Instrutor nega assédio e classifica mordida em aluna como 'brincadeira infeliz'

Professora de 25 anos sofreu agressão física não consentida (mordida e agarramento) que a deixou estressada e sem reação no momento.
Eu não era próxima, não cheguei a ter nenhum tipo de intimidade
A professora refuta a alegação da defesa de que havia relação de confiança entre ela e o instrutor.
Mark

Como a defesa consegue argumentar que havia intimidade entre eles se ela diz que tentava se afastar dos abraços?

Mimi

Eles estão construindo uma narrativa de proximidade baseada em conversas pessoais e lanches que ela levava. Mas intimidade consentida é diferente de intimidade presumida. Ela recusou o abraço naquele dia específico.

Mark

A defesa diz que foi uma brincadeira. Você acredita que uma mordida pode ser brincadeira?

Mimi

Depende do contexto e do consentimento. Se alguém diz não, e você faz mesmo assim, deixa de ser brincadeira. Vira agressão.

Mark

Por que ela esperou três dias para denunciar?

Mimi

Ela relatou que ficou sem reação no momento. Às vezes o corpo congela diante de algo inesperado e violento. Três dias é pouco tempo para processar e encontrar coragem para denunciar alguém que tinha poder sobre você na academia.

Mark

A academia realmente desligou ele ou só o afastou?

Mimi

Segundo a academia, desligou em maio. Mas três meses depois ele estava lá novamente, mesmo que excepcionalmente. Isso levanta questões sobre como a situação foi realmente tratada internamente.

Mark

O que a câmera prova que as palavras não conseguem?

Mimi

A câmera mostra a sequência: ele se aproxima, segura pela cintura, morde. Não mostra consentimento. Não mostra riso compartilhado. Mostra ação e reação.

  • Uma câmera de segurança capturou o instrutor Filipe Gomes da Silva agarrando uma aluna pela cintura e a mordendo nas costas em plena academia, tornando o gesto impossível de negar — apenas de reinterpretar.
  • A vítima relata que pediu apenas um aperto de mão, recusou o abraço e ficou paralisada de estresse após a agressão; a defesa, por sua vez, invoca lanches compartilhados e conversas pessoais para construir a imagem de uma amizade que justificaria a brincadeira.
  • Três meses após a denúncia, a professora encontrou o instrutor novamente trabalhando na academia, reacendendo o trauma e expondo a fragilidade dos mecanismos de proteção à vítima.
  • A Polícia Civil investiga o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal, enquanto o exame de corpo de delito e o vídeo compõem o conjunto de provas que pode definir o desfecho judicial.
  • A academia ElevaFit afirma ter desligado o funcionário ao tomar conhecimento do caso, mas a presença dele meses depois — mesmo que temporária — levanta questões sobre a consistência dessa postura.

Dentro de uma academia no Recife, uma câmera de segurança registrou o momento em que um instrutor agarrou e mordeu uma professora de 25 anos nas costas — um gesto que, para ela, foi uma agressão não consentida, e que, para a defesa dele, foi apenas uma brincadeira mal calibrada entre pessoas próximas. O episódio, ocorrido em maio, revela a tensão perene entre narrativas opostas sobre consentimento, intimidade e poder nas relações cotidianas. Enquanto a Polícia Civil investiga o caso sob três tipificações criminais, o vídeo permanece como testemunha silenciosa de um momento cuja interpretação ainda está em disputa.

Em 19 de maio, numa academia no bairro de Passarinho, Zona Norte do Recife, uma professora de 25 anos foi agarrada pela cintura e mordida nas costas por um instrutor. A câmera de segurança registrou tudo. Três dias depois, ela foi à polícia. Três meses depois, o caso ainda não tem desfecho — mas tem duas versões radicalmente opostas.

A defesa do instrutor Filipe Gomes da Silva sustenta que ele e a aluna mantinham uma relação de confiança que ia além do ambiente profissional: conversas pessoais, lanches que ela trazia para ele. No dia do episódio, ela estaria desanimada durante o treino, e Filipe teria dito, em tom de brincadeira, que a mordia se ela não treinasse — e então o fez, segundo os advogados, de forma lúdica e sem qualquer intenção sexual.

