Inflação volta ao ritmo normal após pressão em setembro, com IPCA em 4,6%

Os preços continuarão subindo, apenas em ritmo mais lento
Economistas projetam desaceleração da inflação nos últimos meses de 2026, mas sem queda de preços.
Mark

Por que a inflação de setembro foi tão diferente de agosto? Parecia que tínhamos controlado as coisas.

Mimi

Agosto foi uma anomalia. A energia caiu muito por causa do bônus de Itaipu, o que criou uma deflação. Mas isso era temporário. Em setembro, as tarifas voltaram ao normal e subiram 8%, puxando tudo para cima.

Luke

Mas não foi só energia, certo? O relatório diz que as pressões foram disseminadas.

Mimi

Exato. Alimentos, combustíveis, transportes, serviços — tudo subiu. Os núcleos de inflação, que medem as pressões estruturais, também aceleraram.

Mark

E os alimentos? Saíram de deflação para alta de 1%?

Mimi

Sim. Dois problemas: o super-El Niño vai comprometer a oferta nos próximos meses, e as exportações de carne estão reduzindo o que temos disponível internamente.

Luke

Quanto tempo dura isso? As projeções de Romão para alimentos chegam a 10% em doze meses no início de 2027.

Mimi

Exatamente. É uma pressão que vai se estender por 2027. Mas para o resto de 2026, a inflação deve desacelerar — 0,3% em outubro, 0,6% em dezembro.

Mark

E isso abre espaço para cortes de juros?

Mimi

Sim. A Selic deve cair 0,25 ponto, de 13,75% para 13,5%. Mas depende de como o cenário externo e interno evoluem.

Luke

Quando você diz que a inflação vai desacelerar, está claro que os preços continuam subindo, só que mais lentamente?

Mimi

Isso. Não é deflação. É moderação. Os preços seguem em alta, apenas em ritmo mais constante e previsível.

  • O IPCA de setembro saltou de uma deflação de 0,32% em agosto para uma alta de 0,82%, ultrapassando o teto da meta de 4,5% em doze meses.
  • A energia elétrica subiu 8% e puxou o índice, mas alimentos, combustíveis, transportes e serviços também pressionaram — revelando uma inflação disseminada, não pontual.
  • Os núcleos de inflação avançaram e os serviços intensivos em trabalho chegaram a 7,4% em doze meses, indicando que as pressões estruturais ainda não cederam.
  • Projeções apontam para uma inflação acumulada de 5,2% em dezembro, com alimentos no domicílio podendo chegar a 10% no início de 2027 por efeitos do El Niño e exportações de carne.
  • A desaceleração esperada nos próximos meses mantém aberta a janela para um corte de 0,25 ponto na Selic, mas fatores externos e internos seguem ditando o ritmo das decisões.

Após um breve alívio em agosto, a inflação brasileira retomou sua marcha ascendente em setembro, encerrando o mês em 0,82% e empurrando o acumulado de doze meses a 4,6% — acima do teto tolerado pelo Banco Central. O movimento, embora esperado, revelou uma amplitude de pressões que vai além da energia elétrica: alimentos, combustíveis e serviços também participaram da alta, sinalizando que o desafio inflacionário brasileiro é estrutural, não apenas conjuntural. Ainda assim, especialistas enxergam uma desaceleração gradual à frente, preservando a possibilidade de novos cortes na Selic — um equilíbrio delicado entre o alívio necessário e a vigilância permanente.

A inflação brasileira encerrou setembro em alta de 0,82%, revertendo a deflação de 0,32% registrada em agosto e levando o acumulado em doze meses a 4,6% — acima do teto de 4,5% da meta do Banco Central. O movimento era antecipado pelos economistas, sobretudo pela volta das tarifas de energia elétrica, que subiram 8% após o benefício do bônus de Itaipu no mês anterior. O que surpreendeu, porém, foi a amplitude das pressões: alimentos, combustíveis, transportes e serviços também registraram altas, e os núcleos de inflação — que captam tendências estruturais — avançaram de 0,23% para 0,32% na média mensal.

