Duas mortes, vandalismo e seis presos em onda de violência antes do clássico Ba-Vi

Dois torcedores mortos: José Alexandre Souza Borges, segurança da torcida Bamor, morto a facadas; Lucas dos Reis Bonfim, 19 anos, morto a tiros. Um motorista de ônibus foi ferido por rojão.
Duas vidas perdidas antes de uma bola rolar
Reflexão sobre o custo humano da violência entre torcidas organizadas horas antes do clássico Ba-Vi.
Mark

Por que duas mortes em um confronto de torcida? Isso é comum em Salvador?

Mimi

Não é comum, mas também não é isolado. O que torna este caso particular é que aconteceu horas antes de um clássico, quando a cidade já estava tensa, e envolveu armas de fogo e facas simultaneamente. Duas mortes em um único episódio de violência entre torcidas é grave.

Mark

A polícia disse que uma das mortes pode não estar ligada ao confronto. Como assim?

Mimi

Lucas foi baleado no Castelo Branco, não na Via Regional onde a briga principal aconteceu. A polícia ainda não encontrou elementos que conectem o disparo ao confronto entre as torcidas, embora a família dele acredite que sim. É uma investigação em aberto.

Mark

E os seis presos? Eles foram identificados como responsáveis pelas duas mortes?

Mimi

Foram autuados por homicídio qualificado, mas a investigação continua. Tinham facas, explosivos caseiros e roupas com sangue. Mas a polícia ainda busca identificar outros envolvidos e apurar exatamente quem fez o quê.

Mark

O vandalismo parece secundário comparado às mortes, mas afetou muitas pessoas.

Mimi

Sim. Um motorista de ônibus foi ferido por um rojão. Outros ônibus tiveram portas, janelas e exaustores destruídos. Uma oficina de carros foi invadida e danificada. O vandalismo mostra que a violência não era apenas entre torcedores — era contra a cidade.

Mark

As torcidas organizadas disseram algo que importa?

Mimi

O presidente da TUI disse que havia informado à polícia onde seus membros se reuniriam, tentando evitar confrontos. É uma admissão de que sabiam que havia risco. Mas claramente não funcionou.

Mark

O que muda agora?

Mimi

O secretário de Segurança quer repensar a existência das torcidas organizadas. O Ministério Público está acompanhando. Mas a questão real é se isso vai além de declarações. Duas pessoas morreram. As famílias estão enterrando seus filhos.

  • José Alexandre Souza Borges, segurança da Bamor, morto a facadas na Via Regional
  • Lucas dos Reis Bonfim, 19 anos, baleado no Castelo Branco
  • Seis suspeitos presos com facas, explosivos caseiros e roupas com sangue
  • Vandalismo em ônibus e estabelecimentos comerciais; um motorista ferido por rojão
  • Confronto entre Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI) e Bamor no domingo 23 de agosto

José Alexandre Souza Borges, segurança da Bamor, foi morto a facadas durante briga na Via Regional; Lucas dos Reis Bonfim, 19 anos, foi baleado no Castelo Branco. Seis suspeitos foram autuados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, posse de explosivos e promoção de tumulto; polícia apreendeu facas, artefatos explosivos e fogos de artifício.

Dois torcedores morreram e seis foram presos após confronto entre torcidas organizadas do Bahia e Vitória horas antes do clássico Ba-Vi. Além das mortes, houve vandalismo em ônibus e estabelecimentos comerciais na região.

Horas antes do clássico Ba-Vi em Salvador, no domingo 23 de agosto, duas pessoas estavam mortas e seis outras presas. A violência começou na Via Regional, uma via importante que liga a cidade à BR-324, no bairro de Cajazeiras, próximo ao Barradão onde o jogo aconteceria. Ali, membros da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis, ligada ao Vitória, atacaram torcedores do Bahia. Um deles era José Alexandre Souza Borges, segurança de 19 anos e membro da Bamor, a torcida organizada do Bahia. Ele foi morto a facadas no meio da confusão, socorrido e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo foi enterrado na segunda-feira no Cemitério Bosque da Paz, cercado pela indignação de familiares e companheiros de torcida. Sua esposa, Gabriele Vasconcelos, lamentou que seu filho não pudesse conhecer o homem que ele era.