A professora conta outra história. Ela diz que pediu apenas um aperto de mão, recusando o abraço que ele solicitava. Ele a agarrou assim mesmo e a mordeu. No momento, ela ficou paralisada, sem forças para reagir. Em entrevista, foi direta: não havia intimidade entre eles, e ser colocada naquela posição foi muito ruim. A defesa reconhece que o comportamento ultrapassou os limites esperados, mas nega qualquer motivação sexual.

O caso ganhou novo capítulo quando, três meses após a denúncia, a professora encontrou Filipe novamente na academia. A ElevaFit explicou que ele havia sido chamado excepcionalmente para cobrir duas diárias por ausência de outros profissionais, reafirmando que o desligou assim que soube do episódio em maio e que disponibilizou as imagens às autoridades.

A Polícia Civil investiga o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. O vídeo e o exame de corpo de delito integram o inquérito. O que a câmera gravou — um homem se aproximando, segurando uma mulher e a mordendo — permanece como evidência central enquanto as duas narrativas disputam a versão definitiva dos fatos.

Em 19 de maio, dentro de uma academia no bairro de Passarinho, na Zona Norte do Recife, uma professora de 25 anos foi agarrada pela cintura e mordida nas costas por um instrutor. A câmera de segurança capturou tudo. Três dias depois, ela registrou boletim de ocorrência. Agora, três meses após a denúncia, enquanto a Polícia Civil investiga o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal, a defesa do instrutor Filipe Gomes da Silva apresenta sua versão: aquilo foi uma brincadeira infeliz, sem qualquer intenção sexual.

Segundo os advogados de Filipe, ele e a aluna mantinham uma relação de intimidade e confiança. Conversavam sobre questões pessoais. Ela costumava levar lanches para ele. O vínculo, argumentam os defensores, transcendia a relação profissional típica. No dia do episódio, a professora teria demonstrado desânimo durante o treinamento. Nesse contexto, Filipe teria dito, em tom de brincadeira: se você não treinar vou lhe morder. E então realizou o gesto de forma lúdica e descontraída, sem qualquer intenção ou conotação sexual.

A professora, que preferiu não se identificar publicamente, conta uma história diferente. Ela afirma que pediu apenas um aperto de mão, recusando o abraço que o instrutor solicitava. Ele a agarrou sem seu consentimento e a mordeu nas costas. Ela ficou muito estressada. Na hora, relatou, ficou sem forças, sem reação. Em outras ocasiões, ela tentava se afastar dos abraços dele, mas ele insistia. Em entrevista à TV Globo, ela foi clara: não tinha intimidade com ele, não era próxima, e ser colocada nessa posição era muito ruim.

A defesa reconhece que a conduta ultrapassou os limites esperados na relação entre professor e aluna. Filipe assume responsabilidade pelo comportamento inadequado. Mas nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual. Afirma estar genuinamente surpreso com as acusações e diz que pretende colaborar com a investigação, apresentando provas e testemunhas.

O caso ganhou novo desdobramento na quarta-feira anterior à publicação desta reportagem, quando a professora encontrou Filipe novamente trabalhando na academia, três meses após a denúncia. A ElevaFit informou que ele não foi recontratado ou readmitido, mas havia sido chamado excepcionalmente para cobrir duas diárias devido a profissionais que se afastaram por questões médicas. A academia afirmou que desligou Filipe assim que tomou conhecimento do episódio em maio, prestou assistência à aluna, disponibilizou as imagens às autoridades e não compactua com a conduta relatada.

A professora passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal. O vídeo da ocorrência foi anexado ao boletim de ocorrência. A Polícia Civil segue investigando o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. O que a câmera registrou — um homem se aproximando, segurando uma mulher pela cintura e a mordendo nas costas — permanece como evidência central enquanto as duas narrativas competem pela verdade.

Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação.
— A professora, em entrevista à TV Globo
Filipe reconhece que sua conduta extrapolou os limites tanto da relação interpessoal quanto das normas profissionais esperadas, mas nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual.
— Advogados de Filipe Gomes da Silva
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