Os alimentos no domicílio chamaram atenção especial, saindo de deflação de 0,6% em agosto para alta de quase 1% em setembro. Dois fatores explicam o movimento: os efeitos do super-El Niño sobre a oferta agrícola e o aumento das exportações de carne, que reduz a disponibilidade interna. O economista Fábio Romão, da 4intelligence, projeta altas mensais próximas a 1% para alimentos até o fim do ano, com impactos que devem se estender por 2027 — com a inflação de alimentos no domicílio podendo alcançar 10% em doze meses no início do próximo ano.

Apesar do cenário desafiador, a trajetória esperada para os próximos meses é de desaceleração gradual. As projeções indicam variações de 0,3% em outubro e novembro, e 0,6% em dezembro, resultando em uma inflação acumulada de 5,2% ao fim do ano. Esse ritmo mais moderado preserva o espaço para que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 13,75% para 13,5%. Os passos seguintes, contudo, dependerão de um ambiente incerto — marcado por volatilidade do petróleo, tensões geopolíticas e os primeiros movimentos do novo governo no plano econômico interno.

A inflação brasileira deu um salto em setembro. Depois de uma deflação de 0,32% em agosto, o IPCA — o índice que mede a variação de preços ao consumidor — fechou o mês passado em alta de 0,82%. No acumulado dos últimos doze meses, a inflação chegou a 4,6%, ultrapassando novamente o teto da meta de tolerância do Banco Central, que é de 4,5% com centro em 3%.

O movimento era esperado. Economistas já sinalizavam que haveria uma reversão após agosto, principalmente porque as tarifas de energia elétrica — que haviam sido reduzidas no mês anterior graças ao bônus de Itaipu — voltariam a subir. E de fato subiram: 8% em setembro. Mas o que chamou atenção foi a amplitude das pressões. Não foi apenas energia. Alimentos, combustíveis, transportes e serviços também registraram aumentos na comparação com agosto. Os núcleos de inflação, que filtram variações sazonais e inesperadas para captar pressões estruturais, subiram em média de 0,23% em agosto para 0,32% em setembro. O núcleo que exclui passagens aéreas evoluiu de 5,1% para 5,4% em doze meses. O que mede serviços intensivos em trabalho subiu de 7,2% para 7,4%.

Os alimentos no domicílio foram particularmente notáveis. Saíram de uma deflação de 0,6% em agosto para uma alta de quase 1% em setembro. Analistas atribuem a pressão a dois fatores: os efeitos do super-El Niño, que deve comprometer a oferta de alimentos nos próximos meses, e o aumento das exportações de carne, que reduz a disponibilidade doméstica. Fábio Romão, economista da consultoria 4intelligence, projeta altas mensais relevantes próximas a 1% nos meses restantes do ano para alimentos no domicílio, com impactos negativos que devem avançar por 2027. Suas estimativas apontam para uma alta de 7% na inflação de alimentos no domicílio e um avanço até 10% no acumulado em doze meses no início do próximo ano.

Apesar das pressões reafirmadas em setembro, a trajetória da inflação tende a se normalizar nos próximos meses. Romão projeta que o IPCA varie 0,3% em outubro, mantenha esse ritmo em novembro e suba 0,6% em dezembro. Isso significaria uma inflação acumulada em doze meses de 4,8% em outubro, 4,9% em novembro e 5,2% em dezembro. A moderação esperada não significa preços em queda — eles continuarão subindo, apenas em ritmo mais lento do que em setembro.

Essa perspectiva de desaceleração mantém espaço para que o Banco Central continue reduzindo a taxa básica de juros. Conforme esperado no mercado financeiro, a Selic deve cair 0,25 ponto percentual, descendo de 13,75% para 13,5%. Os próximos passos da política de juros, porém, dependerão de um cenário econômico incerto. Fatores externos — como a volatilidade do petróleo, conflitos geopolíticos e instabilidades em economias centrais — e internos — o novo governo e a desaceleração da atividade econômica — continuarão ditando o ritmo das decisões.

A inflação tende a avançar em ritmo mais moderado e constante até o fim do ano, sem a gangorra de altas e baixas registrada nos últimos meses
— Fábio Romão, economista da 4intelligence
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