A segunda morte ocorreu no bairro do Castelo Branco. Lucas dos Reis Bonfim, 19 anos, foi baleado. Segundo sua família, ele havia ido ao bairro para comer uma feijoada em um encontro da Bamor e depois se aproximou do local da confusão para observar o que acontecia. Levou um tiro e, apesar de receber socorro, não sobreviveu. Quando sua mãe chegou ao local do crime, na rua Soldado Evilásio de Assis, que faz divisa com a Via Regional, ele já estava morto. A mãe, que preferiu não se identificar, descreveu a cena como estarrecedora. Uma prima do jovem contou que ele havia servido ao Exército há pouco tempo, não tinha envolvimento com crimes e havia integrado a TUI antes de passar para a Bamor cerca de um ano antes. A Polícia Civil confirmou o óbito na segunda-feira, mas apontou que ainda não havia elementos ligando a morte do jovem diretamente à confusão entre as torcidas. Lucas seria sepultado na terça-feira, 25 de agosto, no mesmo cemitério.

A polícia respondeu rápido. Equipes da 50ª Companhia Independente foram acionadas após denúncias de agressão. Vídeos feitos por pessoas no local mostravam dezenas de torcedores perseguindo outro grupo que tentava fugir em direção a uma área de matagal. Após o ataque inicial, os suspeitos seguiram pela Via Regional portando facas, artefatos explosivos caseiros, foguetes e outros objetos. Durante as buscas, os policiais localizaram um grupo com cerca de 60 pessoas nas proximidades do acesso à Avenida 29 de Março. Seis homens foram encontrados com facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais, alguns com vestígios aparentes de sangue nas roupas. Os presos foram identificados como Caíque Santos Chaves, Guilherme Maia da Luz, Marcos Vinicius Costa Magalhães, Nethon Oliveira dos Santos, Sérgio Gabriel Reis dos Santos e Tiago Franco Barbosa Lima Silva. Foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e autuados em flagrante por homicídio qualificado, tentativa de homicídio de outras quatro pessoas, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, crime previsto no Estatuto do Torcedor. Com eles foram apreendidos três objetos perfurocortantes, dois artefatos explosivos, fogos de artifício e latas de spray. Os demais integrantes do grupo foram conduzidos à Central de Flagrantes e um Termo Circunstanciado de Ocorrência foi registrado por atos de vandalismo.

A violência não se limitou ao confronto direto. Atos de vandalismo se espalharam pela cidade. Um ônibus foi atingido por um rojão e seu motorista ficou ferido, segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade. Na região da Estação Pirajá, um grupo ligado a uma torcida organizada empurrou um ônibus da frota de apoio no terminal, danificando uma das portas. Em Pernambués, um coletivo da linha 1249 teve uma janela e um exaustor destruídos, mas ninguém ficou ferido. No bairro de Canabrava, pessoas ligadas a uma torcida organizada do Vitória vandalizaram uma oficina de carros, danificando veículos e destruindo o portão do estabelecimento.

As torcidas organizadas se pronunciaram. A Bamor lamentou as mortes e afirmou estar de luto. Gabriel Oliveira, presidente da TUI, também lamentou o ocorrido e se solidarizou com as famílias das vítimas. Disse que havia se reunido com policiais militares na quinta-feira anterior para informar onde os integrantes da torcida se reuniriam, tentando evitar confrontos. Os times também reagiram. O Vitória afirmou não compactuar com atitudes que não representam o clube ou a torcida. O Bahia se solidarizou com as famílias das vítimas e cobrou investigação e punição dos responsáveis. A Federação Bahiana de Futebol repudiou os episódios de violência e afirmou confiança na Justiça.

Os órgãos públicos condenaram o ocorrido. Marcelo Werner, secretário de Segurança Pública da Bahia, criticou as torcidas organizadas e afirmou que está na hora de repensar a existência desses grupos que se dizem torcidas organizadas, grupos que cometem atos de violência, barbárie e vandalismo contra patrimônio público e privado. O Ministério Público da Bahia condenou os atos de violência e vandalismo, lamentou as duas mortes e afirmou estar acompanhando a investigação, adotando todas as medidas necessárias para identificação e responsabilização dos envolvidos. A polícia informou que continua investigando as circunstâncias do crime, buscando identificar outros envolvidos e apurando a motivação da ocorrência.

Eu sei o homem incrível que ele era e me dói meu filho não poder ter conhecido essa versão do pai
— Gabriele Vasconcelos, esposa de José Alexandre Souza Borges
Está na hora de repensar a existência desses grupos que se dizem torcidas organizadas. Grupos que cometem atos de violência, barbárie, vandalismo contra patrimônio público e privado
— Marcelo Werner, secretário de Segurança Pública da Bahia
Quieres la nota completa? Lee el original en G1 ↗
Contáctanos FAQ