio culposo

Andreia Vieira Gaspar morreu de trombose aguda e infarto pulmonar após procedimentos estéticos complexos que duraram cerca de dez horas. Irmã relata que pediu socorro repetidamente via mensagem enquanto paciente apresentava piora respiratória, mas equipe médica não compareceu.

Empresária de 51 anos morre horas após cirurgia plástica em Goiânia. Família denuncia negligência médica e falta de atendimento durante complicações pós-operatórias.

Andreia Vieira Gaspar tinha 51 anos e havia economizado durante dois anos para realizar uma cirurgia plástica. Reunir cento e dezoito mil reais com salário não é tarefa simples, e para ela esse procedimento representava um sonho acumulado. Entrou no centro cirúrgico por volta das sete da manhã e só retornou ao quarto às cinco e meia da tarde. Os procedimentos — ritidoplastia profunda, frontoplastia, mentoplastia, blefaroplastia e aplicação de gordura no rosto — duraram aproximadamente dez horas. Sua irmã, Djiane Vieira, permaneceu no hospital durante todo esse tempo, apreensiva com a demora.

O contato inicial com a equipe médica havia sido feito pelas redes sociais, com as negociações acontecendo por mensagens. Andreia nunca teve uma consulta presencial com o médico responsável antes de entrar na sala de cirurgia. Tudo foi combinado à distância, um detalhe que a família viria a questionar nos dias seguintes.

Na madrugada de doze de agosto, horas após o procedimento, Andreia começou a apresentar piora na respiração. Pediu várias vezes que um médico fosse chamado. Djiane, desesperada, enviou uma mensagem para o grupo de comunicação com a equipe médica: "A minha irmã tá morrendo. Pelo amor de Deus. Vocês atende, ninguém aparece. Pelo amor de Deus." O apelo foi feito enquanto a irmã se debatia com dificuldades respiratórias crescentes. Ninguém apareceu.

Andreira morreu naquela madrugada. O laudo apontou trombose aguda e infarto pulmonar como causa do óbito. A família, devastada e indignada, começou a questionar o que havia acontecido. Por que não houve uma avaliação presencial antes da cirurgia? Por que os procedimentos demoraram tanto? Por que, quando Andreia pediu ajuda, ninguém respondeu?

O Ministério Público de Goiás recebeu a denúncia e encaminhou um ofício à Polícia Civil solicitando a abertura de inquérito para investigar a possível prática de homicídio culposo. A família afirmou que pretende colaborar com as investigações e busca esclarecimentos sobre o atendimento prestado à empresária, particularmente durante o período pós-operatório.

O médico otorrinolaringologista Lessandro Martins, responsável pela cirurgia, emitiu uma nota lamentando o falecimento e expressando solidariedade com a família, mas recusou-se a comentar o caso, invocando o sigilo médico garantido pelo Código de Ética Médica. O Hospital Ankar, onde o procedimento foi realizado, também divulgou comunicado afirmando que a paciente recebeu atendimento de emergência imediato com assistência médica e de enfermagem, além das medidas necessárias diante do quadro apresentado. A instituição informou que todos os registros estão documentados em prontuário e poderão ser disponibilizados às autoridades.

A investigação segue em andamento. O que começou como um sonho de dois anos de economia terminou em morte, questionamentos e um processo que buscará determinar se houve negligência no atendimento a uma mulher que pediu socorro e não foi ouvida.

Foram dois anos que ela ficou poupando. Não é fácil você reunir R$ 118 mil ganhando salário. Então era um sonho na cabeça dela que já vinha de anos.
— Djiane Vieira, irmã da empresária
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